Ele se tornou uma das figuras mais comentadas do planeta nas últimas semanas, protagonizando uma série de acontecimentos que tiveram imensa repercussão na mídia internacional.
Depois de se tornar o primeiro artista latino a conquistar o Grammy na categoria “Álbum do Ano” com um disco inteiramente em espanhol, esse porto-riquenho afrontou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao se apresentar no show do intervalo do Super Bowl (principal evento esportivo do país) cantando em sua língua materna e lembrando aos espectadores (naquela que costuma ser a maior audiência da TV estadunidense) que o gentílico americano não se aplica apenas aos moradores da Terra do Tio Sam, mas abarca cidadãos de outras nações do continente.
Bad Bunny, nome artístico de Benito Antonio Martínez Ocasio, é uma verdadeira máquina midiática, capaz de contrariar a lógica. Exemplo disso é o enorme sucesso que ele faz nos Estados Unidos, numa época em que a nação é tomada pelo sentimento xenofóbico em relação aos imigrantes de origem hispânica. E consegue brilhar sem renegar suas raízes latinas.
No último fim de semana, ele esteve em São Paulo (SP), onde realizou dois shows no Allianz Parque. Durante os eventos, como modo de resgatar e valorizar a latinidade do povo brasileiro (nosso idioma, assim como o espanhol, o francês, o catalão e o italiano, originou-se do latim, língua surgida na região do Lácio, na Península Itálica), o cantor apelou para trajes com forte identificação com o futebol, esporte que representa uma das maiores expressões culturais de nosso país.
Seleção brasileira e nostalgia
Bad Bunny adicionou um toque de nostalgia a suas apresentações, com uniformes que remetem a tempos áureos da seleção brasileira.
Na sexta-feira, ele vestiu um modelo retrô fabricado pela Athleta, que reproduz a camisa utilizada pelo Brasil na Copa do Mundo de 1962, ano da conquista do bicampeonato no Chile.
Criada em 1935 no bairro do Belém, em São Paulo, a marca foi pioneira no segmento esportivo no país e forneceu os uniformes da seleção brasileira entre os anos de 1954 e 1974.
Justamente nesse período, o Brasil conquistou três Copas do Mundo com craques como Pelé, Garrincha, Didi, Nilton Santos, Djalma Santos, Rivellino, Gerson e Tostão vestindo as camisas da Athleta.
Nas décadas seguintes, a marca sucumbiria à concorrência de gigantes internacionais como Adidas e Nike, até ser desativada, em 2004. Passados quatro anos, ela retornaria, já como propriedade da The Brand’s Company.
As linhas retrôs da seleção brasileira e de clubes como Santos e São Paulo representam importantes filões para a marca, que, mais recentemente, voltou a figurar na Série A do Brasileirão, como fornecedora de material esportivo do Mirassol.
Pelé
A nostalgia envolvendo a seleção brasileira voltou a estar presente no segundo show de Bad Bunny, no Allianz Parque, realizado no sábado (21).
Dessa vez, o verde e amarelo se materializou em um agasalho usado por Pelé na Copa do Mundo de 1966.

A peça é uma das mais prestigiadas da coleção de Cássio Brandão, responsável pelo projeto Alambrado Futebol e Cultura e o maior colecionador de camisas de futebol do mundo, reconhecido pelo Guinness World Records em 2024.

Esta não é a primeira vez em que Cássio veste uma celebridade internacional em visita ao país verde e amarelo.
No Grande Prêmio (GP) de São Paulo da Fórmula 1 de 2023, o britânico Lewis Hamilton apareceu no paddock do Autódromo de Interlagos utilizando um agasalho da seleção brasileira de 1994. O conjunto também pertence a Cássio Brandão e foi emprestado na ocasião para o piloto, assim como aconteceu com Bad Bunny e a jaqueta de Pelé no último sábado.
