A Kings League Brasil encerrou nesta semana sua segunda temporada, demonstrando que continua a ser um fenômeno de mídia.
A final ocorreu na noite da última segunda-feira (18), na Trident Arena, em Guarulhos (SP), com a vitória do DesimpaiN sobre o G3X FC.
Em 2026, a versão nacional da liga de futebol de 7 criada pelo ex-jogador espanhol Gerard Piqué ultrapassou a marca de 25 milhões de espectadores no país, apenas nas transmissões oficiais da CazéTV (18,29 milhões, números disponíveis no YouTube) e em seu canal próprio no YouTube (7,069 milhões, dados fornecidos pela Kings League), feitas no decorrer da temporada.
Vale lembrar que a Kings League Brasil ainda não consolidou os dados relativos às demais transmissões, que ocorreram também nos perfis dos presidentes dos times. Portanto, a tendência é de que a audiência total da temporada tenha sido muito maior.
Isto porque, via de regra, os “cartolas” da Kings League costumam ser grandes influenciadores digitais, com milhões de seguidores nas redes sociais, fato que potencializa o alcance e o engajamento não apenas nas partidas em si, mas também de todos os demais conteúdos relacionados à competição.
Um exemplo é o atacante Neymar, do Santos e da seleção brasileira, que é presidente da equipe Fúria e conta com uma legião de mais de 230 milhões de fãs apenas no Instagram.
Além de Neymar, a lista de presidentes de equipes da Kings League Brasil inclui o ex-jogador de futsal Falcão, a influenciadora de e-Sports Nyvi Estephan e criadores de conteúdo como Gaules, Nobru, Toguro, John Vlogs e Luva de Pedreiro.
Tudo isso contribui para deixar a Kings League em evidência no Brasil. Em março deste ano, após fechar patrocínio à organização esportiva, a Visa divulgou pesquisa mostrando que 55% dos brasileiros conhecem a Kings League e que 65% demonstraram interesse em acompanhar a temporada recém-encerrada.
Inspiração nos games e apelo para a Geração Z
Lançada em 2022, a Kings League logo alcançou projeção global com a proposta de tornar o jogo mais dinâmico e imprevisível, a partir de uma forma de disputa inspirada nos games.
Essa característica é reforçada pelo uso das chamadas “cartas de armas secretas”, que podem causar eventos inesperados, como a conquista de um pênalti, a remoção de um jogador da equipe adversária ou até mesmo que os gols marcados valham em dobro em determinado período.
O formato busca dialogar com uma tendência observada em diferentes estudos recentes, caso de “Faces do Esporte”, conduzido pela MindMiners em 2024, que mostra que a a Geração Z (nascidos entre o final dos anos 1990 e o início dos anos 2010) consome preferencialmente conteúdo esportivo pelas redes sociais (56%), em detrimento de outras formas tradicionais como a TV (54%).
Já a Pesquisa Game Brasil de 2026 aponta que 82,6% dos brasileiros nessa faixa etária costumam fazer uso frequente de jogos eletrônicos, o que explica o êxito em um formato que inspirado na linguagem dos games.
Na avaliação de Bruna Simões, CEO da Thunder Games, empresa brasileira de desenvolvimento de jogos e soluções gamificadas, o sucesso da Kings League no Brasil e no mundo indica uma mudança de comportamento e de preferência entre os consumidores de esporte.
“Formatos que aliam competição, entretenimento, criadores e comunidade em uma única experiência tendem a ir ao encontro dos hábitos da nova geração quanto ao consumo de esportes, que se dá de forma digital, fragmentada e altamente interativa”, acredita.
Para ela, a Kings League uma tendência clara de convergência entre esporte e entretenimento interativo.
“Com elementos típicos dos games, a exemplo de regras dinâmicas, imprevisibilidade e participação ativa do público, amplia-se o engajamento e cria-se uma experiência mais imersiva, em especial para as gerações mais novas, já acostumadas com esse tipo de linguagem digital”, destaca a profissional.
