Faltam menos de 9 meses para a bola rolar no Estádio do Maracanã para a abertura da Copa do Mundo Feminina de 2027. O torneio, que será disputado entre os dias 24 de junho e 25 de julho do ano que vem, será o primeiro a ser realizado na América do Sul, contando com oito cidades-sede espalhadas pelo Brasil.
O evento, histórico para o desenvolvimento da modalidade no país e na região sul-americana, já está estimulando o posicionamento da mídia esportiva brasileira. Nas últimas semanas, diferentes veículos se lançaram neste universo, investindo em programas e ações dedicados exclusivamente para o futebol feminino.
Os donos do Mundial na TV
Em novembro de 2025, a Fifa vendeu os direitos do torneio no Brasil para o Grupo Globo e para a LiveMode, marca proprietária da CazéTV.
Segundo dados do Ibope, na edição de 2023, disputada na Austrália e na Nova Zelândia, o Mundial foi visto por 63,2 milhões de brasileiros na Globo e no Sportv. Em 2027, com jogos em casa e em horários mais acessíveis, a expectativa é superar esse patamar.
No mercado internacional, a Netflix acertou a compra dos direitos de transmissão do Mundial nos Estados Unidos e no Canadá, em uma negociação que pode ter sido uma das mais valiosas já registradas em torno de uma competição esportiva feminina. Os valores oficiais não foram divulgados.
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Quais programas já estão na grade brasileira?
A história dos programas televisivos dedicados exclusivamente ao futebol feminino começa em 2022, com a estreia do “Mina de Passe”, da ESPN. Apresentado por Gláucia Santiago e Luciana Mariano, o programa foi o primeiro quadro fixo de debate sobre futebol feminino da TV nacional e, em 2023, chegou a ter cerca de 1 milhão de telespectadores em suas transmissões. Naquele ano, levou um prêmio internacional interno da ESPN e uma premiação no Festival Élan.
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O “Aquecimento Delas”, transmitido pelo Sportv e pela GeTV, estreou no final de agosto de 2026. A bancada é completamente feminina e conta com nomes como Ana Thaís Matos, Renata Mendonça, Mariana Spinelli, Luana Maluf e Alline Calandrini. A proposta é ser um pré-jogo, mais dedicado às partidas de campeonatos femininos nacionais.
A N Sports também se jogou no universo do futebol feminino, estreando o programa “Joga Com Elas”. A programação é comandada ao vivo pelas jornalistas Giselly Corrêa e Andressa Borzilo, que também atuam nas transmissões do canal. Para a N Sports, o programa é peça de uma aposta maior, já que o canal transmite competições relevantes da modalidade, como o Brasileirão, a Copa do Brasil e a Libertadores Feminina.
Na internet, o movimento mais simbólico foi o “Passa a Bola”. Criado em 2021 por Alê Xavier e Luana Maluf, o canal conta atualmente com mais de 200 mil inscritos no YouTube, mais de 84 milhões de visualizações e chegou ao Grupo Podpah em julho deste ano. Com isso, entraram no elenco nomes como Denise Thomaz Bastos, Bi Goes, Amanda Porfirio e Roberta Nina.
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A estreia no ecossistema do Podpah já chegou com patrocínios de Amazon, Hyundai e Uber, marcas de forte destaque no apoio ao futebol feminino e à seleção brasileira. O CEO do Grupo, Victor Assis, disse, em entrevista à Máquina do Esporte, que o “Passa a Bola” será o principal foco do grupo para a Copa, com possibilidade de expansão até lá.
O que os números dizem?
Os dados de 2026 mostram por que as empresas estão apostando na modalidade. A final da Supercopa Feminina, em fevereiro deste ano, entre Palmeiras e Corinthians, alcançou uma audiência de 21,8 milhões de brasileiros na Globo, segundo dados do Ibope.
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Já o Brasileirão Feminino, só nas quartas de final, bateu 29,5 milhões de telespectadores únicos nas transmissões da Globo, contando pré-jogo, partida e pós-jogo. O público feminino nos jogos de ida cresceu 18% em relação às duas temporadas anteriores.
Para a N Sports, a classificação do Bahia sobre o Palmeiras, nas quartas do Brasileirão Feminino, se tornou a maior audiência do canal no ano, com mais de 530 mil visualizações no YouTube. Na semifinal, porém, a partida entre Corinthians e Bahia bateu esse recorde em 63%, com 867 mil visualizações e pico de mais de 91 mil conexões simultâneas.
Essa mesma semifinal levou 9.755 pessoas à Neo Química Arena, maior público de um jogo dos campeonatos nacionais femininos no ano, segundo registros da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Mas esse número foi superado com folga na partida de ida da final da competição, disputada no último sábado (26), também na Neo Química Arena. A derrota corintiana para o São Paulo por 2 a 1 foi assistida por 21.828 torcedores no estádio.
Com relação à audiência na TV, a Globo obteve o recorde do torneio até aqui. Na Grande São Paulo, a emissora alcançou 11 pontos de audiência e 26% de participação sobre a quantidade de televisores ligados (share).
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A tendência é de que, no jogo de volta, marcado para o próximo sábado (3 de outubro), no Estádio do Morumbis, que definirá a equipe campeã, todos esses números sejam superados
E depois da Copa?
A mídia esportiva está desenvolvendo suas apostas para um Mundial que durará apenas um mês. Mas a pergunta que fica é: será que essa grade se manterá quando o torneio acabar?
O interesse pelo futebol feminino é real e crescente, mas o público ainda está em construção e o torneio será fundamental para o desenvolvimento da conexão entre os torcedores e a modalidade. No entanto, para que isso se torne definitivo no dia a dia dos brasileiros, será preciso que quem já entrou ou está entrando agora desenvolva produtos que sejam capazes de se manter em pé também quando os holofotes da Copa do Mundo se apagarem.
