Embora por esses dias as atenções das pessoas em geral estejam direcionadas para a Copa do Mundo de 2026, que começará na próxima quinta-feira (11), tendo como sedes Estados Unidos, Canadá e México, a seleção brasileira feminina tem conseguido engajar a torcida do país, batendo recordes de público nos estádios e avançando nas redes sociais.
Os dois amistosos contra os Estados Unidos, marcados para os últimos dias em São Paulo (SP) e Fortaleza (CE), devem ultrapassar, juntos, quase 70 mil ingressos vendidos.
Na Neo Química Arena, 31 mil torcedores acompanharam a vitória das brasileiras por 2 a 1 sobre as norte-americanas.
Já para a partida desta terça-feira (9), também contra os Estados Unidos, 41 mil pessoas já haviam garantido ingresso.
Dessa forma, o amistoso na Arena Castelão baterá o recorde de público do futebol feminino na Região Nordeste, superando a marca anterior, que era da Arena Pernambuco, registrada em 2024, com 33.272 torcedores.
Estratégia
O sucesso de público da seleção feminina nos estádios não é um fenômeno isolado, mas sim parte de um movimento amplo, marcado pelo crescente interesse do público brasileiro pela modalidade, a um ano da Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil.
Essa evolução é resultado da estratégia definida pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a FSports, agência que detém, desde 2025, a exclusividade na comercialização dos direitos do futebol feminino da entidade (não apenas seleções, mas também competições nacionais), em um contrato inicialmente válido até 2029.
Para os dois amistosos contra os Estados Unidos, a agência convocou influenciadoras digitais de todo o país para ampliar o alcance e o engajamento no perfil oficial @brasileiras, com as profissionais mostrando os bastidores das torcidas, o clima pré-jogo, a chegada aos estádios e a energia das arquibancadas.
Em dias normais, o perfil também vem sendo abastecido diariamente com informações, dados e curiosidades sobre a categoria.
“Desenhamos um plano estratégico robusto com diferentes frentes de atuação junto à CBF e às marcas parceiras. Nosso foco é incentivar a torcida a ir para o estádio, transformando esses jogos em grandes espetáculos de entretenimento e conexão com o público. Queremos que o torcedor sinta orgulho de fazer parte da evolução da nossa seleção de perto. Em São Paulo, tivemos casa cheia e, em Fortaleza, não será diferente”, disse Mônica Esperidião, diretora de estratégia da FSports.
Patrocinadores e desempenho nas redes
Desde o início da parceria, grandes marcas firmaram patrocínio à seleção brasileira feminina, casos de Amazon, Uber e Azul, em acordos amplos com a CBF e que contemplam outras equipes da entidade.
Atualmente, os campeonatos femininos da CBF já somam mais de 122 milhões de visualizações digitais orgânicas e 100% dos jogos contam com transmissão confirmada.
A presença digital também foi consolidada com três perfis (sendo que dois deles foram criados do zero), que já somam mais de 380 mil seguidores: @brasileiras, @copadobrasilfeminina e @brasileiraofeminino.
Em desempenho de conteúdo, os três perfis de competições somaram 21,7 milhões de visualizações em maio de 2026, superando a meta mensal de 16,7 milhões, com forte engajamento. O Brasileirão Feminino, por exemplo, registrou 735 mil interações no mês.
No acumulado, os perfis femininos da entidade somaram um crescimento de 500% em interações desde 2021, com taxa de engajamento de 5% a 6%, o que supera a marca do mercado de influenciadores, que tem como média entre 0,5% e 3%.
“O futebol feminino deixou de ser uma promessa para se consolidar como uma realidade comercial e de público. Em um único ciclo de gestão, transformamos ativos que antes eram subestimados em uma plataforma nacional de altíssimo valor, aliando profissionalização real, transmissão total e uma audiência genuína que consome e apoia o esporte diariamente. Escolhemos enxergar o futebol feminino como potência, um negócio real, uma plataforma de inclusão e de liberdade de expressão. Enquanto o mercado hesitou, nós entramos em campo”, analisou Ruskaya Zanini, diretora de operações da FSports.
Oportunidade para as marcas
Dados mais recentes do Ibope Repucom (Sponsorlink 2025) mostram que investir na modalidade gera um retorno comercial estratégico para as marcas.
De acordo com o estudo, a base de fãs do futebol feminino no Brasil possui uma conexão profunda com as marcas apoiadoras, com 78% afirmando confiar em empresas envolvidas no esporte e 77% preferindo consumir das parceiras da modalidade, em vez das concorrentes.
Com base nesse cenário, os patrocinadores da seleção feminina vêm buscando realizar uma série de ativações para ampliar a conexão com o público da modalidade.
Na partida realizada em São Paulo (SP), a Uber promoveu uma homenagem à seleção brasileira feminina com um bandeirão exibido no centro da arquibancada, estampando a mensagem: “Caminhando junto com a nossa seleção”.
A iniciativa deve ser repetida na Arena Castelão, assim como os cupons de desconto que a marca vem distribuindo desde o Fifa Series, em abril, para que mais torcedores possam acompanhar os jogos com um benefício direto.
A entrada das atletas em campo contou com um espetáculo de luzes e efeitos pirotécnicos, além da entrega cerimonial da bola do jogo, em uma ação conjunta entre Azul e Amazon.
Vale lembrar que, recentemente, para reforçar a relação entre as marcas e a seleção feminina, a Heatmap tornou-se parceira estratégica da FSports, passando a cuidar das ativações de alguns dos patrocinadores da categoria e da comercialização de ativos comerciais da modalidade.
“Foi uma festa muito bonita em São Paulo e em Fortaleza, que aproximou ainda mais o torcedor da nossa seleção. O futebol feminino é uma excelente plataforma de comunicação, visibilidade e engajamento. As marcas que entenderem essa oportunidade sairão na frente; e se a modalidade já traz um retorno gigante para os patrocinadores imagina a força que vem com a Copa do Mundo se aproximando pela primeira vez no Brasil?”, declara Rene Salviano, CEO da Heatmap.
