Donald Trump influenciou diretamente uma decisão da Fifa durante a Copa do Mundo de 2026 ao ligar para o presidente da entidade, Gianni Infantino, e pedir a anulação do cartão vermelho aplicado ao atacante norte-americano Folarin Balogun.
Na mesma semana, a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), agência federal dos EUA, ordenou que uma plataforma de apostas esportivas desobedecesse a uma decisão judicial estadual. Os dois episódios expõem um conflito sobre credibilidade esportiva e controle dos mercados de previsão.
Fifa
Balogun havia sido expulso pelo árbitro brasileiro Raphael Claus após revisão do VAR em jogo contra a Bósnia e Herzegovina. A Fifa, contrariando seus próprios procedimentos, suspendeu a punição com base no Artigo 27 do código disciplinar.
A Uefa classificou a decisão como “cruzar uma linha vermelha” e expressou “incredulidade diante de uma ação tão sem precedentes”.
Trump disse a Infantino que o árbitro brasileiro era “um pouco suspeito, se você analisar o passado dele”. Balogun jogou contra a Bélgica pelas oitavas de final, alterando as expectativas de torcedores e mercados de previsão que precificavam o jogo considerando sua ausência.
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Mercados
Durante a Copa, plataformas como Kalshi e Polymarket registraram volumes recordes de negociação. Um tribunal de Michigan havia determinado que a Kalshi suspendesse contratos esportivos com residentes do estado, sob pena de multa diária de US$ 120 mil.
Em resposta, o presidente da CFTC, Mike Selig, declarou em 17 de julho que “não permitirá que estados ou tribunais estaduais intimidem” os mercados de previsão. A agência já moveu ações contra nove estados, defendendo que a lei federal de commodities prevalece sobre regulações estaduais de jogos de azar.
Credibilidade
A intervenção política na decisão da Fifa levanta dúvidas sobre a independência da arbitragem em futuros torneios. Para plataformas de previsão, o risco vai além da performance esportiva: contratos podem ser impactados por decisões políticas.
Usuários que negociaram previsões para o jogo EUA x Bélgica partiram da premissa de que Balogun não jogaria. A mudança, influenciada por um telefonema presidencial, alterou os parâmetros do mercado.
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Disputa
A Fifa jamais explicou a base legal para reverter a decisão de campo. Paralelamente, a ordem da CFTC para que a Kalshi desobedecesse a um tribunal estadual adicionou uma dimensão constitucional à disputa, que agora será analisada por cortes federais.
Esses dois episódios (a governança da Fifa sob pressão política e o conflito regulatório nos EUA) ocorreram nas mesmas semanas da Copa do Mundo e permanecem interligados, com impacto tanto na credibilidade do futebol internacional quanto na regulamentação dos mercados de previsão.
