O Estádio Ullevaal, em Oslo, na Noruega, receberá, neste sábado (23), às 13h (horário de Brasília), a decisão da 25ª edição da Champions League Feminina. De um lado, o Barcelona, em sua sexta final consecutiva, buscando o quarto título europeu. Do outro, o Lyon, na 12ª final de sua história, perseguindo a nona taça.
O Barcelona chega à decisão depois de terminar a fase de liga no topo da tabela, eliminar o Real Madrid por 12 a 2 no agregado nas quartas e superar o Bayern de Munique por 5 a 3 no agregado na semifinal. Na temporada, o time catalão conquistou a Liga F pelo sétimo ano consecutivo e a Supercopa da Espanha.
De forma recorrente, o Barcelona bate recorde de público conforme há a oportunidade de jogar em estádios maiores, como foi o caso das quartas de final contra o Real Madrid, no Spotify Camp Nou, que reuniu 60.067 torcedores, com Alexia Putellas marcando na sua 500ª aparição pelo clube.
O Lyon chegou à final por um caminho mais difícil. Eliminou o Arsenal, atual campeão, com placar agregado de 4 a 3, em uma semifinal decidida por Jule Brand aos 41 minutos do 2º tempo no jogo de volta, em Lyon.
Sobre o Arsenal, apesar de ter saído da competição, vale o destaque de ser o clube com a maior receita do futebol feminino mundial, com € 25,6 milhões, segundo o Deloitte Football Money League 2026, que analisou dados da temporada 2024/2025.
Por que Oslo?
A Uefa selecionou o Estádio Ullevaal durante uma reunião do Comitê Executivo em Dublin, na Irlanda, em maio de 2024. Será a primeira final de um campeonato feminino europeu de clubes disputada na Noruega. Inaugurado em 1926 e reformado em diversas ocasiões, o estádio já recebeu duas finais do Campeonato Europeu Feminino de Seleções: em 1987, quando a própria Noruega foi campeã em casa, e em 1997.
No mesmo fim de semana, Oslo receberá a 5ª edição do “Business Case for Women’s Football”, fórum da Uefa criado pelo presidente Aleksander Ceferin, que reúne líderes de clubes, ligas, mídia e parceiros comerciais para discutir o futuro econômico do futebol feminino.

“O objetivo deste ano é entender como podemos continuar construindo um esporte verdadeiramente profissional e sustentável. Temos a sorte de contar com algumas das melhores pessoas do futebol e do esporte reunidas para compartilhar suas ideias e conhecimentos”, disse Nadine Kessler, diretora de futebol feminino da Uefa.
O financeiro dos finalistas
O Deloitte Football Money League 2026, publicado em janeiro deste ano com dados da temporada 2024/2025, apontou que os 15 clubes analisados geraram, juntos, € 158 milhões em receitas, um crescimento de 35% em relação ao grupo equivalente da edição anterior.
Os três primeiros se separaram do restante de forma clara pela primeira vez. O Arsenal liderou com € 25,6 milhões, crescimento de 43%. O Chelsea ficou em segundo, com € 25,4 milhões. E o Barcelona completou o pódio com € 22 milhões. Juntos, os três geraram receita média de € 24,3 milhões, aproximadamente 250% acima da média dos outros 12 do ranking, que ficou em € 7 milhões.
O Lyon não está incluído nos dados da Deloitte. A ausência se deve à indisponibilidade de informações para publicação, dado que mostra o estágio de estruturação financeira do clube dentro do processo de reestruturação conduzido por Michele Kang.
Os dados financeiros do Barcelona na temporada 2024/2025 vão além do que o ranking da Deloitte registra. Segundo o site espanhol 2Playbook, que teve acesso à documentação do clube, o departamento de futebol feminino do Barça superou os € 20 milhões de faturamento, com crescimento de mais de 25% em relação ao exercício anterior. A linha de acordos comerciais acelerou e cresceu 43%, chegando a € 16,1 milhões. Em relação à receita total, três em cada quatro euros vieram de patrocínios, produtos de merchandising e das demais linhas que essa área opera.
Por outro lado, a receita de competições, que inclui venda de ingressos, recuou 5%, para € 3,75 milhões, e a receita dos direitos de transmissão caiu 13%, para € 1,8 milhão, em parte pela ausência do título europeu em 2024/2025. O gasto com pessoal cresceu 10%, alcançando € 13,3 milhões, sendo € 12,7 milhões destinados a salários esportivos da equipe principal e da comissão técnica, o maior volume entre os clubes da Liga F. O clube espanhol também registrou € 441 mil em ganhos de capital com transferências de jogadoras, um mercado que está em aceleração em todo o planeta.
Premiação e direitos de transmissão
Até 2024/2025, os direitos de mídia e patrocínio da Champions League Feminina eram geridos de forma descentralizada pelas ligas nacionais. A partir de 2025/2026, porém, a Uefa assumiu esse controle diretamente, o que aumentou em 122% o volume disponível para distribuição entre os clubes. O total projetado é de € 37,7 milhões por temporada nas duas primeiras edições do novo ciclo, subindo para € 46,7 milhões nas três seguintes.
