A recondução de Reinaldo Carneiro Bastos à presidência da Federação Paulista de Futebol (FPF), que era dada como certa até o início desta semana, converteu-se em um cenário repleto de incertezas.
Uma decisão proferida pela desembargadora Débora Vanessa Caús Brandão, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), suspendeu a eleição, que ocorreria nesta quarta-feira (25). As informações são da coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.
Reinaldo seria candidato único, após conseguir reunir assinaturas de 63 dos 64 clubes que disputam alguma das quatro principais divisões do futebol paulista.
Ocorre que o colégio eleitoral da FPF não conta apenas com clubes profissionais, mas engloba também Ligas de Futebol Amador, que organizam campeonatos de várzea ao redor do estado.
Uma delas, a Liga Mauaense de Futebol, ingressou com ação questionando a última reforma de estatuto da FPF, promovida por Reinaldo e que ampliou as possibilidades de reeleição para os mandatários da entidade.
A Liga Mauaense, com sede na Grande São Paulo, alega que a mudança estatutária da FPF não teria sido decidida de fato numa Assembleia Geral, apesar de existir ata registrada em data posterior. A entidade também acusa o comando da Federação de haver ocultado dos filiados essa mudança nas regras.
Na decisão que suspendeu a eleição, a desembargadora disse que a realização da eleição representaria um “risco institucional concreto”, por conta da polêmica envolvendo a mudança no Estatuto. A FPF afirmou que pretende recorrer da decisão.
Vale lembrar que, começo deste mês, Reinaldo tornou-se alvo de um inquérito conduzido pela Polícia Civil, a pedido do Ministério Público, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro.
Como funciona a eleição na FPF
O Estatuto da FPF prevê que a escolha do presidente ocorre na Assembleia Geral, na qual todos os filiados regulares têm direito a voto, mas com pesos variando da seguinte forma: 6 para clubes da Série A1; 4 para os da A2; 3 para os da A3; 2 para os da A4; e 1 para os times Segunda Divisão, as ligas amadoras e para o representante dos atletas profissionais.
Para que a inscrição de uma chapa seja aceita, são necessários os apoios formais de pelo menos 13 entidades filiadas à FPF, das quais 11 precisam disputar a chamada Primeira Divisão do Paulistão (todas as Séries que levam A no nome).
A norma ainda exige um mínimo de cinco assinaturas de times da A1, três da A2, duas da A3, além de uma da A4, uma das ligas amadora e uma da Segunda Divisão, para que a inscrição seja válida.
E o detalhe é que uma mesma entidade não pode subscrever mais do que um documento de apoio numa mesma eleição.
Ao fechar com 63 times das quatro principais divisões do estado, Reinaldo inviabilizou a candidatura do concorrente Wilson Marqueti Jr., em um movimento similar ao que derrubou sua tentativa se disputar a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no ano passado.
À época, Reinaldo obteve apoio de 32 dos 40 clubes das Séries A e B do Brasileirão. Enquanto isso, o concorrente Samir Xaud fechou com a quase totalidade das federações estaduais, restando para o cartola paulista os endossos de apenas duas entidades, a que ele próprio comanda e a do Mato Grosso.
O Estatuto da CBF prevê que, para uma candidatura ser aceita, precisa reunir apoios de ao menos oito federações e cinco clubes das Séries A ou B. Por conta dessa regra, o voo eleitoral de Reinaldo acabou fracassando antes mesmo de começar, e Samir chegou à presidência na condição de candidato único.
Se conseguir derrubar a decisão judicial e disputar a eleição como candidato único, Reinaldo comandará a FPF de 2027 a 2030.
Ele iniciou sua trajetória como dirigente no Taubaté, clube do qual se tornou presidente em 1984. No fim daquela década, passou a atuar na FPF, ocupando diferentes cargos, até chegar à vice-presidência, em 1996.
Em 2015, após a vitória do então presidente da entidade Marco Polo Del Nero na disputa pelo comando da CBF, Reinaldo foi alçado ao cargo máximo no futebol paulista. Atualmente, ele cumpre o terceiro mandato consecutivo à frente da FPF.
