Nos últimos tempos, poucos temas ganharam tanto destaque no futebol brasileiro quanto o fair play financeiro.
De todos os dirigentes do país, Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá, é sem dúvida quem mais abraçou essa bandeira, sobretudo após a temporada de 2024 da Série A do Brasileirão, quando o clube mato-grossense acabou sendo rebaixado, em meio a um calote milionário sofrido do Corinthians, na transferência do volante Raniele.
Na última semana, Dresch concedeu entrevista à Máquina do Esporte e comentou sobre esse caso e também a respeito das novas regras de fair play financeiro que estão em vigor no futebol brasileiro.
O cartola disse estar esperançoso em relação ao trabalho desenvolvido pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), sobretudo por conta da possibilidade de punição para times que desrespeitam as normas de fair play financeiro.
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Ele prevê uma temporada complicada para diversas equipes em 2027. “Acredito que vamos ter um ano turbulento. Porque muitos clubes estarão proibidos de contratar atletas. Já temos quatro times da Série A com obrigações a serem resolvidas em 40 dias, senão vão levar transfer ban. Temos vários times da Série A com transfer bans ativos. Vai haver uma reflexão muito grande sobre o modelo adotado no futebol brasileiro, que é totalmente inviável”, ponderou.
Corinthians
Dresch também falou a respeito da dívida do Corinthians com o Cuiabá. De acordo com ele, o caso serviu como uma espécie de paradigma na construção das regras de fair play financeiro no Brasil.
“Em 2024 ficou bem claro o que o Corinthians fez. Ele tinha um time no primeiro semestre. Inclusive empatamos com eles na [Neo Química] Arena, daria para a termos ganhado. E aí, na segunda parte do campeonato, vieram jogar aqui com um time totalmente modificado”, recordou-se Dresch.
Ao mesmo tempo em que deixou de pagar o Cuiabá pela contratação de Raniele, o Timão trouxe diversos nomes de peso para seu elenco, incluindo o holandês Memphis Depay, conseguindo escapar da zona de rebaixamento à Série B.
“Isso deu uma vantagem competitiva gigante para o Corinthians. Por isso, na época eu disse que Corinthians estava dando um golpe no futebol brasileiro. Eu acho que causou muitas reflexões, porque esse exemplo é usado até hoje. O Cuiabá acabou sendo rebaixado, sem o jogador [Raniele] e sem o dinheiro. O exemplo do Cuiabá foi usado para tirar o fair play financeiro do discurso”, avaliou.
