A Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA) tem sentido o efeito do status olímpico do flag football nas contas e na rotina de trabalho. O faturamento da entidade dobrou entre 2025 e 2026, e a estrutura que antes dependia de voluntários passou a ser formada por profissionais remunerados.
Para uma modalidade que vivia do dinheiro pago pelos próprios praticantes, com inscrições e outras frentes, a entrada nos Jogos mudou a conversa com o mercado. Com o flag football entre os esportes de Los Angeles 2028, a entidade passou a ser enxergada de outra forma tanto por empresas quanto pelo sistema olímpico nacional, o que ampliou as fontes de recursos e alterou a lógica de como a confederação planeja seus gastos.
Em entrevista à Máquina do Esporte durante a COB Expo 2026, Cristiane Kajiwara, presidente da CBFA, descreveu os impactos do novo status.
“Desde que nos tornamos uma modalidade olímpica, temos sentido essa facilidade na obtenção de recursos, sejam as verbas de loteria junto ao COB ou os recursos privados com os nossos apoiadores”, disse.
A condição também teve como consequência um melhor posicionamento comercial, já que agora a entidade pode vender o potencial de estar em Los Angeles 2028. Nesse sentido, a CBFA já se sente mais consolidada, pelos novos recursos e pela manutenção de patrocinadores.
Atualmente, a confederação possui acordos de patrocínio com Oakley, Zurich Seguros, UniCesumar, Kickball, Açúcar Guarani e Miami Dolphins, franquia da National Football League (NFL).
Profissionalização
A chegada dos investimentos do COB e de marcas parceiras trouxe exigências de prestação de contas e de entregas que não existiam no modelo anterior. Com isso, a CBFA reorganizou o seu quadro administrativo.
“Toda a diretoria trabalhava de forma voluntária, não tínhamos pessoas atuando como gerente administrativo, gerente financeiro. Não tinha uma equipe de recursos humanos que dava esse suporte operacional”, explicou Cristiane Kajiwara.
“As receitas aumentam e as responsabilidades também, então precisamos de pessoas dedicadas, principalmente na parte administrativa e operacional, para continuarmos recebendo todos os recursos e nos desenvolvendo”, seguiu.
A profissionalização da gestão foi apenas um primeiro passo. A entidade entende que a estrutura física ainda precisa de evoluções e trabalha em busca de um Centro de Treinamento melhor.
“Estamos tentando construir um legado, pois não sabemos se a modalidade continuará [no programa olímpico] para a Austrália. Uma das metas que temos e ainda não conseguimos é ter um centro de treinamento específico para a modalidade, mas estabelecemos uma parceria muito forte com a Prefeitura de São Paulo”, contou a gestora.
A parceria com o município se materializa no Ceret, equipamento esportivo na zona leste da capital paulista. A estrutura, porém, ainda não resolve completamente a demanda.
“Agora continuamos na busca principalmente por ter um espaço físico para a modalidade, já que conseguimos evoluir nessa parte de estrutura agora que o pessoal está sendo remunerado para isso”, apontou.
NFL
Nos últimos anos, a CBFA também tem contado com o crescimento da NFL no Brasil. A liga de futebol americano colocou o país entre suas prioridades de expansão internacional e desde então já realizou três jogos de temporada regular em solo brasileiro.
Há dez dias, a NFL realizou pela primeira vez uma partida no Maracanã, que teve público superior a 72 mil pessoas e audiência de mais de 21,4 milhões de espectadores na Globo.
Entre as ações promovidas pela NFL no Brasil, também estão competições de flag football, modalidade que tem sido utilizada pela liga como caminho para expandir o interesse pelo futebol americano ao redor do mundo.
“Acho que nunca se falou tanto de futebol americano e de flag football no Brasil. Ter esse impacto e essa visibilidade que a NFL traz para cá, estando presente também na TV aberta, faz com que uma modalidade antes totalmente desconhecida passe a ser falada”, apontou Cristiane Kajiwara.
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Próximos passos
Agora, os esforços da CBFA dentro dos campos estão voltados para a classificação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. As seleções brasileiras de flag football seguem na briga por uma vaga.
“No ano que vem, participaremos do Continental das Américas, no qual os dois melhores classificados de cada continente disputarão as classificatórias, que podem conceder mais duas vagas para as Olimpíadas”, explicou a presidente da CBFA.
“Isso é muito positivo principalmente para a seleção feminina, já que Estados Unidos, México e Canadá já estão classificados. Ficamos em uma situação bastante favorável para disputar contra Panamá, Colômbia ou alguma seleção similar para conquistar essa vaga”, acrescentou.
Do ponto de vista de gestão, a intenção é aproveitar o momento para potencializar o alcance do futebol americano e do flag football no Brasil.
“Acredito que o próximo passo é nos consolidarmos, conquistando um pouco mais de estrutura física para treinar e desenvolver a modalidade. No pilar comercial, queremos aproveitar toda essa visibilidade trazida para o Brasil para capitalizar na modalidade por aqui”, concluiu.
