Lionel Messi anunciou a aposentadoria da seleção argentina nesta semana, encerrando uma trajetória de 20 anos pela equipe nacional. Nessas duas décadas, o agora ex-camisa 10 se transformou no maior artilheiro (125 gols) e jogador com mais partidas (207) pela equipe. Dentro de campo, o saldo de títulos foi encerrado com duas edições da Copa América (2021 e 2024), a Finalíssima de 2022 e a Copa do Mundo do Catar 2022, além de dois vice-campeonatos nas Copas de 2014 e 2026.
Para quem acompanha o mercado esportivo, porém, talvez a questão mais interessante seja entender o que a Argentina construiu ao redor do ídolo e o que desse legado permanecerá agora que ele deixou a seleção.
- US$ 100 milhões em seis anos de premiações
Mesmo sem o título em 2026, a Argentina encerrou a Era Messi com US$ 34 milhões no bolso pela campanha no Mundial. Com isso, a seleção acumulou pelo menos US$ 97,5 milhões em premiações apenas entre 2021 e 2026. Se o recorte incluir também as finais disputadas desde 2014, o total supera facilmente os US$ 129 milhões. Mas mais do que os números com premiações, esse aumento de competitividade ajudou a melhorar a percepção da seleção. Para patrocinadores, organizadores de amistosos e parceiros comerciais, isso tem um peso gigantesco.
- De apenas 6 patrocinadores para mais de 100 marcas
Este peso foi explorado com uma expansão comercial extremamente relevante da Associação de Futebol Argentino (AFA). A entidade saiu de cerca de 6 patrocinadores em 2017 para mais de 100 marcas associadas à seleção no ciclo recente. No fim de 2024, eram 64 acordos ativos distribuídos por 21 países, com aproximadamente 70% do portfólio vindo de fora da Argentina.
Ao invés de depender principalmente de empresas locais, a federação passou a vender propriedades comerciais por território, adaptando acordos para mercados específicos e ampliando significativamente sua presença internacional. Veja aqui os dados mais atuais de acordos com empresas de China, Índia e Oriente Médio, entre outros locais.

- Seleção fez verdadeira turnê internacional
Entre a conquista da Copa de 2022 e a despedida de Messi, a seleção argentina levou seus amistosos para mercados como China, Indonésia, Emirados Árabes Unidos e Estados Unidos. Em muitos casos, as partidas funcionaram como grandes eventos de entretenimento.
O peso comercial de Messi era tão grande que sua presença chegou a influenciar contratos: em um amistoso no Marrocos, em 2019, o valor a ser pago teria caído de cerca de € 1 milhão para € 550 mil após a ausência do craque ter sido confirmada. Em 2023, as ofertam começavam em £ 5 milhões.
Esses episódios ajudam a ilustrar como, em diversos mercados, a atração principal era essencialmente ver Lionel Messi em campo.
- A camisa que desapareceu das lojas
Durante a Copa do Mundo do Catar 2022, a Adidas esgotou a camisa 10 da Argentina antes da final contra a França. A empresa chegou a citar uma “demanda extraordinária” em diversos mercados, sem conseguir atender toda a procura.
A marca nunca divulgou números de vendas, mas o episódio se tornou um dos retratos mais claros da capacidade de Messi de impulsionar o consumo de produtos ligados à seleção de seu país.

- Reconhecimento da marca “Argentina” e Rosário
Os efeitos também aparecem na identidade nacional e no turismo. No Global Soft Power Index 2026, da Brand Finance, a Argentina melhorou sua percepção entre os fãs de futebol em atributos como cultura, turismo e confiabilidade, enquanto a AFA foi apontada como a entidade de futebol nacional mais forte do mundo em termos de marca.
É impossível separar exatamente o peso de Messi nesse resultado, mas também é inegável sua influência. Um exemplo (aí, sim, mais concreto) está em Rosário, cidade natal do camisa 10, que passou a explorar locais ligados à trajetória do jogador, como sua casa de infância e o Club Atlético Grandoli, criando um “Messi Trail” que ajuda a atrair visitantes estrangeiros.
- O desafio pós-Messi
A aposentadoria encerra uma das eras mais vitoriosas da história da seleção argentina, mas também inaugura um importante teste de mercado.
Nos próximos anos, indicadores como patrocínios, audiência, ocupação de amistosos e força de marca da AFA devem mostrar quanto do crescimento recente foi incorporado pela seleção argentina e quanto estava diretamente ligado à presença do maior jogador de sua história.
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