O Ministério do Esporte foi rápido e decidiu convocar uma reunião em esquema de urgência para tratar das consequências para o futebol brasileiro da Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que entrou em vigor na última sexta-feira (25), pela qual as apostas esportivas voltam a ser ilegais no Brasil.
A reunião ocorrerá em Brasília (DF), no gabinete do ministro do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro, nesta terça-feira (29), às 15h.
No documento assinado pelo ministro e ao qual a Máquina do Esporte teve acesso, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) é solicitada a comparecer e promover convites a todos os clubes participantes das Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro, bem como às Federações Estaduais de Futebol.
De acordo com o documento, “o encontro terá como tema central o fortalecimento dos clubes e do futebol brasileiro, buscando promover o diálogo institucional e a construção conjunta de iniciativas voltadas ao desenvolvimento e ao fortalecimento do futebol nacional em suas diferentes dimensões”.
No texto, o Ministério do Esporte ainda se colocou “à disposição para o diálogo e para a construção conjunta de medidas que contribuam para o fortalecimento do futebol brasileiro”.
Situação atual
Atualmente, apenas na Série A do Campeonato Brasileiro, 13 dos 20 clubes possuem patrocínios másteres de marcas de apostas, com os repasses do setor devendo chegar a R$ 1,1 bilhão nesta temporada. Ainda assim, de acordo com um levantamento do jornal O Globo, esses contratos correspondem, em média, a 7% das receitas das equipes da elite nacional.
Por outro lado, segundo um levantamento do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), baseado em transferências via pix, as bets movimentaram cerca de R$ 351 bilhões entre outubro de 2024 e março de 2026. No mesmo período, as famílias brasileiras tiveram uma perda líquida (diferença entre o que foi apostado e o que retornou em prêmios) de R$ 62,5 bilhões
De acordo com informações do GE, clubes das Séries A e B do Brasileirão já vinham mantendo conversas com o Governo Federal bem antes da assinatura da MP, a fim de encontrarem uma solução para a perda repentina das receitas dos patrocínios de apostas.
As conversas foram articuladas pela CBF, que, porém, não se coloca como fiadora da iniciativa.
A principal alternativa surgida até o momento seria a criação de uma linha de crédito subsidiada do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com juros mais baixos que os de mercado, para ajudar os clubes a pagarem dívidas não tributárias.
Também vem sendo debatida a possibilidade de liberação de recursos para infraestrutura, destinados aos times menos endividados.
A tendência, no entanto, é que o socorro envolvendo o BNDES só seja concretizado após o segundo turno da eleição, que está previsto para ocorrer em 25 de outubro.
