A Confederação Brasileira de Críquete tem observado um aumento significativo nas receitas depois de se tornar esporte olímpico. Ao ver o orçamento mais do que dobrar de 2025 para 2026, a entidade tem aproveitado o alívio nas contas para investir em gestão profissional e infraestrutura, enquanto amplia projetos sociais.
A Críquete Brasil tinha um orçamento de R$ 3 milhões em 2025, que passou a ser de R$ 8 milhões em 2026. A evolução foi possibilitada pelos auxílios financeiros oferecidos pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) depois do esporte entrar nos Jogos de Los Angeles 2028.
Em entrevista à Máquina do Esporte durante a COB Expo 2026, Roberta Moretti, presidente da Confederação Brasileira de Críquete, apontou que a expectativa é que as receitas continuem evoluindo.
“Achamos que deve bater R$ 10 milhões em 2027. A equipe administrativa, que era pequena, teve que se transformar, os processos têm que se transformar e toda a parte de gestão tem que se profissionalizar. Não é mais uma confederação familiar, é uma confederação que tem que se formalizar”, contou.
Profissionalização
A profissionalização tem sido um dos focos da Críquete Brasil. Com a alta performance sendo coberta financeiramente pelos investimentos do COB, a entidade conseguiu liberar recursos para evoluir sua infraestrutura de gestão.
“Este ano nós fizemos a abertura da nossa sede administrativa. Há 15 anos tínhamos dois voluntários e agora temos 73 funcionários. Esse pessoal precisa de uma área adequada de trabalho para a gente melhorar a parte de governança”, disse a presidente.
A confederação também ganhou um “reforço” de gestão depois de Roberta Moretti se aposentar como jogadora. A presidente da confederação encerrou a carreira dentro dos campos em junho, depois daquele que ela mesma classificou como “o melhor jogo de sua vida”.
“Eu amo jogar críquete e continuaria jogando se não tivesse o trabalho de gestão, com certeza. Mas acho que meu legado como jogadora foi criado e é hora de começar a pensar no legado administrativo. Trago hoje um valor mais substancial na administração, e as jogadoras vão continuar levando a parte técnica”, avaliou a gestora.
“Pensando que nosso orçamento dobrou em dois anos, tudo que a gente quer conquistar exige estar no escritório agora, e pensar essa parte estratégica é fundamental para continuarmos crescendo”, seguiu.
Social
O crescimento do alcance do críquete é trabalhado pela entidade principalmente através de iniciativas sociais. Em 2025, a Críquete Brasil proporcionou o contato de mais de 100 mil pessoas com a modalidade, número que já foi superado em 2026 e deve terminar o ano 20% maior.
“Nós temos 12 mil crianças em projetos sociais em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, o que também é um aumento em relação ao ano passado. O mais legal é que a gente está conseguindo fazer essas crianças da base começarem a subir para os campeonatos juvenis, Sub-17 e Sub-19”, afirmou Roberta Moretti.
Além de promover o desenvolvimento social através do esporte, caminho que já rendeu prêmios internacionais à entidade, os projetos promovidos pela Críquete Brasil têm gerado resultados no alto desempenho.
“Essa galera não está somente na base, já está na transição para os juniores. Isso significa que daqui a pouco nossas equipes competitivas vão estar cada vez mais fortes. A seleção hoje é 100% de atletas de projetos sociais, e essa molecada está ganhando o Sul-Americano, ganhamos duas competições na África e uma na Europa este ano”, lembrou.
Próximos passos
Faltando menos de dois anos para Los Angeles 2028, os próximos passos do críquete brasileiro não olham apenas para a classificação aos Jogos. A vaga é importante, mas, sem ter nem sequer a garantia de que a modalidade seguirá olímpica em 2032, a busca para este ciclo é deixar um legado.
“A gente sempre tem como lema na seleção que é ‘Brasil na frente, seu nome atrás’. O Brasil vem primeiro, o seu nome vem depois, você nunca está fazendo nada por você, está fazendo pelo time e depois vem a sua conquista. Estamos falando muito sobre isso na gestão: não é para este mandato, é tudo em prol da confederação para os próximos 15, 20, 30 anos”, projetou a presidente da Críquete Brasil.
De um ponto de vista mais prático, a intenção da entidade agora é conseguir campos de críquete para realizar partidas e conseguir sediar campeonatos internacionais, além de manter os investimentos na formação de atletas.
“Hoje temos uma estrutura de desenvolvimento e juniores bem legal. Nós precisamos fazer essa estrutura conseguir ter os treinadores certos, as pessoas certas, para que a alta performance também se estenda. Então, é a capacitação de pessoas, infraestrutura, que a gente realmente precisa pensar em aumentar, e pensar em aumentar também nosso leque fora de Minas Gerais e São Paulo. Esses três pilares são com certeza essenciais”, concluiu.
