Se o Mundial deste ano chegou, de certa forma, ao fim para nossa seleção e para boa parte dos torcedores brasileiros, a Copa do Mundo dos bastidores segue a todo vapor.
Nesta semana, a Sports Media Entertainment , investidora do Futebol Forte União (FFU), tornou-se alvo de um processo na Justiça e de uma representação criminal apresentada ao Ministério Público (MP) do Amazonas.
A ação civil pública foi proposta na última sexta-feira (3), no Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF), pelo Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut), entidade presidida por Gustavo Oliveira Vieira, que também comanda a Federação de Futebol do Espírito Santo (FES).
O sindicato conta também com dois vices-presidentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em seu alto escalação. Ednailson Leite Rozenha é o secretário-geral do Sinafut, enquanto Ricardo Augusto Lobo Gluck Paul é o diretor financeiro geral da entidade.
Na ação, o Sinafut questiona uma emissão de títulos realizada em julho do ano passado pela Opera Securitizadora, que utilizou como lastro debêntures da Sports Media Entertainment.
Avaliada em R$ 950 milhões, a operação financeira ofereceu os direitos de arena de clubes do FFU como garantia.
LEIA MAIS: Sports Media usou direitos de clubes do FFU como garantia em emissão de R$ 950 milhões em debêntures
Esta foi a terceira emissão de debêntures promovida pela empresa, que é um veículo de investimento da Life Capital Partners e adquiriu percentuais dos direitos comerciais e de mídia de equipes do bloco econômico, além de deter 20% do capital do Condomínio Forte União.
No processo, o Sinafut alega que o arranjo financeiro com os clubes da FFU viola a Lei Geral do Esporte, já que a legislação determina que a cessão dos direitos de arena só pode ser feita para “outras organizações esportivas que regulam a modalidade e organizam competições”.
Na avaliação da entidade, tanto a Sports Media quanto a Opea (além dos demais investidores) seriam alheias ao mundo do futebol.
“O que se impugna é a ilegalidade da oneração dos direitos de arena e a continuidade de uma cadeia de captação edificada sobre base que a própria administração pública reputou, em plano técnico, potencialmente ilícita e sistemicamente perigosa”, diz trecho da ação civil pública.
O Sinafut solicita uma uma liminar para impedir novas operações da Sports Media e da Opea referentes aos direitos dos clubes.
A entidade ainda pede que a Justiça declare ilegal as transações realizadas pelas companhas e cita, na fundamentação, a nota técnica do Ministério do Esporte, que enxerga “risco sistêmico” nessa operação, ao possibilitar a transferência dos direitos de arena para terceiros, em caso de inadimplência por parte da investidora.
O que diz a Sports Media
Procurada, a Sports Media encaminhou uma nota à Máquina do Esporte, posicionando-se a respeito da ação movida pelo Sinafut. Confira o texto na íntegra:
A Sports Media Entertainment (SME), sócia estratégica minoritária dos clubes membros da FFU (Futebol Forte União), reafirma que todas as suas operações observam a legislação aplicável, os contratos vigentes e os ritos próprios do mercado de capitais.
Comprometida com a transparência e a modernização do futebol brasileiro, a SME permanece à disposição das autoridades competentes para prestar os esclarecimentos necessários.
Sports Media Entertainment
Representação
No mesmo dia, a deputada estadual Alessandra Campêlo (PSD/AM) encaminhou uma representação criminal ao MP do Amazonas, contra o CEO da Sports Media, Bruno Pimenta, e o empresário Carlos Gamboa, fundador e sócio da Life Capital Partners (LCP).
Ela acusa os executivos de exercerem supostas intimidação e coação contra dirigentes do Amazonas. A parlamentar alega que, em março deste ano, Bruno Pimenta teria entrado em contato com cartolas do clube, ameaçando-os com represálias financeiras caso não desistissem de ações judiciais que questionam regulamentos do FFU.
A Máquina do Esporte apurou que, numa recente ação judicial que também tratava da suposta coação a dirigentes por parte da investidora, a linha de argumentação adotada pela empresa foi de que ela não controla os repasses aos clubes do FFU, de modo que a suposta represália alegada pelos cartolas não teria sequer condições de se concretizar.
No caso que iniciou a polêmica com a Sports Media, o Amazonas, que disputa a Série C do Brasileirão, buscava garantir a oportunidade de votar nas Assembleias Gerais do bloco, direito que hoje é restrito aos membros que estão nas Séries A e B.
Segundo ela, a suposta ameaça sofrida pelos dirigentes foi formalizada em ofício enviado pelo Amazonas ao comando do FFU, no qual o o clube “qualificou a abordagem como intimidatória e coercitiva diante do exercício regular de direitos legítimos”.
Cotada como provável candidata a vice na chapa de Osmar Aziz (PSD) ao Governo do Amazonas na eleição deste ano, Alessandra Campêlo é ligada a Ednailson Leite Rozenha, que, além de ocupar vice-presidência na CBF, comanda a Federação Amazonense de Futebol (FAF).
Em 2025, ela foi nomeada pelo cartola como diretora de futebol feminino da entidade, com o objetivo de de reestruturar, dar visibilidade e expandir a modalidade no estado.
Investidora se posiciona
A Sports Media encaminhou uma nota à Máquina do Esporte, posicionando-se a respeito da representação feita pela deputada Alessandra Campêlo. Confira:
A Sports Media Entertainment esclarece que não praticou qualquer conduta de pressão, ameaça ou coação contra dirigentes de clube.
A companhia pauta sua atuação pelo respeito à lei e permanece à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos que se fizerem necessários.
Sports Media Entertainment
