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Clubes aprovam dias e horários fixos para jogos do Brasileirão e redução gradual de estrangeiros nos elencos

Série A concentrará partidas no domingo à tarde e na rodada da "Super Quarta", enquanto Série B terá mais confrontos aos sábados

Representantes aprovaram medidas que serão válidas para as próximas temporadas - Thiago Ribeiro / Staff Images / CBF

⚡ Máquina Fast
  • CBF aprova padronização de horários para jogos das Séries A e B do Brasileirão a partir das próximas temporadas para aumentar presença de público e valorizar o produto.
  • Limitação gradual da inscrição de jogadores estrangeiros e aumento da obrigatoriedade de atletas sub-23 visam rejuvenescimento dos elencos e melhora na qualidade do futebol nacional.
  • Mudanças nas regras são parte do processo de criação de uma liga unificada e buscam otimizar receita e estrutura do campeonato com mais organização e valorização das categorias de base.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Em reunião realizada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nesta segunda-feira (21), no Rio de Janeiro (RJ), representantes dos 40 clubes das Séries A e B do Brasileirão aprovaram mudanças nas regras da competição, que serão válidas a partir das próximas temporadas.

A alterações são parte de um movimento iniciado pela entidade, atendendo a pedidos das direções da Liga do Futebol Brasileiro (Libra) e do Futebol Forte União (FFU), para que ela liderasse o processo de discussão para a criação de uma liga unificada no país.

Essa foi a quarta reunião promovida pela CBF com esse objetivo. As mudanças aprovadas pelos clubes no encontro desta semana são parte da tentativa de valorizar o Brasileirão enquanto produto, o que poderia favorecer as negociações para o próximo ciclo de direitos, a ser iniciado em 2030.

Só depois de implantadas as alterações estruturais é que clubes, CBF e demais organizações envolvidas nas conversas passariam a debater o modelo de comercialização das propriedades e de divisão das receitas, tema que tem ocasionado muita disputa dentro dos dois blocos hoje existentes.

Uma das principais mudanças que entrarão em vigor no Brasileirão, a partir das próximas temporadas, é a padronização nos dias e horários dos jogos nas Séries A e B.

Conforme noticiou a Máquina do Esporte, esse tema já havia sido abordado na reunião realizada entre a CBF e os clubes, em maio deste ano.

LEIA MAIS: Liga unificada: CBF propõe padronizar horários de jogos do Brasileirão para ampliar público nos estádios

Diferentemente das grandes ligas europeias, como Premier League, Bundesliga e LaLiga, o Brasileirão não conta atualmente com horários específicos para jogos.

De acordo com um levantamento realizado pela CBF, a Série A apresentou 55 diferentes combinações de horários nas temporadas recentes, enquanto na B, o total chegou a 81, o que acabou ocasionando sobreposição entre as duas divisões.

Fragmentação dos direitos

A ausência de horários específicos para jogos nas Séries A e B tem a ver com as negociações feitas pelos blocos comerciais (Libra e FFU) com grupos de mídia, que resultaram na fragmentação dos direitos relativos às duas competições.

Nesse cenário, os jogos passaram a ser marcados para dias e horários que atendem aos interesses dos detentores desses direitos, permitindo que eles exibam esses conteúdos com exclusividade.

O estudo feito pela CBF constatou que algumas das opções de dias e horários disponíveis nessa tabela, embora possam ser vantajosas para as empresas de mídia, ajudam a afastar o torcedor do estádio.

Nos dias de semana, por exemplo, as partidas iniciadas às 19h ou às 21h30 apresentaram médias de público piores do que nos jogos que começaram às 19h30 ou às 20h.

Aos sábados, os jogos com maior presença de torcida são os iniciados até as 17h, embora as partidas realizadas mais tarde não enfrentem uma queda tão expressiva de público.

Já aos domingos, à medida em que as horas passam após às 17h, a tendência é o público minguar nos estádios.

Na avaliação da CBF, a grade atualmente em vigor nas Séries A e B não leva em consideração a presença dos torcedores nos estádios.

Ao padronizar os horários das partidas do Brasileirão, a entidade espera incrementar as receitas dos clubes com ingressos e também a venda de produtos e experiências, além de aprimorar o Brasileirão como produto inclusive nas transmissões televisivas, que ficariam mais valorizadas graças às arquibancadas lotadas durante os jogos.

Como ficará a grade

Formalmente, a CBF é quem detém a palavra final para definir os horários dos jogos em cada rodada do campeonato.

Com as mudanças aprovadas por unanimidade, serão eliminadas as janelas consideradas mais prejudicais à presença de público nos estádios, como os jogos no domingo à noite ou iniciados a partir das 19h em dias de semana.

Na Série A, o horário das 16h aos domingos passará a ser considerado a principal âncora semanal, com a maioria dos jogos, enquanto as quartas-feiras concentrarão seis partidas, na rodada que será conhecida como “Super Quarta”.

