A Premier League mantém sua posição como a competição nacional de futebol mais lucrativa do mundo, amparada por contratos de transmissão e patrocínio vultosos. No entanto, o custo para manter a competitividade das equipes resultou em lucro líquido de fato para apenas quatro clubes na última temporada.
Para equilibrar as contas e cumprir as normas de rentabilidade e sustentabilidade (PSR), diversas equipes recorreram a manobras contábeis, como a venda de estádios ou de departamentos de futebol feminino para subsidiárias dos próprios proprietários.
A partir do próximo ciclo, o sistema será alterado com a implementação do índice de custo do elenco (SCR, na sigla em inglês), que limitará os gastos com transferências, salários e intermediários a 85% da receita total.
Superávit
O Newcastle liderou o desempenho financeiro ao declarar lucro líquido de £ 34,73 milhões, revertendo o prejuízo do ciclo anterior. Foi o primeiro resultado positivo do time desde a aquisição pelo Fundo de Investimento Público (PIF) da Arábia Saudita em 2021.
O faturamento comercial do clube subiu 44%, atingindo £ 120,1 milhões, impulsionado por operações de varejo e áreas de entretenimento no estádio.
O Aston Villa também registrou saldo positivo de £ 17,03 milhões, beneficiado pelo retorno à elite das competições europeias e por um salto de 69% no faturamento comercial.
Contudo, a Uefa aplicou uma multa ao clube por descumprimento de limites de perdas, desconsiderando a receita obtida com a venda da equipe feminina e de um complexo multiuso para uma subsidiária.
Bournemouth (£ 14,89 milhões) e Liverpool (£ 8,27 milhões) completam o grupo das equipes lucrativas. Os Reds, inclusive, lideraram a geração de receita total com £ 702,7 milhões, reforçada por shows de artistas como Taylor Swift no Estádio de Anfield.
Déficit
No extremo oposto, o Chelsea registrou o maior prejuízo da história da Premier League, com um saldo negativo de £ 262,44 milhões. O déficit ocorreu mesmo com o segundo maior faturamento da história do clube, sendo impactado pelo aumento de £ 117,4 milhões nas despesas operacionais e pela capacidade limitada de seu estádio, o Stamford Bridge, com capacidade para 40.341 torcedores, considerada baixa em comparação aos principais rivais.
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O Manchester City também apresentou resultado negativo de £ 9,92 milhões, primeiro prejuízo do clube em uma década (sem contar o período da pandemia).
A queda de 5% na receita de direitos de transmissão e a eliminação precoce na Champions League contribuíram para esse número. Além disso, 115 acusações de violações financeiras contra o clube seguem sob análise de um painel independente.
Outras equipes tradicionais, como Tottenham (£ 94,67 milhões) e West Ham (£ 103,59 milhões), também amargaram perdas significativas.
Regulamentação
O cenário de escassez de lucros pressiona os clubes a buscarem alternativas para evitar punições esportivas. O Everton, por exemplo, vendeu o antigo Estádio Goodison Park e sua equipe feminina para uma subsidiária, gerando um ganho de £ 49,2 milhões que auxiliou no cumprimento das regras de sustentabilidade.
O Arsenal, por sua vez, registrou prejuízo de £ 1,38 milhão. O time londrino teria alcançado lucro, se não fossem as perdas de £ 15,2 milhões em negociações de jogadores.
