Uma articulação liderada pelo Santos busca adiar a aplicação de punições relacionadas à violação das regras de fair play financeiro no país.
As informações foram divulgadas inicialmente por Livia Camillo e Rodrigo Capelo, do UOL, e confirmadas pela Máquina do Esporte. A mobilização conta com participações de outros clubes com dívidas bilionárias, casos de São Paulo, Corinthians e Botafogo.
Fontes ligadas ao Santos alegam que o clube não se opõe ao fair play financeiro, uma vez que inclusive participou das reuniões e ajudou a elaborar e redigir o texto que trata do tema, junto à Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
O objetivo seria, na verdade, adiar as punições relativas às dívidas contraídas pelos clubes antes de janeiro de 2026, data em que passou a valer o Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF) no futebol brasileiro.
Até o dia 30 do mês que vem, quando vigora a janela de transição, tais passivos estão sujeitos apenas a advertência por parte da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf).
A partir dessa data, porém, as dívidas anteriores a janeiro de 2026 poderiam resultar em multas, transfer ban, retenção de receitas, exclusão de competições, perda de pontos e até rebaixamento.
A mobilização liderada pelo Santos pede que a janela de transição seja estendida até novembro de 2028.
Caso não haja consenso entre a maioria dos clubes, autores da solicitação estariam dispostos a aceitar um prazo que se encerrasse em novembro de 2027, para resolverem a questão dos passivos antigos.
Proibição das bets
Um dos principais argumentos utilizados para sustentar o pedido é de que a Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que proibiu as bets de funcionarem e fazerem publicidade no país, teria comprometido as receitas dos clubes, dificultando pagamento dos passivos de anos anteriores.
Outra alegação é de que a janela de transição atualmente em vigor seria curta demais para que os clubes consigam equacionar as dívidas antigas.
Os autores do pedido afirmam que as alterações propostas não afetariam os passivos contraídos a partir de janeiro de 2026, quando entraram em vigor as normas de fair play financeiro.
À Bandnews, o presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, fez duras críticas à articulação pelo adiamento das punições pela violação do fair play financeiro.
“Eu tô vendo muito dirigente usar no dia a dia esse negócio da bet como bengala. Mais uma bengala para clube caloteiro dizer que ‘acabou o dinheiro da bet, agora não vai poder pagar'”, afirmou o dirigente.
O clube mato-grossense, um dos principais defensores da adoção de normas rígidas de fair financeiro no futebol brasileiro, alega ter R$ 45 milhões a receber de outros clubes, referentes a direitos econômicos pela transferência de atletas ocorridas no passado.
