A Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Vasco terá enfim um novo dono. O leilão judicial realizado na tarde desta sexta-feira (25), na 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, confirmou a venda do futebol cruz-maltino à Almirante Participações S.A., do empresário Marcos Lamacchia, enteado da presidente do Palmeiras, Leila Pereira.
O grupo foi o único a apresentar proposta no leilão e deverá assumir em breve 90% da SAF do Vasco. Lamacchia pagará R$ 500 milhões nesse negócio (valor que será destinado ao futebol), que deve envolver, porém, cifras bem maiores, estimadas em até 2 bilhões (montante que inclui a quitação das dívidas do clube e os R$ 120 milhões que serão investidos no Centro de Treinamento ao longo de dez anos).
O aporte de R$ 500 milhões será feito em cinco parcelas anuais de R$ 100 milhões, corrigidas pela inflação.
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Para garantir estabilidade institucional, o contrato impede a transferência das ações da SAF e a distribuição de dividendos por um prazo de dez anos.
Nesta semana, Lamacchia já havia feito depósito de R$ 27 milhões, de modo a antecipar dois anos da recuperação judicial do clube.
Próximos passos
O acordo de venda da SAF a Lamacchia depende agora das aprovações do Conselho Deliberativo e da Assembleia Geral de Sócios. A expectativa da diretoria do clube associativo é de que esse processo esteja concluído até o fim de outubro.
Vale lembrar que a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), órgão de fair play financeiro criado pela CBF, instaurou procedimento para apurar se haveria influência cruzada na venda da SAF do Vasco a Lamacchia, por conta do parentesco do empresário com a presidente do Palmeiras.
Palmeiras e Vasco estão impedidos temporariamente de realizar transferências ou empréstimos de atletas (inclusive da base), firmar patrocínios cruzados, compartilhar CTs, banco de dados de scouting ou ceder profissionais de comissões técnicas.
Também estão proibidas as operações de crédito, mútuo, adiantamento de receitas ou cessão de recebíveis entre os dois clubes.
A agência também vetou novas relações de crédito entre o Vasco e as empresas que figuram como garantidoras no Acordo de Investimento (bem como suas instituições financeiras).
Por outro lado, os aportes que estavam previstos no acordo com a investidora da SAF estão liberados para ocorrer.
Em todo caso, a Almirante Participações e Empreendimentos S.A., de Lamacchia, está impedida de nomear qualquer pessoa ligada a ela para cargos de administração, gestão ou decisão estratégica na SAF do Vasco, até que a operação receba aprovação final da Anresf.
Se a influência cruzada não vier a ser constatada, a venda da SAF a Lamacchia estará livre para se concretizar (e esta aparenta ser a hipótese mais provável de ocorrer, no cenário atual).
