Com a realização da Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos, as equipes da Major League Baseball (MLB) têm adotado estratégias para converter a presença de turistas estrangeiros em público nos estádios.
O planejamento envolve meses de coordenação entre os clubes, a liga e entidades locais para integrar as partidas de beisebol à agenda dos visitantes.
Planejamento
O trabalho de preparação começou no ano passado, com reuniões entre dirigentes da liga para compartilhar diretrizes. O objetivo central é assegurar a visibilidade das partidas de beisebol em buscas online e promover ações temáticas.
Travis Pollio, diretor sênior de estratégia de ingressos e promoções do Boston Red Sox, relata que a presença de torcedores escoceses, conhecidos como Exército Xadrez, transformou a atmosfera na capital de Massachusetts.
“Os outros 30 mil torcedores que estavam aqui simplesmente adoraram. A experiência, a atmosfera. As pessoas compararam com a de um jogo de playoffs no início de junho contra um time de fora da divisão”, comparou Pollio.
Em Seattle, os Mariners registraram 43.053 espectadores para o jogo contra o Baltimore Orioles, em uma partida disputada na véspera de Estados Unidos x Austrália, pela segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo.
Ações
As iniciativas incluem pacotes de ingressos com vestuário personalizado, como camisas que mesclam o logotipo das equipes com elementos culturais dos países visitantes.
Em Dallas, o Texas Rangers utilizou outdoors em cinco idiomas e criou um site específico para o público estrangeiro. Jim Cochrane, diretor comercial do clube, destaca o impacto positivo em receitas paralelas.
“Estamos vendo os benefícios não apenas com a venda de ingressos, mas também o Texas Live! está tendo alguns de seus melhores dias desde que abrimos em 2018”, contou Cochrane.
NBA e NFL
A interação se estende a outras ligas americanas. O interesse pelo evento mundial mobiliza atletas de diferentes modalidades.
Nas redes sociais, Jimmy Butler, ala-armador do Golden State Warriors (NBA), registrou sua participação em partidas da Copa, com direito a agradecimento ao brasileiro Neymar.
“Minha filha e minha querida família do Brasil. Obrigado aos meus irmãos do Brasil por fazerem minha filhinha se sentir tão especial”, postou o jogador, com uma foto da garota junto com o atacante da seleção brasileira no gramado.
Já Leonard Fournette, campeão do Super Bowl LX e ex-jogador da NFL, manifestou engajamento com o clima do torneio. “Vi minha primeira Copa do Mundo e curti essa atmosfera”, contou o running back, na legenda de uma foto do atacante Romelu Lukaku, da Bélgica.
Resultados
A MLB, que está com temporada em andamento, porém, é quem tira mais vantagem do momento. O impacto nos estádios de beisebol varia conforme a região.
Enquanto clubes como o New York Yankees mantiveram a média habitual, equipes como o Miami Marlins observaram picos de frequência em dias de jogos temáticos. Para o arremessador Tyler Phillips, da equipe de Miami, o aumento do público reflete a recepção positiva aos visitantes.
“Se dependesse de mim, eu faria com que pagássemos a essas pessoas para comparecerem aos jogos”, agradeceu o jogador.
O fenômeno reforça a tentativa das ligas americanas de capitalizar a movimentação de turistas para expandir a base de fãs. Além da venda de ingressos, as equipes buscam consolidar a imagem de seus estádios como polos de entretenimento cultural durante o período de disputa da Copa do Mundo – e por que não?– após o fim da competição.
