Compreender uma Copa do Mundo exige olhar para além das quatro linhas e das estatísticas de jogo. Foi com essa premissa que o jornalista Elcio Padovez reuniu 20 anos de experiências em Mundiais da Fifa no livro “A vida em Copas: Memórias, culturas e símbolos que a bola conta” (Editora Letras do Brasil, 2026). O livro terá lançamentos em São Paulo, em abril, e no Rio, em maio.
A obra é um recorte da vida do autor e das experiências pelas quais passou nos países anfitriões do megaevento da Fifa entre a Copa da Alemanha 2006 e do Catar 2022, com o hiato da Copa da África do Sul, na qual o jornalista não atuou.
Se o leitor está preocupado com os grandes duelos, relatos de gols, entrevistas com craques que se destacaram e fichas dos jogos nas últimas edições do Mundial da Fifa, o livro de Padovez não é a fonte mais adequada. O jornalista volta muito mais seu olhar para relatar o que acontece para além das quatro linhas em cada edição do torneio, mostrando vivências pessoais, painéis históricos, transformações culturais, entraves econômicos, embates políticos e problemas sociais relevantes em cada país-sede.
Perspectivas
A narrativa de Padovez é estruturada a partir das diferentes funções que ocupou em cada ciclo da Copa. Em 2006, vivenciou o torneio na Alemanha como um estudante intercambista atento às mudanças internas do país. Já em 2014, no Brasil, a ótica foi corporativa, atuando como assessor de imprensa da Adidas, fornecedora oficial da Fifa, lidando com estratégias para valorizar a marca em transmissões de rede nacional.
Na Rússia, em 2018, o autor acompanhou o evento na condição de pesquisador sobre megaeventos esportivos para seu mestrado na Faculdade Cásper Líbero. O último capítulo desse percurso aconteceu no Catar, em 2022, na última edição da do megaevento, na qual atuou na cobertura jornalística pelo jornal O Estado de S.Paulo.
Nessas duas últimas passagens, o livro mergulha em temas menos visíveis, como a realidade da comunidade LGBT+ russa e as moradias de trabalhadores estrangeiros em solo árabe.
Política
Ao analisar o papel da entidade máxima do futebol, Padovez afasta interpretações reducionistas, como a premissa de que futebol e política atuam em esferas diferentes.
É cada vez mais difícil defender essa tese diante do bombardeio de mísseis e narrativas às vésperas da próxima Copa do Mundo, que será nos EUA, México e Canadá, num contexto de guerra no Irã e bombardeios por diversos países aliados dos norte-americanos no Oriente Médio.
“Vale lembrar que a Fifa tem alergia a manifestações políticas dentro dos eventos esportivos que organiza. Ideia que muitos, ingênua ou propositalmente defendem, de que a política e o esporte não devem se misturar, sem se dar conta de que os dois pertencem ao caldeirão da cultura”, escreve o autor.
“Eles andam juntos, se entrelaçam e se alimentam um do outro. Para a entidade, a Copa do Mundo faz parte de sua bolha encantada, onde não há espaço para sofrimento, só alegria. Vamos jogar bola, torcer docemente e esqueçamos o resto”, acrescenta o jornalista.
Com apresentação do narrador José Silvério, a publicação traz seções complementares intituladas “acréscimos” para ampliar o horizonte sobre cada país-sede. O livro apresenta ainda memórias de personagens anônimos, como um veterano alemão da Segunda Guerra Mundial e um médico que viajou de carro para a assistir ao bicampeonato mundial da seleção brasileira na Copa de 1962.
Serviço
Livro: “A vida em Copas: Memórias, culturas e símbolos que a bola conta”
Editora: Letras do Brasil
Preço: R$ 76
Lançamentos
São Paulo
Data: 8 de abril (quarta-feira), às 18h30
Local: Livraria Drummond (Av. Paulista, 2073 – Conjunto Nacional, Loja 153)
Rio de Janeiro
Data: 16 de maio (sábado), às 11h
Local: Bigorrilho Leblon e Museu da Pelada (Av. Ataulfo de Paiva, 814 – Leblon)
