A Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo oficializou a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para a próxima quinta-feira (14), com o objetivo de deliberar sobre a manutenção de Durcesio Mello no cargo de diretor e gestor temporário da companhia.
O encontro ocorre em um período de instabilidade financeira e jurídica para a instituição, que registrou faturamento de R$ 1,4 bilhão em 2025, mas enfrenta grave crise financeira. De acordo com o balanço, as obrigações totais do passivo consolidado somam R$ 2,01 bilhões (aumento de 29,35% sobre o ano anterior).
A convocação atende uma decisão judicial de 28 de abril, que suspendeu os direitos políticos da acionista majoritária, a Eagle Football Holdings Bidco Limited, e de seus representantes na gestão do clube.
Outro capítulo do cenário de crise aconteceu após o afastamento de John Textor da administração direta da SAF por decisão do Tribunal Arbitral da Fundação Getulio Vargas (FGV), especializado em resolver disputas empresariais.
Contexto
A situação financeira da SAF é considerada fragilizada, o que motivou recentes pedidos de reestruturação de passivos. Enquanto os direitos da sócia majoritária estão suspensos, a Justiça manteve integralmente os direitos políticos do clube associativo.
Durcesio Mello, ex-presidente da equipe, foi nomeado pela Justiça como gestor temporário até a realização da assembleia.
A permanência do dirigente na função depende agora da validação dos acionistas. De acordo com o edital de convocação, a nomeação definitiva como gestor temporário está “condicionada ao voto favorável do Botafogo de Futebol e Regatas”. A medida busca garantir a continuidade operacional da empresa durante o imbróglio jurídico entre os sócios.
Assembleia
O edital estabelece que a reunião será realizada de forma exclusivamente digital, com utilização de áudio e vídeo. Em primeira convocação, é necessária a presença de acionistas que representem mais de 90% do capital social votante. Ou seja, como a acionista majoritária está impedida de votar, não deve haver votação na semana que vem, a não ser que ela consiga alguma medida judicial até lá.
Caso não seja atingido o quórum mínimo, uma segunda convocação está agendada para a terça-feira seguinte (19), em que se poderá deliberar com qualquer número de presentes.
