Em uma Copa do Mundo que ainda não entregou lances inesquecíveis protagonizados pelos jogadores dentro de campo, a Lenovo conseguiu atrair a atenção do público com uma de suas soluções tecnológicas que estrearam no torneio.
A câmera de vídeo aprimorada utilizada no Estádio Azteca, no México, pelo árbitro brasileiro Wilton Pereira Sampaio na partida de abertura do Mundial, na última quinta-feira (11), foi um dos destaques da rodada inicial e ganhou ainda mais holofotes por conta da atuação do brasileiro, que viralizou ao redor do mundo.
O sistema usado pelo apitador é apenas uma das novidades que parceira de tecnologia da Federação Internacional de Futebol (Fifa) levou à Copa do Mundo de 2026.
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A Máquina do Esporte entrevistou Valério Mateus, gerente-geral de serviços e soluções da empresa para a América Latina. Ele detalhou como será a participação da Lenovo neste Mundial e também explicou a estratégia por trás do acordo com a Fifa.

A ideia do acordo, segundo ele, é ajudar a a mudar o negócio da Copa do Mundo, a partir da inovação.
“Para a Lenovo, patrocínios à Copa do Mundo, Fórmula 1 ou Ducati não são apenas exposição de marca. Com essas parcerias, conseguimos mostrar que temos condições de agregar tecnologia ao evento. E assim, podemos nos sentar com qualquer empresa e discutir como transformar seu negócio”, frisou o executivo.
Soluções aprimoradas
O acordo da Lenovo com a Fifa representa a primeira parceria de tecnologia da história das Copas do Mundo.
Na edição deste ano, a empresa traz três novidades, que, na verdade, já haviam sido testadas com êxito recentemente, em competições como a Copa do Mundo de Clubes de 2025.
A câmera do árbitro, por exemplo, foi utilizada na competição vencida pelo Chelsea e que contou com as participações dos brasileiros Botafogo, Flamengo, Fluminense e Palmeiras.
A versão deste ano é aprimorada e conta com a estabilização de imagem, por meio de uma Inteligência Artificial (IA) desenvolvida pela Lenovo e a Fifa.
“O modelo antigo tremia muito e não era ideal para o broadcasting, pois destoava do Padrão Fifa de transmissão”, explica Valério.
Na opinião dele, o sistema ajuda também os organizadores do torneio a lidarem de maneira mais efetiva com as polêmicas envolvendo as decisões da arbitragem.
“A câmera dá mais transparência, porque oferece uma visão muito próxima ao ponto de vista do árbitro”, lembra.
IA
A tecnologia de IA está presente em outros recursos que a Lenovo levou à Copa de 2026. Uma delas busca garantir maior precisão às decisões do Assistente de Árbitro de Vídeo (VAR, na sigla em inglês).
A empresa escaneou todos os jogadores deste Mundial, com o objetivo de criar avatares em 3D de cada um deles.
“Durante um jogo, em um lance de impedimento, por exemplo, conseguimos pegar a imagem da câmera e utilizar o avatar em 3D para analisar milimetricamente a jogada para saber onde estava a ponta do pé do atleta no momento do passe. É como se tivéssemos um VAR congelado no tempo”, diz.
Vale lembrar que esse sistema também foi testado no ano passado, só que na Copa Intercontinental, no confronto entre Flamengo e Pyramids, do Egito. Atletas dos dois times foram escaneados pela empresa para a criação dos avatares em 3D.
Neste ano, a parceria da Lenovo com a Fifa também quer usar a IA para garantir uma maior igualdade de condições entre as seleções que disputam a Copa de 2026.
O sistema Fifa AI Pro, que foi disponibilizado de maneira gratuita às 48 equipes participantes do torneio, é uma IA generativa que analisou milhares de vídeos da biblioteca da Fifa e também inúmeros dados da base da entidade.

“Com essa solução, a comissão técnica poderá saber com mais precisão, por exemplo, de onde vieram os gols do adversário e se preparar para esse confronto”, diz Valério.
Experiências
O pacote de experiências da Lenovo nesta Copa também auxiliará os organizadores a controlar o fluxo de torcedores na entrada e na saída dos estádios, a partir das imagens fornecidas pelas câmeras existentes nesses locais e em suas imediações.
O executivo lembra que o recurso baseado nessas informações já é utilizado na gestão do Lenovo Center, ginásio do Carolina Hurricanes, localizado em Raleigh. A arena do time da National Hockey League (NHL) possui capacidade para pouco mais de 19 mil pessoas.
“O torcedor pode utilizar essas informações para otimizar sua experiência nas arena, sabendo assim qual o melhor portão para acessar uma partida, como localizar restaurantes e descontos, e assim por diante”, afirma.
Apesar de o foco do patrocínio à Copa de 2026 não estar no varejo, a Lenovo também levou às sedes do Mundial ativações que buscam promover seus produtos.
Caso dos tablets com sistema de replay automático, disponíveis para visitantes na área de experiências da empresa.
A companhia também lançou uma linha de celulares da Copa de 2026 produzidos pela Motorola, marca que foi adquirida pela Lenovo em 2014.
Até o momento, a empresa chinesa está satisfeita com a repercussão do patrocínio ao Mundial. “O retorno tem sido fenomenal e mostra que a Fifa está aberta a abraçar a novidade e a tecnologia”, afirma Valério.
