Setor de apostas não se intimida com Penalidade Máxima e segue investindo no Brasil

Setor de apostas não se intimida com Penalidade Máxima e segue investindo no Brasil

Plataformas de apostas não deixaram de investir no futebol nacional - Pedro Souza / Atlético-MG

Mesmo com a Operação Penalidade Máxima deflagrada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) investigando um esquema de manipulação de jogos nas Séries A e B do Brasileirão, os sites de apostas continuam promovendo diversas ações e injetando patrocínios no futebol do país.

A Medida Provisória (MP) das apostas esportivas está sendo examinada pela Casa Civil e deve ser editada nos próximos dias. Na última quinta-feira (11), o Ministério da Fazenda divulgou que o governo taxará as casas de apostas em 16%. As regras para publicidade no setor ainda serão criadas com a colaboração do Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária (Conar), órgão responsável por regular publicidade e propaganda no Brasil.

Enquanto o assunto tramita em Brasília (DF) e gera preocupação em setores do esporte, as plataformas seguem anunciando uma série de investimentos no futebol brasileiro. 

Investimentos

Um estudo realizado pela Tunad, startup de moment marketing, abordou o volume de investimentos em publicidade de seis das principais casas de apostas do Brasil: Betnacional, Betano, Sportingbet, Esportes da Sorte, Bet7 e Betfair. O levantamento apontou a Betnacional como a empresa que mais investe em inserções publicitárias na TV e no rádio.

Mesmo com a crise de imagem do futebol brasileiro, as casas de apostas continuam investindo. Nesta terça-feira (16), por exemplo, diversas empresas anunciaram ações e patrocínios. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que se posicionou como vítima do esquema de manipulação de jogos, destacou em seu site o patrocínio da EstrelaBet à seleção brasileira de futebol de areia.

A Parimatch, que neste ano se tornou patrocinadora máster do Botafogo, atual líder do Brasileirão, anunciou apoio ao Campeonato Paulista Feminino.

Já o Esportes da Sorte firmou acordo de patrocínio com o X1 Brazil, evento de futebol “mano a mano” que será realizado em Fortaleza (CE), na sexta-feira da semana que vem (26), com transmissão da Cazé TV. A plataforma também promoveu ações de Dia das Mães com os 11 clubes que patrocina nas três principais divisões do futebol brasileiro: Bahia, Grêmio, Athletico-PR, Goiás, Londrina, Guarani, Vila Nova, Novorizontino, Manaus, ABC e América-RN.

Por fim, nesta quarta-feira (17), foi a vez do influenciador Luva de Pedreiro anunciar a inauguração de sua própria plataforma de cassino on-line e apostas, o Luva.bet.

Vítimas, plataformas se pronunciam

Apesar de servirem como instrumento da rede de aliciadores que são alvo da Operação Penalidade Máxima, os sites de apostas sofrem prejuízo com a liberação de altos valores provenientes de apostas fraudulentas. 

A Máquina do Esporte conversou com representantes do setor, que evidenciaram a urgência da regulamentação.

“A missão é enfrentar diretamente essa epidemia de corrupção associada às apostas, assegurando todos os participantes, incluindo clubes, ligas, árbitros, empresas de apostas, entidades reguladoras e autoridades governamentais”, informou a Associação Brasileira de Defesa da Integridade do Esporte (Abradie) em comunicado. 

“Quando eu vejo essa preocupação com temas como agência reguladora ou combate às fraudes, isso demonstra um amadurecimento de entender que estamos definindo aqui o ecossistema que gira em torno do assunto apostas esportivas”, declarou Marcos Sabiá, CEO do Galera.bet. 

“Em todos os países que possuem a regulamentação das apostas esportivas, assim como a MP que será apresentada, ela proíbe que profissionais esportivos que estão em atividade tenham conta ou qualquer relação com empresas de apostas esportivas, podendo ser banidos das suas atividades”, lembrou Hans Schleier, diretor de marketing da Casa de Apostas.

“No fim, as casas de apostas esportivas são as maiores prejudicadas financeiramente quando o assunto é manipulação de resultado. Dessa sorte, faz-se necessário uma melhor organização dessas instituições privadas a fim de propiciar uma troca de informações mais rápida e eficaz com o poder público”, afirmou Darwin Filho, CEO do Esportes da Sorte.

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