Cada um dos 18 clubes da fase de liga recebe uma taxa base de € 505 mil, independentemente dos resultados. Sobre esse valor incidem bônus por vitória, por empate e por posição final na tabela, além de bônus escalonados por avanço de fase. Barcelona e Lyon terminaram a fase de liga com campanhas idênticas: 5 vitórias e 1 empate cada, 16 pontos, separados apenas pelo saldo de gols. A Uefa projeta que a equipe campeã pode acumular até € 1,995 milhão ao longo de toda a campanha. A entidade não detalhou publicamente os valores unitários de cada bônus. A estrutura de distribuição está disponível no comunicado oficial da UEFA de dezembro de 2024 e no Regulamento Oficial da competição 2025/26, em vigor desde 27 de junho de 2025.
Os direitos de transmissão respondem por apenas 13% da receita total dos 15 clubes analisados pela Deloitte em relação a temporada 2024/2025, reflexo de acordos ainda em vigência em diversas ligas.
Patrocinadores
Os parceiros comerciais destacados no uniforme do Barcelona são Nike, como fornecedora de material esportivo; Spotify, com o aporte máster em um contrato renovado em outubro de 2025 até 2030; e Bimbo, presente na manga esquerda.
Já o Lyon possui como parceiros Adidas, em um contrato que cobre os times masculino e feminino até 2028/2029; A Mastercard é a patrocinadora máster, e ocupa a frente do uniforme desde 2019; Kleber, marca de pneus do grupo Michelin, ocupa a manga; Datasolution, agência digital francesa, renovou contrato com o OL Lyonnes em julho de 2025 até 2028 e estampa as costas do uniforme.
Michele Kang e a Kynisca
O Barcelona é um clube de propriedade de seus sócios. Joan Laporta, presidente reeleito em março de 2026 com 68% dos votos em um universo de 114 mil associados, conduzirá a gestão até 2031. Já do outro lado da final, há uma investidora.
Michele Kang chegou ao futebol sem história no esporte. Nascida na Coreia do Sul, construiu carreira nos Estados Unidos como economista e empreendedora na área de tecnologia em saúde. Fundou a Cognosante, vendeu a empresa para a Accenture e entrou no futebol feminino em 2020 com uma participação no Washington Spirit, da NWSL. Em 2022, assumiu o controle total do clube. Em 2023, comprou o Olympique Lyonnais Féminin. Em 2024, reuniu os clubes, mais o London City Lionesses, sob a Kynisca Sports International, primeiro grupo multiclubes estruturado exclusivamente em torno do futebol feminino.
Dois dos movimentos mais simbólicos do projeto vieram diretamente do Barcelona. Kang contratou Markel Zubizarreta, o diretor esportivo responsável pela construção do ciclo vitorioso catalão, e depois trouxe Jonatan Giráldez, técnico dos três títulos europeus do Barça. Giráldez passou um ano no Washington Spirit antes de assumir o Lyon. Neste sábado (23), em Oslo, enfrentará Pere Romeu, o auxiliar que ele mesmo deixou no cargo quando saiu do Barcelona.
Em maio de 2025, o clube francês ganhou uma nova identidade: saiu o Olympique Lyonnais Féminin e entrou o OL Lyonnes, com escudo e visual próprios. Todos os jogos em casa passaram para o Estádio Groupama, de 59 mil lugares, tornando o OL Lyonnes o primeiro clube feminino da Europa a jogar todas as partidas no estádio principal.
Em junho de 2025, com o Lyon masculino às portas do rebaixamento administrativo por conta da gestão de John Textor à frente da Eagle Football, os acionistas destituíram o norte-americano e Kang assumiu a presidência do clube. A crise do masculino e a consolidação do feminino correram em paralelo, sob o mesmo teto. Parte do passivo herdado por Kang é uma disputa judicial com o Botafogo, que cobra € 128 milhões do Lyon por transferências de jogadores que foram negociadas, mas não se concretizaram.
Nesta semana, uma possível dor de cabeça surgiu para Michele Kang em relação à Uefa. A entidade confirmou que as regras de multipropriedade valem para o futebol feminino sem adaptações: clubes do mesmo grupo empresarial não podem disputar a mesma competição europeia. Na prática, se o London City Lionesses se classificar para a Champions League Feminina enquanto o Lyon também estiver na competição, a Kynisca precisará escolher qual dos dois participa. À medida que o grupo cresce, esse limite passa a ser parte do cálculo.
Onde assistir
A partida terá transmissão na ESPN e no Disney+ no Brasil, com o pré-jogo iniciando às 12h e o jogo às 13h (horários de Brasília). Em Lyon, a cidade instalou um telão gigante de 60m na Place des Terreaux, no centro histórico, para a transmissão ao vivo da final.
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Barcelona e Lyon se encontram pela quarta vez em uma final europeia, igualando o recorde histórico que antes pertencia a Lyon e Wolfsburg. O Lyon venceu em 2019 e 2022. O Barcelona venceu em 2024. Ambos terminaram a fase de liga empatados em pontos no topo da tabela, separados apenas pelo saldo de gols.
Para o Lyon, um título seria a primeira grande conquista com a identidade Lyon, jogada integralmente no Estádio Groupama, sob a gestão de Michele Kang. Para o Barcelona, seria o quarto título europeu e a confirmação de que seis finais consecutivas não são um produto do calendário.
