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Saída do PIF da LIV Golf consolida nova fase “pés no chão” dos investimentos sauditas em esportes

Efeitos da guerra no Oriente Médio aliados ao baixo retorno dos torneios levou governo a rever gastos que vêm sendo destinados a área

LIV Golf é o circuito promovido pelo PIF, da Arábia Saudita - Reprodução / livgolf.com

⚡ Máquina Fast
  • Arábia Saudita encerra financiamento da LIV Golf após 2026, afetando a liga que enfrenta possível falência.
  • Saudi Pro League sofre cortes financeiros e venda de participação nos principais clubes controlados pelo PIF.
  • PIF foca agora em investimentos mais sustentáveis, priorizando a Copa do Mundo 2034 e a indústria de games.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Depois de abrir os cofres e despejar bilhões de dólares nas mais diversas modalidades, a Arábia Saudita tem procurado adotar uma postura mais sóbria em seus negócios esportivos.

A nova fase “pés no chão” da monarquia do Oriente Médio ficou escancarada com a recente decisão do Fundo Público de Investimento (PIF) de deixar de financiar a LIV Golf após o fim da temporada 2026.

Criada em 2021, a liga separatista de golfe se propunha a oferecer um modelo mais dinâmico de disputa com 54 buracos (daí o nome LIV, que é o número 54 escrito em algarismos romanos), frente aos 72 vigentes nos jogos do PGA Tour.

Em sua fase inicial, a competição saudita apelou a cachês e premiações milionárias, na tentativa de atrair estrelas da organização concorrente.

Dustin Johnson e Bryson DeChambeau firmaram acordos estimados em US$ 150 milhões cada, ao passo que Phil Mickelson migrou para a LIV Golf a troco de um contrato de US$ 200 milhões. Já Jon Rahm faturou uma quantia estimada em US$ 400 milhões.

Mas nem todos os ídolos do golfe mundial se deixaram seduzir pelos petrodólares do PIF. Tiger Woods, maior lenda desse esporte, recusou uma proposta da LIV Golf que girava entre US$ 700 milhões e US$ 800 milhões. Rory McIlroy foi outro que disse não aos sauditas, além de se posicionar como um dos maiores críticos da nova organização esportiva.

A oposição desses ídolos à empreitada saudita foi tão forte que serviu para barrar esforços da LIV Golf de se fundir ao PGA Tour.

LIV Golf à beira da falência

A decisão do PIF de retirar o financiamento à LIV Golf provocou uma demissão em massa na liga separatista, que agora flerta com a falência.

A organização já estaria em vias de apresentar o pedido de recuperação à Justiça de Nova Jersey, nos Estados Unidos, após se tornar alvo de processos de cobrança movidos por fornecedores e prestadores de serviço, por conta de atrasos em pagamentos.

A LIV Golf também negocia com o fundo BC Partners um financiamento de até US$ 300 milhões, que adquiriria ativos de circuito, permitindo assim a realização de um torneio em formato reduzido no ano que vem.

A estimativa é de que, desde que foi lançada, a LIV Golf recebeu US$ 5 bilhões em investimentos do PIF.

Outros cortes

Em tempos recentes, o governo saudita promoveu outros cortes de investimentos no esporte. A Saudi Pro League, que, no fim de 2022 e no início de 2023, abalou o mundo do futebol ao contratar craques como Benzema, Neymar e Cristiano Ronaldo, tem sido uma das mais afetadas pela nova política do PIF.

A competição sofreu um corte entre US$ 200 milhões e US$ 400 milhões no orçamento de transferências dos quatro principais clubes então controlados pelo fundo (Al-Nassr, Al-Hilal, Al-Ittihad e Al-Ahli).

Além disso, o PIF reduziu sua participação no Al-Hilal para 30%, vendendo a maior parte para a iniciativa privada, e ainda colocou o Al-Nassr (time de Cristiano Ronaldo) à venda no mercado.

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Pelas regras atuais de investimentos, clubes agora só podem contratar estrelas se gerarem receita própria por meio de patrocínios.

Vale lembrar que eventos de tênis feminino (WTA), o torneio de sinuca Saudi Arabia Masters e os planos para sediar a Copa do Mundo de Rugby de 2035 foram cancelados ou deixados de lado.

Prioridades

A redução dos investimentos sauditas em esportes não significa que o país esteja abandonando essa área, que continua ser um dos pilares do Saudi Pro Vision 2030, plano que tem a finalidade de diversificar a economia da nação, de modo a torná-la menos dependente da exportação do petróleo.

Nos últimos meses, por sinal, a Arábia Saudita tem sofrido os impactos negativos da Guerra do Oriente Média, decorrente dos ataques desferidos por Estados Unidos e Israel ao Irã, no início do ano.

A reação persa acabou por bloquear o tráfego de navios petroleiros na região, afetando diretamente as finanças dos sauditas, que são os grandes aliados dos norte-americanos no mundo árabe.

Ao mesmo tempo em que precisa readequar seus investimentos em um cenário de queda de receitas do petróleo, o PIF tem procurado centrar seus esforços em projetos mais sustentáveis em termos financeiros.

Entre eles está a Copa do Mundo de 2034, que terá a Arábia Saudita como sede, além de todas as iniciativas em e-Sports e na indústria de games, com o Savvy Games Group e a recente aquisição da Electronic Arts (EA).

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