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Procuradoria-Geral da República mira fundo usado por dono do Banco Master para investir no Atlético-MG

Órgão apura suspeitas de que fundo, que injetou R$ 300 milhões na SAF atleticana, pode ter sido usado para desviar recursos da instituição financeira

Torcedores do Atlético-MG lotam a Arena MRV, em Belo Horizonte (MG) - Paulo Henrique França / Atlético-MG

Um dos fundos utilizados por Daniel Vorcaro para investir na Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Atlético-MG é citado em um relatório da Procuradoria-Geral da República como suspeito de ter relação com os desvios praticados no Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central, no fim do ano passado, em meio ao escândalo envolvendo o possível uso de créditos falsos ou inexistentes pela instituição.

Segundo informações do portal Metrópoles, o fundo Astralo teria movimentado, juntamente do Reag Growth 95, R$ 1,45 bilhão no Banco Master, entre abril e maio de 2024, em operações cujos beneficiários seriam familiares de João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, que foi alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal no ano passado.

O fundo Astralo era dono de 100% das ações do Galo Forte FIP, que garantiu a compra da participação na Galo Holding (uma das sócias da SAF), em um investimento de R$ 300 milhões.

O Astralo permaneceu à frente desse investimento até novembro de 2024. No mês seguinte, 80% do capital desse fundo foi repassado a Daniel Vorcaro, com os 20% permanecendo sob controle do fundo.

A PGR questiona quem seria o real controlador desses fundos, sobretudo porque desde 2023 o banqueiro já era apontado como um dos investidores do Atlético-MG. Hoje, Vorcaro – que foi afastado do Conselho de Administração da SAF – detém 20% do capital na sociedade, enquanto 41,8% estão nas mãos da família Menin e 25% pertencem ao clube associativo.

Em nota, Atlético-MG afirmou que não tem relação com a gestão da Galo Forte, de Vorcaro, e lembrou que o empresário não participa das atividades do clube.

“O Atlético ressalta que todos os aportes realizados na SAF seguiram os procedimentos legais, contratuais e de governança aplicáveis, tendo como contraparte a Galo Holding e seus veículos de investimento, sem qualquer envolvimento do clube em decisões ou movimentações de natureza bancária, financeira ou investigativa relacionadas a terceiros”, diz o texto.