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Presidente da Anresf defende ajuste estrutural para que custos dos clubes caibam em suas receitas

Em entrevista à Máquina do Esporte, Caio Resende revelou que alguns times do país hoje gastam 150% do que arrecadam

Caio Resende é o presidente da Anresf - Reprodução / Máquina do Esporte

⚡ Máquina Fast
  • Fair Play Financeiro visa promover mudança estrutural na gestão dos clubes de futebol no Brasil.
  • Muitos clubes gastam mais do que arrecadam, chegando a 150% das receitas, o que é insustentável.
  • A norma obriga cumprir obrigações financeiras e deve reduzir gastos com contratações e folha de pagamento.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Desde que as regras de Fair Play Financeiro entraram em vigor no país, muito tem sido falado a respeito das punições que podem vir a ser aplicadas a clubes que deixam de honrar com pagamentos nas transferências de atletas.

Essas normas, porém, possuem um objetivo muito mais amplo do que impor transfer ban ou sanções ainda mais severas as times inadimplentes.

Para o presidente da Agência Nacional de Regulação de Sustentabilidade do Futebol (Anresf), Caio Resende, o cumprimento das regras de Fair Play Financeiro será fundamental para que ocorra uma mudança estrutural na forma como o esporte mais popular do país é gerido.

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“A realidade de boa parte dos clubes é de uma estrutura de custos que não é condizente com a sua estrutura de receitas. Então, vai ter que baixar essa estrutura de custos. E o instrumento pelo qual a gente imagina que essa mudança ocorrerá é com o Fair Play Financeiro”, disse, em entrevista à Máquina do Esporte.

O executivo considera que as novas normas, que entraram em vigor no país neste ano, serão fundamentais para a transformação desse cenário.

“O que é o fair play financeiro de que tanto se diz? É a ideia de que, se você acorda uma obrigação, tem que cumprir, seja com outro clube, seja com atleta, seja com o poder público, que é um contrato social de pagamento de impostos. Então, você tem que cumprir esse contrato, senão você vai ser punido. E você não pode gastar mais para ser arrecada”, explicou Resende.

De acordo com ele, a análise dos resultados financeiros dos clubes nas últimas três temporadas mostra que boa parte deles gasta mais do que arrecada (em alguns casos, os custos chegam a 150% das receitas).

“Tem clube que fatura R$ 100 milhões e está gastando R$ 150 milhões. Fatura R$ 50 milhões e está gastando R$ 75 milhões ou R$ 80 milhões. Evidentemente, isso não é sustentável”, afirmou.

Times se acostumaram a gastar demais

Na visão de Resende, o futebol brasileiro acostumou-se a ter uma estrutura de despesas que é muito acima das receitas, situação que foi agravada com ganhos extras ocorridos nos últimos anos, como a venda antecipada de percentuais dos direitos comerciais e de mídia ou contratos milionários de patrocínios com as bets (que hoje estão proibidas de operar no mercado).

“Você vendeu os 50 anos de direito e consumiu em dois anos. Obviamente, essa fonte seca. Hoje, boa parte dos clubes tem uma estrutura de despesas muito mais alta que as receitas, financiada por meio de novas dívidas. Com isso, o custo da dívida está subindo muito, porque os emprestadores, bancos e outras instituições olham para o perfil do clube e falam: ‘Cara, tem uma boa chance de eu não receber meu dinheiro de volta, então vou cobrar taxa de juros muito alta'”, afirmou Resende.

Para ele, a mudança estrutural nas finanças do futebol brasileiro deverá resultar na redução nos gastos com contratações e folha de pagamento.

“Obviamente, estou sendo generalista, pois há clubes que têm uma estrutura de despesas que cabe direitinho na estrutura de receitas. Para esses não vai ser necessário nenhum ajuste. Mas você tem, sim, um perfil de clubes que têm gastado muito mais do que arrecada e que, para eles, vai ser necessário algum tipo de ajuste”, concluiu.

Assista à entrevista do presidente da Anresf, Caio Resende, disponível no canal da Máquina do Esporte no YouTube: