Um estudo da BDO afirma que 70% dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro não atendem às exigências do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), implementado pela CBF em janeiro deste ano.
“Não se trata apenas de uma adequação financeira, mas cultural. Vemos que, mesmo nas SAFs, a pressão por resultados e a paixão dos dirigentes deixa a saúde financeira em segundo plano”, analisa Carlos Aragaki, sócio líder da área Esporte Total da BDO.
O levantamento, baseado nos balanços de 2024, indica que a maioria das agremiações apresenta dívidas de curto prazo superiores às receitas, descumprindo um dos principais pilares da nova regulamentação.
Regras
O SSF, também chamado de Fair Play Financeiro, limita os gastos com folhas salariais a um percentual da receita bruta anual e exige equilíbrio nas contas.
A fiscalização será feita pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), criada pela CBF para monitorar salários, direitos de imagem, tributos e pagamentos a clubes.
“À primeira vista, as regras brasileiras podem não parecer tão rígidas como as de outros países, mas elas foram elaboradas para serem endurecidas ao longo do tempo, permitindo assim que essa mudança de cultura também aconteça”, afirma Aragaki.
Segundo o estudo, Flamengo e Grêmio seriam os únicos a cumprir os três pilares do sistema: sustentabilidade, controle de custos e endividamento de curto prazo. O Tricolor Gaúcho, porém, passa por dificuldades financeiras desde então. O Imortal fechou 2025 com dívida líquida de R$ 671 milhões (aumento de quase 28% em um ano).
Palmeiras, Red Bull Bragantino, Mirassol e Athletico-PR atenderiam a dois critérios das regras. Já 40% dos clubes não cumpririam critérios de sustentabilidade e 35% teriam custos de elenco acima de 70% das receitas.
Sanções
O descumprimento das normas pode gerar punições como advertência pública, transfer ban e até exclusão de competições.
“É importante ressaltar que as regras de solvência já causarão punições automáticas a partir de janeiro de 2026. O monitoramento não será fácil pois dependerá de declarações formais dos clubes, embora sua omissão seja considerada falta grave”, comenta Aragaki.
A BDO destacou restrições na análise devido à falta de detalhamento em balanços e notas explicativas. Alguns clubes não segregam despesas e receitas, dificultando a avaliação precisa.
Apesar disso, o estudo reforça que o desafio para adequação ao SSF é significativo e exigirá mudanças estruturais na gestão financeira dos clubes.
