Os principais Campeonatos Estaduais de 2026 chegam ao fim no próximo fim de semana, marcados pela explosão nos patrocínios de uniforme dos trios de arbitragem.
Por muito tempo vistos como uma espécie de “vilões” em campo (por conta de decisões por vezes questionáveis e que influenciam o resultado das partidas), os árbitros se converteram recentemente em vitrines importantes para as marcas.
A introdução do árbitro assistente de vídeo (VAR, na sigla em inglês) foi decisivo para que o mercado despertasse para o potencial adormecido existente nas camisas de “juízes” e “bandeirinhas”.
Em entrevista concedida à Máquina do Esporte no ano passado, Camilo Leles, gerente de comunicação, branding e digital da Saint-Gobain Produtos para Construção, já havia comentado a respeito dessa estratégia.
Atualmente, a empresa patrocina o uniforme da arbitragem do Paulistão, com as marcas Quartzolit, Placo e Brasilit.
“Durante a checagem dos lances, o árbitro acaba sendo focado por um bom tempo nas transmissões, aumentando a exposição das nossas marcas”, afirmou o executivo.
Poder do VAR
Renê Salviano, CEO da Heatmap e especialista em patrocínios e ativações de marketing esportivo, concorda com a tese de que o VAR serviu para valorizar os uniformes dos árbitros.
“Com a chegada do VAR, os árbitros passaram a ocupar um tempo ainda maior nas transmissões”, avaliou.
Pelo quinto ano consecutivo, a agência por ele comandada fechou parcerias no Campeonato Mineiro para propriedades que incluem os uniformes da arbitragem. Entre as marcas patrocinadoras estão GiroAgro, Valenet, Gazim, Rio Branco, MGL Leilões, Uniube, SestSenat e StartBet.
“O Campeonato Mineiro tem crescido a cada ano e batido recordes de audiência nas transmissões e em médias de público. Todos os anos realizamos um trabalho minucioso e incansável para viabilizar parcerias que sejam positivas para a competição e para as marcas”, disse.
A publicidade nos uniformes da arbitragem pode ser observada em outros Estaduais. É o caso do Gauchão, por exemplo, que tem as marcas Biscoitos Zezé, Sicoob e Farmácias São João ocupando essa propriedade.
Paulistão
Em 2026, o Paulistão atingiu o maior número de parcerias envolvendo a arbitragem, com sete marcas estampadas no uniforme: Quartzolit, FutFanatics, Placo, Unisa, Smart Fit, Brasilux e Bis.
Um dos realizadores deste contrato foi o sócio-diretor da Wolff Sports, Fábio Wolff, que fez o acordo de patrocínio da Unisa com a Federação Paulista de Futebol (FPF). Ele também é adepto da tese de que o VAR valorizou esse tipo de contrato.
“A arbitragem possui grande evidência durante o jogo de futebol, especialmente depois da criação do VAR. Por conta disso, diversas empresas que desejam investir em publicidade no meio esportivo optam pelo uniforme dos juízes. É algo positivo tanto para os organizadores do campeonato quanto para as companhias”, analisou Wolff.
No Brasil, os patrocínios aos uniformes da arbitragem tiveram início em 2015, com a Semp Toshiba (atualmente TCL) ocupando essa propriedade em jogos nas Séries A, B, C e D do Brasileirão e na Copa do Brasil (masculina e feminina).
“É uma forma de gerar conexão e novas receitas com todos os envolvidos no espetáculo do jogo, seja pela exposição comercial, mas principalmente pela possibilidade de criar novas ativações de marcas que querem fazer parte do momento esportivo. Os árbitros são parte fundamental do espetáculo, e acredito que o público saiba fazer a diferenciação destes patrocínios com a performance do árbitro na partida. O mercado vem evoluindo e consegue cada vez mais capitalizar esse potencial”, afirmou Reginaldo Diniz, sócio-fundador e CEO da End to End, e colunista da Máquina do Esporte.
“A propriedade dos árbitros ainda é explorada mais como espaço publicitário de exposição simples do que sob o aspecto de uma real conexão que tais marcas estão buscando com a arbitragem, que é um dos atores importantes do espetáculo e, apesar de algumas vezes polêmica, é composta por seres humanos, profissionais que tem suas histórias, jornadas, batalhas que também poderiam ser contadas pelas marcas”, apontou Ivan Martinho, professor de marketing esportivo da ESPM, presidente da World Surf League (WSL) na América Latina e também colunista da Máquina do Esporte.
Europa
Em outras competições ao redor do mundo, a publicidade nos uniformes dos árbitros também é adotada, mas com quantidades de patrocinadores menores que as observadas nos Estaduais brasileiros.
A LaLiga (Espanha) possui patrocínios nas mangas e nas costas da camisa, com a Würth e a BKT. Já a Premier League (Inglaterra) tinha acordo com a EA Sports, que foi substituída pela Huws Gray como única marca presente nas camisas dos apitadores.
A Serie A (Itália) possui parceria com a Net Insurance e a Lete, enquanto a Ligue 1 (França) tem contrato com a LaPoste, de serviços postais. Na Bundesliga (Alemanha), o patrocínio é feito pela empresa de telecomunicações Das Örtliche.
“A visibilidade estratégica para as marcas nos uniformes dos árbitros é inegável, já que eles estão sempre em destaque durante as partidas, seja em lances decisivos ou polêmicos, garantindo exposição em transmissões globais. Além disso, essa prática reforça a modernização e profissionalização do futebol, mostrando que as ligas estão alinhadas com as tendências de mercado e buscando novas fontes de receita”, ponderou o publicitário Thales Rangel Mafia, especialista em gestão e negócios do esporte e gerente de marketing da Multimarcas Consórcios.
