A Copa do Mundo Feminina de 2027 será realizada no Brasil entre os dias 24 de junho e 25 de julho do ano que vem, mas o trabalho para potencializar os resultados e o impacto do torneio já está a todo vapor.
No momento, as atenções estão voltadas para o Mundial Masculino, que será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México, a partir do dia 11 de junho, mas o torneio feminino segue evoluindo comercialmente nos bastidores.
Durante o All In Clube, evento promovido pela Holding Clube, grupo especializado em comunicação e marketing de experiência, Gal Barradas, diretora-executiva da Copa do Mundo Feminina de 2027, indicou que a competição apostará na busca por aproveitar públicos e consumos pouco valorizados por outros torneios.
“Todo evento de grande magnitude para um país movimenta a economia. Não é apenas para os nossos patrocinadores, mas também para microempreendedores que podem criar novas ocasiões de consumo em torno do entretenimento. O universo feminino permite o desenvolvimento de muitas coisas novas na moda e na tecnologia, que ainda estão um pouco adormecidas quando falamos de futebol feminino”, exemplificou a executiva, em entrevista à Máquina do Esporte.
“As mulheres representam 51% das chefes de família, 42% dos micro e pequenos empreendedores no país e possuem a maior parte do poder de decisão de compra. Existe a possibilidade de abrir novos canais e vias de consumo para falar com esse público e suas famílias”, exaltou.
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Patrocínios
A Copa do Mundo Feminina de 2027 herda alguns patrocinadores da Fifa, que possuem direitos sobre várias competições promovidas pela entidade máxima do futebol mundial. Aramco, Adidas, Coca-Cola, Hyundai, Lenovo e Qatar Airways estão entre elas.
O Mundial também contará com Lay’s, Mengniu, Dove, Valvoline, Airbnb, Doordash, Globant e Verizon entre os parceiros. Ainda assim, novas marcas serão anunciadas. Para efeito de comparação, a Copa do Mundo Masculina de 2026 tem 22 patrocinadores.
“Várias cotas já foram vendidas e há outras para serem anunciadas brevemente. Consideramos que o ritmo está indo muito bem. Embora sejam contratos totalmente diferentes, algumas marcas já estão envolvidas na Copa Masculina, com times ou com a seleção brasileira. O foco maior dessas marcas aumentará a partir do segundo semestre”, disse Gal Barradas.
Legado
A preocupação de ser uma plataforma que garanta impacto contínuo na evolução do futebol feminino para além do momento de sua realização também tem sido um diferencial comercial para a Copa Feminina de 2027.
“A mulher já conquistou muito, mas ainda falta muito a ser conquistado, e o legado é uma parte fundamental desse trabalho. Hoje, ao conversar com potenciais patrocinadores, muitos perguntam sobre o legado. Isso mostra que eles sabem da necessidade de um trabalho de base forte no Brasil”, apontou Gal Barradas.
“Se não houver fomento às bases e às crianças hoje, não teremos escalação amanhã. Para ter uma boa equipe no futuro, é preciso investir na base agora. De fato, isso é muito importante para nós”, ponderou.
Este legado também está relacionado ao amadurecimento comercial da modalidade. O torneio quer se posicionar como uma plataforma para lançar conexões consistentes e de longo prazo entre as marcas e o futebol feminino. Ainda assim, a executiva entende que o mercado publicitário talvez ainda não tenha alcançado o entendimento total da importância deste movimento.
“Talvez as marcas ainda não tenham tido o entendimento total de que não é um investimento de curto prazo. Quanto antes uma marca adere, mais resultados colhe no futuro. Sendo um patrocinador desde cedo da Copa do Mundo, você tem a oportunidade de desenvolver propriedades que sempre serão reconhecidas pelo consumidor como suas”, analisou Gal Barradas.
“Isso traz vantagens, pois quanto mais fiel o consumidor é, mais ele compra e recompra produtos, indica para familiares e amigos, e defende a marca. É uma construção de fidelidade baseada na emoção. Nós compramos produtos e serviços, mas nos relacionamos com marcas”, acrescentou.
Operação
Do ponto de vista operacional, a Copa do Mundo Feminina de 2027 projeta ter mais de 30 mil pessoas trabalhando diretamente para a realização do evento. Apenas a Fifa contratará, diretamente, em torno de 1.500 pessoas, sendo que aproximadamente 500 estarão instaladas no escritório no Rio de Janeiro (RJ).
“Como o nosso modelo é baseado na operação existente do estádio, o número varia conforme o tamanho de cada local, mas gira em torno de 3 mil a 4 mil pessoas trabalhando por estádio, principalmente nos dias de jogos. Multiplicando isso por oito estádios, passamos de 30 mil pessoas, além da nossa equipe”, detalhou Thiago Januzzi, diretor-executivo de operações da Copa do Mundo Feminina de 2027, também em entrevista à Máquina do Esporte.
A edição da competição organizada pela Fifa terá como facilitador toda a estrutura deixada pelo Mundial Masculino de 2014, também sediado pelo Brasil. Ainda que os padrões exigidos pela entidade tenham evoluído com o passar dos anos, as arenas seguem muito próximas dos requerimentos atuais.
A expectativa é de que alguns estádios necessitem de estruturas complementares temporárias, que ficarão ativas apenas durante a Copa Feminina, mas em um nível reduzido em comparação com 2014. Os gramados deverão ser os mais impactados, já que todas as sedes terão um piso híbrido para o Mundial, com fibras costuradas entre as folhas naturais.
“Alguns estádios já passaram por modernizações, como a iluminação de campo em led, que em 2014 não era uma prática comum no mundo do futebol. Os que ainda não se modernizaram farão isso para o ano que vem”, pontuou o executivo.
Mais do que os estádios, o torneio se beneficiará principalmente da experiência das equipes de operação, que serão praticamente as mesmas que estiveram nos últimos eventos relevantes.
“As equipes já operaram a Copa das Confederações, Copa do Mundo, duas edições da Copa América, Jogos Olímpicos e outros eventos. Esse conhecimento atende perfeitamente ao nosso modelo atual. Diferentemente de 2014, quando a Fifa criou a própria operação para o evento, hoje nós contratamos a operação existente nos estádios”, contou Thiago Januzzi.
“Eles atuam como nossos prestadores de serviços em segurança, serviços médicos, limpeza e manutenção de gramado. Tudo o que foi feito na Copa passada em infraestrutura, conhecimento e operação está sendo aproveitado agora”, completou.
