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Ares Management nomeia interventora na Eagle e aprofunda incertezas para Botafogo e John Textor

Empresa é a maior credora do grupo multiclubes por conta de um empréstimo de US$ 450 milhões para a compra de equipes

O empresário John Textor com o troféu da Copa Libertadores 2024 conquistada pelo Botafogo- Vítor Silva / BFR

Empresário John Textor com o troféu da Copa Libertadores de 2024, conquistada pelo Botafogo - Vítor Silva / Botafogo

⚡ Máquina Fast
  • Ares Management nomeia interventora para controlar empresa de John Textor que detém SAF do Botafogo.
  • Disputa entre Textor e Ares afeta gestão do Botafogo e resultou na perda do controle do Lyon por Textor.
  • Diretoria do Botafogo busca novo investidor para substituir Textor após denúncias de drenagem de recursos do clube.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Pouco mais de um ano depois de experimentar aquela que talvez tenha sido a mais gloriosa temporada de toda sua história, com as conquistas da Série A do Brasileirão e da Copa Libertadores em 2024, o Botafogo vive tempos de incerteza envolvendo a relação com o empresário norte-americano John Textor, dono (em tese) da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube.

A Ares Management nomeou uma interventora para a Eagle Football Holdings, grupo multiclubes criado por Textor e que controla diversas equipes ao redor do mundo, incluindo o Lyon, da França.

A Ares valeu-se de sua condição de maior credora da Eagle (que pegou US$ 450 milhões emprestados com a gestora de fundos de investimentos, a taxas de juros que chegam a 22% ao ano, em uma das operações) para solicitar à Justiça do Reino Unido a nomeação da Cork Gully como nova administradora da companhia de Textor.

“Nossa prioridade imediata é estabilizar a empresa, gerir suas participações acionárias de forma responsável e trabalhar para garantir o futuro dos clubes envolvidos. Convidamos as partes interessadas a se manifestarem e manteremos contato com todas as partes interessadas ao longo deste processo”, declarou a interventora.

Segundo informações do veículo britânico Financial Times, o grupo de Textor emitiu um comunicado afirmando haver ficado “gravemente ofendido com a decisão unilateral e predatória da Ares Capital Corporation de desmembrar um negócio multiclubes financeiramente viável, que transformou com sucesso clubes insolventes em histórias de sucesso esportivo que, quando operados de forma colaborativa, apresentam fluxo de caixa positivo em 2026 e nos anos seguintes”.

A Ares Capital Corporation é uma subsidiária da Ares Management, que atua em operações de financiamento e alavancagem.

Foi com recursos da empresa e de outros investidores que Textor realizou aquisições de diversos clubes de futebol hoje pertencentes à Eagle, incluindo o Lyon em 2022, em um negócio estimado em mais de € 800 milhões.

Em 2023, segundo um balanço divulgado pelo grupo de Textor, os compromissos assumidos com a Ares eram de US$ 450 milhões, sendo US$ 300 milhões em dívidas com pagamento em espécie e taxa anual de 16%; US$ 135 milhões com juros de 18%; e ainda um financiamento de US$ 27 milhões com taxa de 22% ao ano.

Dúvidas no Botafogo

A disputa entre Textor e a Ares já resultou em um sério revés para o empresário norte-americano, que foi substituído no comando do Lyon pela sócia e rival Michele Kang, que assumiu a presidência do time francês como parte de um compromisso firmado com a Federação Francesa de Futebol (FFF), a fim de evitar o rebaixamento da equipe à Ligue 2, após o clube não apresentar garantias para o pagamento de uma dívida de € 175 milhões.

No Brasil, Textor tem recorrido a manobras fiscais e jurídicas a fim de se manter no comando do Botafogo. Isso inclui a tentativa de criar uma nova empresa no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, também chamada de Eagle, para a qual seria transferido o capital da SAF carioca.

Na batalha com a Ares, Textor conseguiu ser mantido como gestor do Botafogo, graças a uma liminar emitida pela Justiça do Rio de Janeiro no começo deste ano, mas que o impediu de transferir ativos da Eagle Football Holdings para o exterior.

LEIA MAIS: Prestes a ser expulso da Eagle pela Ares, John Textor se agarra a liminar para seguir no comando do Botafogo

Até o ano passado, o empresário norte-americano contava com apoio incondicional da diretoria do clube associativo. Porém, esse clima de lua de mel parece ter chegado ao fim.

Uma informação publicada na semana passada por Diogo Dantas, no site do jornal O Globo, mostra que a diretoria do Botafogo associativo teria acionado o Banco BTG em uma manobra para tentar encontrar um novo investidor para substituir Textor no controle da SAF.

Essa movimentação ocorre em meio à divulgação de notícias de que operações realizadas pelo empresário teriam drenado US$ 138 milhões do Botafogo para outras equipes.