A Dawn Apollo Studios, produtora de Lewis Hamilton, fechou um acordo com a Skydance Sports, área de esporte da Paramount Skydance, para criar filmes, séries, documentários e animações. O movimento parece indicar que grandes atletas estão vendo o próprio nome como ponto de partida para criar histórias e personagens que são deles, com direito a uma fatia do que cada projeto rende.
O que é um “first-look” e o que Hamilton faz nele
“First-look” é uma espécie de “direito de preferência”. A produtora apresenta o projeto primeiro para a Skydance, que decide se topa financiar e distribuir. Se a resposta for não, a produtora pode levar a ideia para outro lugar. Isso é bom para os dois lados, já que o estúdio não precisa disputar cada projeto com a concorrência, e o atleta tem dinheiro e estrutura sem ficar preso a um único parceiro.
O piloto será produtor-executivo de tudo que sair da parceria. Ele participará das decisões sobre roteiro, elenco e lançamento, e deve receber uma porcentagem do lucro, o chamado “backend”, ganhando também um cachê fixo pelo uso da imagem.
De um filme a uma franquia
O acordo também pode chegar aos videogames e aos produtos da Paramount. A ideia é usar a mesma história em vários formatos: um filme vira série, a série vira jogo, o jogo vira brinquedo, e cada um deles atrai público para os outros. Tudo começou com o longa-metragem F1, primeiro projeto da Dawn Apollo, que faturou cerca de US$ 630 milhões e se tornou o filme de esporte com maior bilheteria da história. Hamilton, aliás, produziu o longa e ainda apareceu na tela como ele mesmo. O resultado mostrou a Hollywood que uma boa história de esporte enche os cinemas do mundo inteiro.

Outros movimentos semelhantes
Esse movimento não é necessariamente inédito. Outros atletas já tinham feito algo bem parecido, como LeBron James, cofundador da SpringHill Company, que tem “first-look” de cinema com a Universal desde 2020, mas que também faz projetos com Netflix, HBO, Disney e Amazon.
Stephen Curry foi por outro lado e mirou o público infantil, com a Unanimous Media, que tem “first-look” com a DreamWorks Animation e acordo global de talento com a NBCUniversal. Serena Williams, por sua vez, junta produtora e investimentos, já que a Serena Ventures também coloca dinheiro em outras empresas.
Já Tom Brady liga a 199 Productions à Fox, onde também trabalha como comentarista. E Cristiano Ronaldo abriu, em 2025, a UR Marv Studios com o diretor Matthew Vaughn e prepara a série “Day 1s”, que vários streamings estão disputando. Enfim, são muitos exemplos.

Olhando todos os casos juntos, podemos ver um padrão. Cada atleta escolheu um público (adulto, infantil, investidores, torcedores de futebol americano, ficção) e usa a produtora para vender projetos para vários compradores. A produtora virou um negócio, que continuará gerando dinheiro mesmo depois que o atleta parar de competir.
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