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Cade permite que CSA deixe FFU e pode gerar efeito manada

Superintendente do órgão assinou medida preventiva que impede Sports Media de criar obstáculos à saída de clubes do Condomínio Forte União

Estádio Rei Pelé, em Maceió (AL), é a casa do CSA e do CRB - Reprodução / Instagram (@csaoficial)

⚡ Máquina Fast
  • Cade impede Sports Media de dificultar saída de clubes do Futebol Forte União, atendendo pedido do CSA.
  • Decisão visa preservar a mobilidade dos clubes entre blocos concorrentes e manter a competição no mercado.
  • Medida não extingue obrigações financeiras dos clubes com a investidora, mas pode gerar efeito manada na migração para outros arranjos.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Em um de seus últimos atos como superintendente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Alexandre Barreto de Souza assinou uma medida preventiva que impede a investidora Sports Media Participações S.A. de criar obstáculos para que eventualmente desejarem deixar o Futebol Forte União (FFU).

A decisão atendeu a um pedido do CSA, de Alagoas, um dos times que se rebelaram recentemente contra o bloco comercial, alegando ingerência da investidora na gestão do grupo de clubes e questionando regulamentos internos do Condomínio Forte União.

Na representação ao Cade, o clube alagoano alega que “cláusulas previstas nos instrumentos que regem a FFU e o Condomínio Forte União criariam obstáculos à saída dos clubes associados, restringindo sua capacidade de migração para outros arranjos associativos existentes ou futuros, em especial para a Liga do Futebol Brasileiro (Libra)”.

Em seu relatório, publicado nesta sexta-feira (26), Barreto diz considerar que os clubes constituem elemento essencial para a viabilidade econômica e competitiva das ligas, razão pela qual, em seu entender, a possibilidade de migração entre blocos concorrentes representa aspecto relevante para a preservação da contestabilidade desse ambiente.

“A criação de mecanismos destinados a impedir ou dificultar artificialmente essa mobilidade pode, em tese, reduzir a capacidade competitiva das estruturas rivais e limitar a concorrência entre os próprios arranjos associativos”, afirma o documento.

A medida preventiva assinada por Barreto, que impede a Sports Media de criar obstáculos à saída de clubes do FFU, será válida até que o Cade analise em definitivo o mérito da representação do CSA.

Obrigações patrimoniais

O superintendente lembra, porém, que o desligamento do Condomínio não se confunde com a extinção das obrigações patrimoniais assumidas por um clube.

“Eventuais obrigações patrimoniais e financeiras decorrentes dos instrumentos celebrados entre as partes permanecem sujeitas aos mecanismos próprios de exigibilidade e discussão previstos no ordenamento jurídico”, diz o despacho.

Atualmente, quase todos os clubes que integram o FFU negociaram percentuais de seus direitos comerciais e de mídia com a Sports Media, mediante o pagamento de um adiantamento feito pela investidora. Esse vínculo tem 50 anos de duração.

A decisão do Cade, embora não dê fim a esse acordo com clubes com a investidora, abre caminho para que CSA e outras equipes descontentes com os rumos do bloco possam deixar o condomínio e migrar para o Libra ou até mesmo ficarem sem um grupo definido, o que pode gerar uma espécie de “efeito manada”.

Vale lembrar que, desde o início do ano, o FFU vem apresentando rachas por conta da tentativa da investidora e da direção do bloco de atraírem o Grêmio, antes de negociarem essa possibilidade com os demais membros. O temor dos demais clubes é que a entrada do time gaúcho pudesse resultar em diluição nas receitas do Condomínio.

Outro fator que desagradou uma parte dos clubes (no caso, os que disputam a Série B do Brasileirão) foi a negociação dos direitos audiovisuais efetuada pela agência LiveMode, que, inicialmente, garantiu aos times do Forte União valores inferiores aos que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) se dispôs a pagar neste ano aos estreantes São Bernardo e Náutico (R$ 14,9 milhões para cada).

Para acalmar o descontentamento, o FFU precisou aceitar igualar os valores mínimos garantidos aos seus membros que disputam a segunda divisão.

LEIA MAIS: FFU diz que igualará verba de Náutico e São Bernardo para os outros times da Série B do Brasileirão

O FFU e a Sports Media foram procurados, mas, até o momento, não se posicionaram a respeito da decisão do Cade.