O Ibope Repucom divulgou a primeira edição do Mapa do Patrocínio de uniformes no futebol feminino no Brasil referente à temporada de 2025. O estudo mapeou as marcas presentes nos uniformes dos 16 clubes da Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino, organizando-as por propriedade e setor de mercado.
Durante a última temporada, as 16 equipes participantes estamparam 92 patrocinadores diferentes. O volume representa 72 marcas a menos em comparação ao total identificado nos uniformes dos 20 clubes do Campeonato Brasileiro Masculino.
Apesar disso, Danilo Amâncio, coordenador de marketing do Ibope Repucom, destaca os avanços do Brasileirão Feminino, que em 2025 teve Corinthians x Cruzeiro, dois times de massa na final, e sua atratividade para as marcas.
“Tratar o Brasileirão Feminino como um ativo secundário já não encontra respaldo nos dados”, destaca Amâncio.
Guerra dos sexos
O torneio entre os homens somou 164 marcas no ano passado (diferença de 44% em relação às mulheres). Em média, cada equipe da Série A1 contou com 5,8 patrocínios diferentes, índice 29% inferior à média de 8,1 registrado no masculino.
Metade das 92 marcas presentes na Série A1 também patrocinaram equipes do torneio masculino. Os outros 50% estiveram presentes exclusivamente no Brasileirão Feminino.
“Isso sinaliza que o futebol feminino deixou de ser um complemento do masculino e se consolidou como uma plataforma própria de construção de marca, valores e relacionamento” analisa o coordenador de marketing do Ibope Repucom.
Categorias
O estudo mostra a importância do Brasileirão Feminino para setores, como o de higiene pessoal e beleza, com marcas como Rexona, Neutrox, Modess, Negra Rosa e Vizzela.
Categorias como a de chocolates, representada pela Bis nos patrocínios a Cruzeiro e São Paulo, também figuraram apenas na modalidade feminina. A Bis, por outro lado, é detentora dos naming rights do estádio do São Paulo, utilizado preferencialmente pela equipe masculina.
Outros exemplos de exclusividade no feminino incluíram o único patrocínio da categoria de Cervejas Sem Álcool, com a Estrella Galicia 0.0 na Ferroviária, e a Guaraná Antarctica no Flamengo.
“Ainda em escala menor, o avanço consistente da modalidade revela um mercado em amadurecimento, cada vez mais integrado às estratégias comerciais dos clubes”, defende o executivo do Ibope Repucom.

Segmentos
Os cinco setores mais presentes nos uniformes da Série A1 em 2025 foram financeiro (13 marcas), apostas (11), serviços de saúde (8), tecnologia e aplicativos (6) e higiene pessoal e beleza (5). Juntos, representam 47% de todas as marcas patrocinadoras.
Assim como ocorre no masculino, as empresas do setor financeiro — incluindo bancos, corretoras, consórcios e seguradoras — lideraram o volume de exposições. O setor de apostas, presente em 12 dos 16 clubes, dominou o patrocínio máster, encerrando a temporada com dez contratos nessa propriedade.
Já o setor de imobiliário, construção e acabamentos, que ocupa a vice-liderança no masculino com 19 marcas, registrou apenas quatro acordos entre as equipes femininas, mostrando o direcionamento de verbas de marketing visando atingir diferentes gêneros.
Copa do Mundo 2027
O estudo aponta as diferenças de investimento em cada naipe do Brasileirão como uma oportunidade para empresas que buscam associação com o torneio.
“A ampliação das transmissões do futebol feminino, especialmente em TV aberta, transforma 2026 em um ano decisivo para as marcas”, acredita Amâncio.
Para ele, com a aproximação da Copa do Mundo Feminina, que será realizada em 2027 pela primeira vez no Brasil, o Brasileirão Feminino irá se consolidar como uma plataforma estratégica de exposição e construção de marca e relacionamento com o público.
“As marcas que investem agora constroem vantagem competitiva em reconhecimento e preferência antes do pico de atenção de 2027, quando a visibilidade será disputada, não construída”, analisa.
Patrocínio pontual
Em relação aos patrocínios pontuais, houve apenas dois acordos dessa natureza na Série A1 em 2025. O número é 93% inferior aos 30 observados no Campeonato Brasileiro Masculino.
O cenário indica uma janela para experimentação de marcas ainda pouco explorada, sobretudo nas fases decisivas da competição.
Quem quiser ler o material completo do estudo “Mapa do Patrocínio do Futebol Feminino no Brasil em 2025” basta acessar o link da pesquisa e fazer um cadastro simples.
