Algumas ligas europeias se movimentaram nos últimos meses para realizar partidas fora de seus países-sede, mas esbarraram em dificuldades de regulação, com clubes e jogadores questionando a validade esportiva das iniciativas, além de obstáculos impostos por entidades. O cenário polêmico poderá se resolver a partir de uma proposta preliminar da Fifa.
De acordo com o veículo norte-americano The Athletic, a entidade máxima do futebol tem desenvolvido uma série de regulamentos sobre a aprovação de jogos e competições que poderão substituir as diretrizes atuais, em vigor desde 2014.
A proposta preliminar inclui a permissão que ligas realizem uma partida internacional por temporada. Em contrapartida, as federações que sediarem esses eventos terão um teto estabelecido de cinco recebimentos anuais.
Processo
A transferência de sede dependerá de um processo burocrático com prazo mínimo de seis meses de antecedência. Para que a bola role em outro país, a liga precisará obter a autorização de sua respectiva federação e confederação, além de garantir a anuência das entidades equivalentes na nação anfitriã. O aval definitivo caberá exclusivamente à Fifa.
O texto também estabelece contrapartidas operacionais e financeiras para os envolvidos. Os pedidos de transferência precisarão incluir um planejamento detalhado sobre a distribuição das receitas arrecadadas entre os clubes participantes, as equipes rivais do campeonato de origem e a nação que receberá o evento.
Existem, ainda, exigências de medidas para proteger a saúde física dos atletas diante das viagens longas e a obrigação de apresentar esquemas de compensação financeira ou auxílio de transporte para os torcedores prejudicados pela perda do mando de campo.
Caso uma organização europeia leve um evento para o mercado norte-americano, por exemplo, ela será obrigada a conceder uma oportunidade equivalente para que a liga daquele país organize uma partida no continente europeu. Eventos de abertura de temporada, como as Supercopas, estão isentos dessa restrição de volume.
Tendência
A realização de partidas internacionais tem sido uma tendência de interesse para grandes ligas do futebol. LaLiga (Espanha) e Serie A (Itália) foram as competições que chegaram mais perto de concretizar a estratégia recentemente.
Em outubro do ano passado, a LaLiga cancelou a realização da partida entre Barcelona e Villarreal em Miami, nos Estados Unidos. O jogo, que aconteceria em dezembro, incomodou clubes, jogadores e torcedores envolvidos, que se sentiram prejudicados pela necessidade de cruzar o oceano para um jogo regular.
A Serie A, por sua vez, planejou um confronto entre Milan e Como em Perth, na Austrália. Os planos foram cancelados em dezembro, após a liga alegar “riscos financeiros” e exigências “altamente questionáveis” por parte da Confederação Asiática de Futebol (AFC, na sigla em inglês).
Com jogos exportados, as ligas buscam internacionalização e ampliação do impacto em mercados estratégicos, como é o caso da LaLiga com os Estados Unidos.
Neste cenário, a criação do novo modelo pela Fifa visa a implementar mecanismos de controle para organizar as demandas comerciais e evitar o avanço desenfreado dos mercados esportivos sobre novos territórios.
