O Banco Inter tem aproveitado o universo esportivo para avançar no mercado norte-americano. A instituição financeira brasileira, que em janeiro recebeu aprovação para ter uma agência na Flórida, utiliza a presença no futebol para se aproximar de brasileiros que moram nos Estados Unidos.
Ainda que a aprovação para atuar como banco estrangeiro nos EUA tenha sido conquistada recentemente, o Banco Inter está no futebol do país há mais de dois anos. A companhia é dona dos naming rights do estádio do Orlando City, que disputa a MLS.
Em 2025, mais de 750 mil pessoas passaram pelo Inter&Co Stadium. O local também recebe partidas do Orlando Pride, equipe da NWSL que conta com Marta no elenco, e terá duelos de futebol americano ao longo do ano.
“É uma propriedade muito bacana que acaba servindo a população local, os brasileiros que moram na Flórida, nos Estados Unidos. A gente tem mais de 75 milhões de pessoas que vão para Orlando todos os anos”, exaltou Kaio Philipe, diretor de marketing do Banco Inter nos Estados Unidos, em entrevista à Máquina do Esporte.
“No nosso caso, recebemos milhares de clientes ano passado que ganham desconto ou ingresso gratuito. Temos mais de 300.000 clientes nos Estados Unidos, são mais de 5,3 milhões de contas globais”, seguiu.
Na estratégia do Banco Inter, o investimento no Inter&Co Stadium vai além da exposição de marca. A instituição transformou a propriedade física em um ativo digital, utilizando a visibilidade da arena para alavancar o tráfego de busca e otimizar a presença em ferramentas de inteligência artificial nos Estados Unidos.
“Com a evolução da tecnologia e das comunidades você acaba tendo mais maneiras de mensurar e de ter benefícios através daquele naming rights. Você coloca o seu nome ali e traz um ganho de escala”, disse o executivo.
A parceria com o estádio e com as equipes funciona como uma ferramenta para conversão de negócios. O banco utiliza essa vitrine esportiva para promover soluções financeiras específicas para seu público-alvo: brasileiros que moram nos EUA.
“A gente lançou o cartão de crédito chamado Passport Card, que é o cartão para pessoas que querem construir crédito nos Estados Unidos, focando no público imigrante. É um cartão de crédito que dá benefício e ingresso para o estádio”, exemplificou Kaio Philipe.
Foco
Em sua expansão norte-americana, o Banco Inter descartou a abordagem genérica de focar no amplo mercado “latino”. A diretriz da empresa é atuar de forma direcionada, em busca de se consolidar como a principal escolha financeira especificamente para a comunidade brasileira no país.
“A primeira coisa que as pessoas falam, que eu acho que é uma falácia ou um desejo muito ambicioso, é que são muito amplas. Por exemplo, ‘quero focar em latino’. O que significa latino? Você tem 60 milhões de latinos nos Estados Unidos. No nosso caso, somos muito assertivos em saber que o nosso objetivo é o público brasileiro”, avaliou o diretor de marketing do Banco Inter.
Essa clareza de público-alvo determinou a geografia dos investimentos esportivos da marca. A escolha por Orlando atende a uma lógica que segue a busca por impactar os brasileiro imigrantes.
“Eu diria que Orlando é a ‘Chinatown brasileira’, é onde estão os brasileiros, esse é o nosso foco, então é totalmente alinhado com a nossa estratégia”, brincou.
Comunidade
O naming right e a proximidade com os clubes de futebol de Orlando também possibilita que o Banco Inter crie experiências para seus clientes, como forma de ampliar conexões e incentivar o uso de suas funcionalidades.
A estratégia é utilizar o esporte e o entretenimento como ferramentas para gerar afinidade e fidelizar os clientes em torno das experiências compartilhadas.
“Marketing é sobre comunidade, sobre unir as pessoas. O esporte e momentos de entretenimento trazem isso. No final do dia você não está vendendo produto, está criando uma comunidade em que as pessoas têm uma afinidade e por conta daquilo acabam casando com seu produto e usufruindo”, refletiu o executivo.
A adoção do futebol como pilar central dessa comunidade reflete o posicionamento que a marca quer projetar globalmente. O Inter enxerga na modalidade uma plataforma acessível e livre de barreiras, capaz de unificar os mais variados perfis de clientes sob o mesmo guarda-chuva.
