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Presidente da Fifa defende autonomia jurídica após interferência política no Caso Balogun

Gianni Infantino confirmou ligação de Donald Trump sobre a anulação da suspensão do atacante norte-americano na Copa do Mundo

Gianni Infantino, presidente da Fifa, posa ao lado de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos - Reprodução / Instagram (@gianni_infantino)

Gianni Infantino, presidente da Fifa, posa ao lado de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos - Reprodução / Instagram (@gianni_infantino)

⚡ Máquina Fast
  • Gianni Infantino defende independência dos órgãos judiciais da Fifa na suspensão do jogador Balogun.
  • Donald Trump interferiu com ligação para Infantino após cartão vermelho que suspenderia Balogun na Copa do Mundo.
  • Uefa e Real Federação Belga criticam decisão da Fifa que revogou suspensão de Balogun, alegando risco à integridade do jogo.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, manifestou-se publicamente sobre a decisão do Comitê Disciplinar da entidade em relação à suspensão do atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos, da do jogo das oitavas de final da Copa do Mundo de 2026.

O dirigente defendeu a governança da federação internacional, destacando que os órgãos judiciais da Fifa aplicariam as regras sem interferências políticas.

“Os órgãos judiciais da Fifa são independentes. Eles atuam com autonomia, aplicam o Código Disciplinar da Fifa e decidem os casos com base nos regulamentos aplicáveis ​​e nos fatos específicos apresentados. Sua independência é essencial para a credibilidade e a integridade do futebol, e isso deve ser sempre respeitado”, afirmou o dirigente.

Telefonema

Apesar da defesa da suposta autonomia decisória do órgão da Fifa, Infantino admitiu ter recebido um telefonema do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tratar do assunto. O dirigente, porém, afirmou ter explicado que o processo jurídico estava em andamento sob a responsabilidade dos órgãos competentes.

O Caso Balogun teve início após o jogador da seleção dos Estados Unidos ser expulso pelo árbitro brasileiro Raphael Claus por falta cometida contra o defensor Tarik Muharemović, da Bósnia e Herzegovina.

A punição resultaria na suspensão automática do atleta para a partida das oitavas de final da Copa do Mundo contra a Bélgica, nesta segunda-feira (6).

Contrariando a prática usual da entidade de não permitir recursos para cartões vermelhos diretos, a Fifa optou por revogar a suspensão, permitindo a escalação do atacante para o duelo válido pelas oitavas de final da Copa.

Críticas

A decisão gerou contestações imediatas por parte da Real Federação Belga de Futebol e da Uefa. Em comunicado oficial, a confederação europeia demonstrou oposição à medida. “Quando a certeza das regras já não é garantida pelos seus guardiões, a integridade do jogo está em risco e a credibilidade de uma competição é minada”, criticou a Uefa.

A entidade europeia ressaltou que a anulação abre margem para que situações semelhantes exijam o mesmo tratamento ao longo da competição.

O Comissário Europeu para a Equidade Intergeracional, Juventude, Cultura e Esporte, Glenn Micallef, também se pronunciou, declarando que “cabe às instâncias esportivas, e não aos políticos, decidir as regras do esporte”.

“Exercer influência sobre decisões esportivas compromete a autonomia do esporte”, afirmou o político maltês em sua conta no X.

Trump

O brasileiro Raphael Claus expulsa Balogun, dos Estados Unidos, no jogo contra Bósnia e Herzegovina - Reprodução/YouTube @cazetv
Raphael Claus dá cartão vermelho a Balogun, dos EUA – Reprodução/YouTube @cazetv

Aparentemente, Donald Trump, não combinou com Infantino uma versão para o episódio. O político se vangloriou de ter interferido pela liberação de Balogun para atuar contra a Bélgica. O presidente dos Estados Unidos criticou a decisão de Raphael Claus de punir o jogador de sua equipe.

“Aquilo não foi uma falta. Não foi sequer uma infração. Foram dois caras correndo em velocidade total que por acaso colidiram um com o outro”, defendeu o político norte-americano.

Trump complementou criticando a decisão de suspender o atleta para a fase decisiva do torneio.

“Ele não fez nada de errado. Ele é o nosso melhor jogador, ou um dos nossos melhores jogadores. E deram um cartão vermelho para ele. Aí comecei a ouvir que isso significa que ele não poderia jogar a próxima partida. Quando tiram o seu melhor jogador e dizem que você não pode jogar? Isso é muito injusto”, afirmou Trump.

Pronunciamento

Leia abaixo a íntegra do comunicado divulgado pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino:

“Vi os comentários públicos sobre a decisão do Comitê Disciplinar independente da FIFA em relação à suspensão de Folarin Balogun e gostaria de reiterar um princípio fundamental da governança da Fifa.

Os órgãos judiciais da Fifa são independentes. Eles atuam com autonomia, aplicam o Código Disciplinar da Fifa e decidem os casos com base nos regulamentos aplicáveis ​​e nos fatos específicos apresentados. Sua independência é essencial para a credibilidade e a integridade do futebol, e isso deve ser sempre respeitado.

Sim, discuto regularmente assuntos relacionados à Copa do Mundo da Fifa com o Presidente dos Estados Unidos e, sobre este caso, recebi de fato uma ligação do Presidente Donald Trump, assim como recebo ligações de chefes de Estado, autoridades governamentais, partes interessadas no futebol e executivos de todo o mundo sobre diversos assuntos. Durante nossa conversa, expliquei que havia um processo jurídico em andamento envolvendo os órgãos judiciais independentes da Fifa e que o caso seria decidido no momento oportuno pelos órgãos competentes. É assim que funciona o sistema da Fifa, e esse é um princípio que sempre defenderei.

Leio as decisões do Comitê Disciplinar da Fifa assim que são emitidas. Às vezes, fico surpreso com elas. Às vezes concordo, e às vezes discordo.

O que sempre faço, no entanto, é respeitar essas decisões e a autonomia dos órgãos que as proferem. Se gostamos ou não pessoalmente de uma decisão, isso é irrelevante. O respeito às instituições independentes e ao Estado de Direito é o que protege a integridade de nossas competições e a credibilidade da Fifa em todos os momentos.”