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A Era Messi na seleção argentina: Números que ajudam a entender a dimensão do camisa 10

Premiações, patrocínios, amistosos internacionais e força de marca mostram o que o time tricampeão mundial construiu ao redor do ídolo

Lionel Messi levou a Argentina a três finais nas últimas quatro Copas do Mundo e alavancou os negócios da AFA - Reprodução

⚡ Máquina Fast
  • Lionel Messi encerrou sua trajetória na seleção argentina como maior artilheiro e com 207 jogos disputados.
  • A Associação de Futebol Argentino expandiu de 6 para mais de 100 patrocinadores entre 2017 e 2024, com 70% do portfólio vindo do exterior.
  • A aposentadoria de Messi testa a sustentabilidade do crescimento comercial e de público da seleção argentina sem seu principal ícone.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Lionel Messi anunciou a aposentadoria da seleção argentina nesta semana, encerrando uma trajetória de 20 anos pela equipe nacional. Nessas duas décadas, o agora ex-camisa 10 se transformou no maior artilheiro (125 gols) e jogador com mais partidas (207) pela equipe. Dentro de campo, o saldo de títulos foi encerrado com duas edições da Copa América (2021 e 2024), a Finalíssima de 2022 e a Copa do Mundo do Catar 2022, além de dois vice-campeonatos nas Copas de 2014 e 2026.

Para quem acompanha o mercado esportivo, porém, talvez a questão mais interessante seja entender o que a Argentina construiu ao redor do ídolo e o que desse legado permanecerá agora que ele deixou a seleção.

  • US$ 100 milhões em seis anos de premiações

Mesmo sem o título em 2026, a Argentina encerrou a Era Messi com US$ 34 milhões no bolso pela campanha no Mundial. Com isso, a seleção acumulou pelo menos US$ 97,5 milhões em premiações apenas entre 2021 e 2026. Se o recorte incluir também as finais disputadas desde 2014, o total supera facilmente os US$ 129 milhões. Mas mais do que os números com premiações, esse aumento de competitividade ajudou a melhorar a percepção da seleção. Para patrocinadores, organizadores de amistosos e parceiros comerciais, isso tem um peso gigantesco.

  • De apenas 6 patrocinadores para mais de 100 marcas

Este peso foi explorado com uma expansão comercial extremamente relevante da Associação de Futebol Argentino (AFA). A entidade saiu de cerca de 6 patrocinadores em 2017 para mais de 100 marcas associadas à seleção no ciclo recente. No fim de 2024, eram 64 acordos ativos distribuídos por 21 países, com aproximadamente 70% do portfólio vindo de fora da Argentina.

Ao invés de depender principalmente de empresas locais, a federação passou a vender propriedades comerciais por território, adaptando acordos para mercados específicos e ampliando significativamente sua presença internacional. Veja aqui os dados mais atuais de acordos com empresas de China, Índia e Oriente Médio, entre outros locais.

AFA fechou parceria com a Kingfisher, empresa de bebidas indiana, em 2025 – Reprodução / AFA
  • Seleção fez verdadeira turnê internacional

Entre a conquista da Copa de 2022 e a despedida de Messi, a seleção argentina levou seus amistosos para mercados como China, Indonésia, Emirados Árabes Unidos e Estados Unidos. Em muitos casos, as partidas funcionaram como grandes eventos de entretenimento.

O peso comercial de Messi era tão grande que sua presença chegou a influenciar contratos: em um amistoso no Marrocos, em 2019, o valor a ser pago teria caído de cerca de € 1 milhão para € 550 mil após a ausência do craque ter sido confirmada. Em 2023, as ofertam começavam em £ 5 milhões.

Esses episódios ajudam a ilustrar como, em diversos mercados, a atração principal era essencialmente ver Lionel Messi em campo.

  • A camisa que desapareceu das lojas

Durante a Copa do Mundo do Catar 2022, a Adidas esgotou a camisa 10 da Argentina antes da final contra a França. A empresa chegou a citar uma “demanda extraordinária” em diversos mercados, sem conseguir atender toda a procura.

A marca nunca divulgou números de vendas, mas o episódio se tornou um dos retratos mais claros da capacidade de Messi de impulsionar o consumo de produtos ligados à seleção de seu país. 

Torcedores argentinos vestem a camisa de Lionel Messi em 2022 – Gustavo Garello / Divulgação
  • Reconhecimento da marca “Argentina” e Rosário

Os efeitos também aparecem na identidade nacional e no turismo. No Global Soft Power Index 2026, da Brand Finance, a Argentina melhorou sua percepção entre os fãs de futebol em atributos como cultura, turismo e confiabilidade, enquanto a AFA foi apontada como a entidade de futebol nacional mais forte do mundo em termos de marca.

É impossível separar exatamente o peso de Messi nesse resultado, mas também é inegável sua influência. Um exemplo (aí, sim, mais concreto) está em Rosário, cidade natal do camisa 10, que passou a explorar locais ligados à trajetória do jogador, como sua casa de infância e o Club Atlético Grandoli, criando um “Messi Trail” que ajuda a atrair visitantes estrangeiros.

  • O desafio pós-Messi

A aposentadoria encerra uma das eras mais vitoriosas da história da seleção argentina, mas também inaugura um importante teste de mercado.

Nos próximos anos, indicadores como patrocínios, audiência, ocupação de amistosos e força de marca da AFA devem mostrar quanto do crescimento recente foi incorporado pela seleção argentina e quanto estava diretamente ligado à presença do maior jogador de sua história.

O conteúdo desta publicação foi retirado da newsletter semanal Engrenagem da Máquina, da Máquina do Esporte, feita para profissionais do mercado, marcas e agências. Para receber mais análises deste tipo, além de casos do mercado, indicações de eventos, empregos e mais, inscreva-se gratuitamente por meio deste link. A Engrenagem é produzida por Theodoro Montoto, profissional de marketing, estratégia, planejamento e análise de mercado, e conta com uma nova edição todas as quintas-feiras, às 9h09.