“O Inter vê o futebol como democrático: não importa se você é rico, se você é pobre, sua cor, sua religião, sua opção sexual, nada disso importa no esporte, está todo mundo junto por aquela mesma causa. É uma plataforma que conecta pessoas globalmente”, disse.
Ainda que a visibilidade não seja o único objetivo com a presença no futebol norte-americano, o Banco Inter obtém bons frutos nesta área. Segundo o diretor de marketing, a empresa foi a instituição financeira brasileira mais pesquisada nos Estados Unidos em 2025.
“Em dois, três anos, nos tornamos o banco mais buscado, porque fomos para o consumo focado no brasileiro. O estádio traz benefícios, mas obviamente a gente tem as ativações na Flórida como um todo”, ponderou o executivo.
Entre as métricas observadas pelo Banco Inter, também estão número de transações e contas, menções à marca e saúde da marca. Assim, consegue acompanhar o quanto a comunidade local e o seu público-alvo se relaciona consigo a partir do patrocínio.
Futebol nos EUA
O futebol vive aquele que pode ser considerado seu melhor momento da história nos Estados Unidos. O país tem se aproximado cada vez do esporte ao ver a liga nacional, a Major League Soccer (MLS), crescer, enquanto sedia eventos importantes para a modalidade.
A MLS viveu um salto de popularidade nos últimos anos principalmente por conta da chegada de Lionel Messi ao Inter Miami, que impulsionou a ida de diversos outros nomes de peso ao time e à liga. Meses depois do argentino chegar, o país foi sede da Copa do Mundo de Clubes da Fifa.
Nos próximos meses, a popularidade do esporte deverá encontrar novo auge no país presidido por Donald Trump. Ao lado de Canadá e México, os Estados Unidos sediarão a Copa do Mundo 2026.
No ponto de vista do diretor de marketing do Banco Inter, o momento engrandece a presença da companhia no esporte, que vê as modalidades masculina e feminina, que também vive bom momento, atingindo diferentes públicos.
“O futebol está vivendo um momento muito bom, tanto o feminino quanto o masculino. O feminino está vivendo um momento maravilhoso, a avaliação dos times femininos está crescendo bastante”, exaltou.
“Ouso dizer que o feminino tem uma coisa até mais cultural que o masculino para as novas gerações, têm uma conexão muito maior, enquanto o masculino tem uma conexão muito grande com os hispânicos e com os latinos”, acrescentou.
Copa do Mundo de 2026
Neste cenário, o Banco Inter não planeja passar em branco na Copa do Mundo. Ainda que não possa realizar qualquer ativação que use diretamente a marca do Mundial, já que não está entre os patrocinadores, a instituição realizará eventos para surfar na onda do torneio.
“Patrocinamos um parque em Miami, o Underline. Temos um palco e um telão gigante lá, vamos passar jogos da Copa do Mundo para as pessoas assistirem de graça”, adiantou Kaio Philipe.
“Vai ter um ‘fanfest’ em todos os jogos e também no nosso estádio. Não patrocinamos a Copa, mas estamos oferecendo ativações para o cliente da ‘conta global’ e para o cliente dos Estados Unidos e da Argentina usufruírem dos benefícios do Inter na Copa”, completou.
A presença do Banco Inter em Miami também se dá através do oferecimento de bicicletas, que podem ser alugadas em quiosques da companhia e oferecem descontos para clientes.
Próximos passos
Com o crescimento das contas globais, o Banco Inter planeja fortalecer sua plataforma de benefícios. A meta é continuar capitalizando sobre seus ativos esportivos para entregar vantagens que evoluam o banco na liderança de preferência do seu nicho.
Para sustentar esse engajamento no futuro, o banco prevê a diversificação das modalidades apoiadas. Acompanhando o comportamento e o estilo de vida de seus clientes na Flórida, o Inter já estrutura frentes de atuação além do futebol.
“A gente está sempre olhando tudo, não dá para dizer que é só o futebol. Estamos querendo fazer uma corrida também em Miami, uma meia maratona para dar para os nossos clientes, pois tem muito brasileiro que viaja para Miami para correr”, concluiu o diretor de marketing do Banco Inter.
