Nos últimos meses, o assunto que tem movimentado os bastidores do mercado de suplementos nutricionais no Brasil é a conclusão da transição no comando da Growth Supplements.
Fundada em 2009 pelos irmãos Fernando e Eduardo Rosa Dasi, na cidade litorânea de Bombinhas (SC), a empresa foi vendida em 2023 para a holding Merama, que controla importantes marcas de comércio eletrônico.
Após a oficialização do negócio, houve um período de transição, no qual os irmãos Fernando e Edu seguiram acompanhando de perto a gestão da empresa. Neste ano, porém, eles deixaram de vez o comando da companhia.
A Growth pode ser considerada uma pioneira no comércio eletrônico, dentro do segmento de suplementos nutricionais. “Muito antes desse ‘boom’ do e-commerce, observado a partir de 2021, com a pandemia da Covid-19, a Growth já atuava com venda direta ao consumidor”, explica Diego Freitas, CEO da empresa.
Ao lado do diretor de marketing Rafael Montalvão, ele concedeu entrevista à Máquina do Esporte e comentou qual será o futuro da Growth, após a mudança completa no comando.

Custo/benefício
A Growth não possui pontos físicos de venda. Seus produtos não são encontrados em farmácias, drogarias ou lojas especializadas em suplementos.
A simplicidade sempre foi uma de suas maiores características. Em vez de potes com designs arrojados, a marca sempre optou pelas embalagens mais triviais possíveis.
O whey protein, por exemplo, vem em sacos plásticos. A diferença é que enquanto concorrentes costumam entregar 800 gramas a um preço mais elevado, a Growth procurou oferecer embalagens de 1 quilo, por valores substancialmente menores.
O segredo da marca sempre esteve em associar suas produtos a uma ideia de relação custo/benefício mais vantajosa.
No início, essa estratégia de marketing era reforçada por resenhas e avaliações em blogs e sites, que convencia o consumidor de que, pagando menos por aquela marca sem grife, ele levaria um produto de qualidade e que traria os efeitos esperados.
Com o avanço do mercado de influenciadores digitais, a partir da expansão de plataformas como Instagram e TikTok, essa abordagem da empresa se intensificaria ainda mais.
Paraíso dos influenciadores
Se você é usuário de rede social, certamente já deve ter se deparado com algum post de influenciador ou criador de conteúdo divulgando cupom de desconto da Growth.
Nos últimos anos, esse tem sido um dos pilares da marca para atingir o grande público, sempre ressaltando a ideia de custo/benefício vantajoso.
Para se ter uma ideia, hoje o esquadrão digital da Growth conta com 3,7 mil influenciadores e criadores de conteúdo digital.
A lista inclui celebridades do meio maromba e fitness como os inseparáveis Renato Cariani e Julio Balestrin, além de nomes como Rodrigo Pantera, Gorgonoid, Tata Estaniecki, Gorila Albino, Alex Luz (Lékão), Will Portela, Laercio Refundini, Júlio Cocielo, Fernando Sardinha, Loira do Sul, entre outros.
Como fica a estratégia?
Duas dúvidas surgiram, em meio à transição que marcou a saída dos fundadores do negócio. A primeira delas era se a Growth seguiria investindo pesado nos influenciadores, ruído que ganhou força com a saída de Léo Stronda da marca. Atualmente, ele é contratado pela Integralmedica.
A outra questão era saber se a empresa seguiria apostando no binômio custo/benefício ou se mudaria a abordagem, priorizando produtos de maior valor agregado e públicos mais elitizados.
De acordo com Freitas, porém, pouca coisa (ou melhor, quase nada) irá mudar na estratégia da Growth.
“Os pilares vencedores serão preservados, para que possamos manter nossa essência”, afirma o executivo.
Custo/benefício e influenciadores são vistos como fortalezas pela companhia, em um setor marcado pela forte concorrência, mas que cresce em níveis exponenciais.
A Growth porém está disposta a arriscar, para além das fórmulas que já deram certo. Depois de passar décadas atuando em seu marketplace próprio, a empresa lançou, recentemente, um loja oficial no Mercado Livre, a primeira dela em um grande e-commerce.
Segundo Freitas, a empresa avalia ingressar em breve em outras plataformas, estratégia que busca inclusive combater o comércio de produtos piratas nesses espaços. Mas os objetivos vão além disso.
“Constatamos que 90% dos consumidores que chegaram até nós pelo Mercado Livre são pessoas que nunca haviam comprado conosco”, diz Freitas.
Fatores como política de frete grátis e logística (o Mercado Livre possui centros de distribuição espalhados em todas regiões do país, agilizando a entrega) ajudam a tornar atrativa a compra pelos grandes e-commerces.
Segundo executivo, a Growth também estuda a possibilidade de investir em lojas físicas, mas a empresa ainda não tem uma posição definida a esse respeito.
Fortalecimento da marca
Segundo Rafael Montalvão, a empresa também pretende atuar no sentido de fortalecer sua marca junto ao público.
Um elemento que contribui para esse esforço é a linha de vestuário da Growth, que tem ganhado adeptos nas academias pelo Brasil afora. “Temos criado novas coleções, que estão sendo bem aceitas pelo público”, diz.
Além disso, a companhia pretende reforçar sua presença em eventos de fisiculturismo. “Acabamos de fechar acordo com o Muscle Contest, que organiza os principais campeonatos do país nessa área”, afirma Montalvão.
Em 2025, a Growth Supplements atingiu um faturamento anual de R$ 2 bilhões. A estimativa é de que o mercado de suplementos para praticantes de atividades físicas movimente R$ 10 bilhões no país.
Se a esse valor forem somados o total movimentado pela venda de vitaminas, o montante alcança R$ 15 bilhões ao ano.