Na Série B, o sábado se torna o principal dia da rodada, com três jogos às 18h como âncora e quatro janelas exclusivas em relação à Série A. No meio de semana, a competição fica concentrada em dois horários fixos, às 19h30 e às 21h, entre terça e quinta-feira.

“Nossa proposta foi de trazer uma grade fixa de horários para depois debater com os detentores que compraram o Campeonato Brasileiro, tanto da Série A quanto da Série B, para a gente ter de fato um horário padrão do futebol brasileiro”, disse o diretor-executivo da CBF, Helder Melillo.

Limitação à presença de estrangeiros

Outra mudança aprovada pelos clubes foi a limitação gradativa às inscrições de jogadores estrangeiros nas equipes que disputam o Brasileirão.

A redução passaria a valer a partir de 2027, com o teto caindo dos atuais nove inscritos para oito. Na temporada seguinte, o total permitido iria para sete. Em 2029, o limite ficaria em seis, indo na sequência para cinco, em 2030.

Apenas Flamengo e Bahia se posicionaram contra a redução do teto de estrangeiros no Brasileirão. O presidente do clube rubro-negro, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, argumentou que o limite de 12 jogos hoje em vigor, para que um atleta possa trocar de equipe dentro do país, cria empecilhos para times que desejam reforçar seus elencos e não mais poderão recorrer a nomes de outras nacionalidades.

Bap defendeu que fosse votada também a flexibilização da regra, medida que, no fim das contas, acabaria por beneficiar clubes mais ricos, que teriam condições de buscar opções de reforços no próprio mercado nacional. A CBF, porém, optou por não colocar essa discussão do limite de jogos em pauta.

Mais espaço para os jovens da base

A redução no limite de estrangeiros foi acompanhada da aprovação do aumento progressivo na proporção de jogadores jovens inscritos pelos clubes no Brasileirão.

Do total de 50 atletas que um clube poderá inscrever no máximo, na temporada 2027, 30 poderão ter acima de 23 anos, enquanto os 20 restantes deverão estar abaixo dessa faixa etária.

A partir de 2030, as equipes deverão ter pelo menos metade de seus elencos formados por jogadores sub-23.

A mudança é justificada por um diagnóstico feito pela CBF, segundo o qual, entre os principais campeonatos de futebol do planeta, o Brasileirão é aquele com maior média de idade dos atletas, que passou de 27,3 anos em 2021 para 28,5 em 2026.

Isso impacta diretamente a qualidade do jogo, por conta dos indicadores físicos. O estudo da entidade constatou que que o Brasileirão registra menor volume de corridas em alta velocidade (entre 20 e 25 km/h) e de sprints (acima de 25 km/h) na comparação com as principais ligas europeias.

A análise aponta ainda que jogadores entre 18 e 24 anos apresentam desempenho superior nessas métricas de intensidade, justamente a faixa etária que vem perdendo participação no futebol brasileiro.

Em 2026, atletas sub-23 registraram 13,8% dos minutos disputados na Série A do Brasileirão, percentual inferior ao registrado na Ligue 1 (38%), Premier League (32%), LaLiga (31%), Bundesliga (28%) e Serie A (28%).

Entre 2020 e 2026, a participação de estrangeiros com mais de 23 anos cresceu 3,2 vezes, passando de 7,8% para 25% dos minutos totais do campeonato. No mesmo período, a minutagem dos brasileiros sub-23 caiu de 28,3% para 11,5%.

Somados brasileiros e estrangeiros, os atletas sub-23 ocupam atualmente 13,8% dos minutos no país, enquanto nas principais ligas europeias analisadas o índice varia entre 28% e 38%.

Questão econômica

A evolução observada nos dois percentuais coincide com a ampliação gradual do limite de estrangeiros no Brasileirão.

Em 2013, era permitido que três estrangeiros fossem relacionados por partida nas competições nacionais. O número aumentou para cinco em 2014, patamar em que se manteve até 2022. A partir de 2023, o total saltou para sete em 2023 e chegou a nove em 2024, patamar mantido atualmente.

Nesse período, cresceu também a presença efetiva desses atletas nos jogos. Na Série A, 95 estrangeiros entraram em campo em 2022.

Em 2025, foram 162 e, em 2026, 146 já haviam sido utilizados até o momento do levantamento, com outros 13 inscritos e ainda em condições de estrear.

Na avaliação dos autores do estudo, os números colocam no centro do debate o equilíbrio entre a contratação de atletas mais experientes (brasileiros ou estrangeiros) e a abertura de espaço para jogadores formados nas categorias de base.

A questão tem também impacto econômico, já que, entre 2016 e 2025, atletas de até 20 anos responderam por 50,1% das receitas brasileiras com transferências para o exterior ocorridas no período, muito acima das receitas dos pares europeus na mesma faixa etária.

Para a CBF, a falta de oportunidades para esses jogadores jovens impacta a própria capacidade dos clubes de formar, desenvolver e negociar novos talentos.