A Uefa enviou perguntas formais à Fifa com questionamentos sobre a conduta e a integridade do Comitê de Ética da entidade máxima do futebol.
Os documentos direcionados à administração de Gianni Infantino abordam a imparcialidade dos presidentes das Câmaras de Investigação e de Julgamento, além de apontar a falta de ação da entidade diante de denúncias contra dirigentes aliados da presidência e suposto favorecimento político na África.
Ruanda
No centro das indagações da federação europeia estão Martin Ngoga, presidente da Câmara de Investigação, e Maria Claudia Rojas, presidente da Câmara de Julgamento.
A Uefa aponta que Ngoga mantém vínculos políticos com o presidente de Ruanda, Paul Kagame, que possui relação próxima com Infantino.
O questionamento ganha relevância após a Federação Norueguesa de Futebol apresentar representação contra Infantino por temas que incluem premiações concedidas a políticos e a proposta de comercialização de ativos da Copa do Mundo.
“Como foram avaliadas quaisquer preocupações potenciais em relação à independência e imparcialidade do Sr. Ngoya em casos envolvendo o presidente da Fifa?”, questionou a Uefa.
A entidade também perguntou se o dirigente estaria “disposto a se abster de participar de processos éticos atuais e futuros relacionados ao Presidente da Fifa?”.
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Colômbia
Em relação a Rojas, a entidade europeia cita relações pessoais com ex-dirigentes da Federação Colombiana de Futebol que apoiam a gestão internacional.
A estrutura judiciária questionada remonta a alterações aprovadas no Congresso da Fifa de 2016, no México, quando mudanças estatutárias permitiram a indicação de membros pelo comando da entidade para posterior ratificação pelo congresso, em votação realizada após anúncios de repasses financeiros às associações filiadas.
RD Congo
No continente africano, os questionamentos da Uefa abrangem a representação apresentada pela Nigéria sobre a escalação de atletas da República Democrática do Congo durante as eliminatórias para a Copa do Mundo 2026.
A federação congolesa passou a ser presidida por Veron Mosengo Omba, ex-secretário-geral da Confederação Africana de Futebol (CAF) e aliado de Infantino.
Sobre a ausência de sanções esportivas no caso congolês em confrontos contra Camarões e Nigéria, a Uefa cobrou explicações formais da entidade.
“De acordo com as informações disponíveis, a Fifa constatou que o jogador estava inelegível para determinadas partidas, mas nenhuma sanção esportiva, como a perda de jogo por WO, foi imposta. Poderia a Fifa explicar os fundamentos jurídicos e factuais dessa decisão?”, pergunta a Uefa.
“Poderia o presidente da Fifa confirmar também que não interveio, direta ou indiretamente, por meio de qualquer membro da administração da Fifa agindo em seu nome, neste ou em qualquer outro dos processos disciplinares mencionados acima, para influenciar ou garantir uma decisão específica?”]
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Djibuti
A Uefa também aponta omissão disciplinar em episódios registrados no Djibuti. O presidente da federação local e membro do Conselho da Fifa, Souleiman Waberi, foi retirado da sede da entidade pela polícia no início de outubro após votação que determinou sua destituição.
Investigado por suspeitas de apropriação indébita e lavagem de dinheiro em repasses financeiros, Waberi permaneceu respaldado por relatórios internos da Fifa.
Sobre a situação das obras no país, um empreiteiro afirmou ao jornal The Guardian: “O dinheiro desapareceu, os projetos nunca são concluídos – ou, se são, é apenas uma versão muito básica – e ninguém diz nada. Isso me parte o coração pelos jovens que só querem jogar futebol.”
Somália
Situação similar ocorre na Somália, onde a federação local é liderada por Ali Abdi Mohamed, integrante de comitês da Fifa e apoiador de Infantino.
Em junho de 2026, a maioria do congresso somali votou pela nomeação de Omar Mohamoud Nor como presidente interino, mas a Fifa manteve Mohamed no cargo sob justificativa de apuração interna.
O respaldo a lideranças locais ocorre no período que antecede as eleições presidenciais da Fifa, marcadas para março de 2027.
