Anunciado no mês passado, o projeto da construção do futuro Centro de Treinamento (CT) das categorias de base do Santos começou a ser revelado ao público e à imprensa.
Nesta segunda-feira (21), data em que o clube lançou o Instituto Leão do Mar, braço que atuará na área socioambiental em municípios da Baixada Santista e na cidade de São Paulo, a Máquina do Esporte conversou com o gerente administrativo do Peixe, Luiz Fernando Vella, responsável pelo planejamento estratégico que resultou na criação da entidade.
Ele comentou a respeito dos planos do Santos para a área de 700 mil m², localizada na Área Continental de São Vicente (SP) e que foi adquirida junto à multinacional francesa Saint-Gobain, em uma negociação sem custos para o clube, que pagará oferecendo em troca ativos comerciais e exposição de marca à empresa.
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Segundo Vella, o Santos planeja instalar um parque ecológico na área, iniciativa que será implementada em parceria com os Escoteiros do Brasil, permitindo que o espaço seja aberto a visitantes e abrigue trabalhos de educação ambiental.
A ideia é que a área receba, além do CT, a sede do Instituto Leão do Mar, que terá uma série de parcerias, caso da Universidade Santa Cecília (Unisanta), que deve oferecer atendimento em áreas como psicologia e direito a moradores, e aulas da Universidade Livre do Circo (Unicirco), do ator e empresário circense Marcos Frota (famoso por papéis como Tonho da Lua, na segunda versão de “Mulheres de Areia”), que participou da cerimônia de lançamento do Instituto Leão do Mar.
Outra que compareceu foi a atriz Christiane Torloni (a Diná, da segunda versão de “A Viagem), ativista ambiental e embaixadora da entidade do Peixe.
“Se a florestania não entrar com o módulo de educação, não vamos conseguir reflorestar um metro de terra, pois tudo começa reflorestando a mente das pessoas. Precisamos criar um exemplo, pois sei que outras agremiações nos seguirão. O exemplo de nossos jogadores geram impacto na vida das pessoas, assim como foi Pelé, um homem conectado e grato às suas raízes”, afirmou Christiane.
Estruturas do CT
De acordo com o gerente administrativo, os detalhes sobre como a área será utilizada dependerá da aprovação da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).
“O projeto definitivo só será divulgado quando soubermos o que será possível fazer lá. Em todo caso, esperamos utilizar de 20% a 30% da área para as estruturas do CT”, explicou Vella.
Caso o clube obtenha autorização para utilizar esse percentual máximo de 30% do terreno, o CT ocuparia de fato um espaço de 210 mil m².
O trabalho socioambiental do Peixe não deverá ficar restrito à área recentemente adquirida junto à Saint-Gobain.
O clube tem planos de desenvolver projetos voltados à área da saúde, em um terreno de 1 milhão de m² pertencente à Prefeitura de São Vicente e localizado ao lado do futuro CT, numa parceria que deve envolver Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e o médico e professor Moisés Cohen, uma das principais autoridades em ortopedia e traumatologia do país.
A ideia é de que o espaço, além de receber atletas do clube, possa prestar atendimento gratuito (incluindo exames, cirurgias e tratamentos) a moradores da comunidade e refugiados. A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), aliás, é parceira do Instituto Leão do Mar.
“O Instituto Leão do Mar nasce com a missão de ampliar aquilo que o Santos FC já representa para a sociedade. O clube tem uma história que ultrapassa as quatro linhas e queremos utilizar essa força para desenvolver projetos que gerem impacto positivo e duradouro. Essa primeira semana traduz exatamente esse propósito: levar ações concretas para diferentes cidades, aproximando o Santos FC das comunidades e reunindo parceiros em torno de causas importantes”, afirmou o presidente Marcelo Teixeira, durante a solenidade de lançamento do Instituto.
Polêmica ambiental
Vella também comentou a respeito de críticas surgidas ao projeto do CT, cujo terreno se localiza na chamada zona de amortecimento, modo como são conhecidas áreas com vegetação nativa situadas ao lado de reservas ambientais legais.
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Os locais recebem esse nome porque, na prática, funcionam como uma espécie de escudo protetor da reserva, evitando que ela sofra danos externos.
“Os questionamentos não passam de suposições feitas com base em imagens retiradas da internet. Tudo o que estamos fazendo é dentro da legalidade”, afirmou o executivo.
Na visão dele, o projeto do clube poderá ajudar a garantir uma ocupação ordenada à região, favorecendo a preservação ambiental.
Ainda segundo Vella, o futuro CT será sustentável, devendo contar com geração de energia fotovoltaica e gerenciamento de resíduos.
As análises da Cetesb para liberação do projeto deverão ser realizadas em duas etapas, sendo uma delas no período mais seco do ano (que está em vias de ser concluída) e outra na época das chuvas (o que deve ocorrer por volta de dezembro).
Em todo caso, o gerente administrativo acredita que, dentro de até 60 dias, o clube terá uma noção de qual percentual e quais espaços do terreno poderão ser utilizados no projeto do futuro CT.
