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Conmebol consolida modelo de direitos fragmentados com pacotes que “transcendem” TV

Entidade, em parceria com a IMG, personaliza ofertas para atender diferentes plataformas e capacidades de investimento

Felipe Anderson em ação durante partida entre Palmeiras e Universitário pela Libertadores - Cesar Greco / Palmeiras

A definição dos pacotes de transmissão para as competições da Conmebol solidificou a estratégia de segmentação de ativos como o caminho para a sustentabilidade comercial do futebol sul-americano.

A modelagem adotada pela entidade, com suporte da agência IMG, abandonou a exclusividade total em favor de uma arquitetura que distribui os jogos entre diferentes parceiros de mídia, adequando a oferta à capacidade de investimento das emissoras que atuam na região.

Ao Maquinistas, podcast da Máquina do Esporte, Evandro Figueira, vice-presidente de mídia da IMG na América Latina, explicou que a abordagem responde a uma mudança estrutural no mercado.

“O que a gente entendeu quando a IMG começou a trabalhar com a Conmebol foi que no mercado, e aí no Brasil e na América do Sul, não tem mais um player que tenha a capacidade financeira de comprar tudo. Então você precisa criar pacotes que sejam interessantes e que caibam nos diferentes bolsos”, disse.

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Ao fatiar a Libertadores e a Copa Sul-Americana em pacotes específicos para televisão aberta, canais por assinatura e streaming, a Conmebol conseguiu atrair competidores distintos e maximizar o valor arrecadado em cada propriedade, garantindo que as competições tenham múltiplas janelas de exibição.

Além disso, evita a dependência de um único parceiro e fomenta a concorrência no setor de mídia esportiva, permitindo que novas plataformas e empresas de tecnologia possam disputar fatias do conteúdo que se adequem aos seus modelos de negócio.

“Preciso diversificar. E quanto mais eu diversifico, melhor é, porque outras empresas podem olhar e falar ‘opa, isso aqui também cabe no meu bolso’”, exaltou Figueira.

Divisão

No modelo válido para o ciclo de 2027 a 2030, Conmebol e IMG estabeleceram uma divisão que garante que as competições tenham janelas complementares de exibição.

A Globo, por exemplo, adquiriu um pacote para plataforma aberta contempla 19 datas da Libertadores, cobrindo desde as fases preliminares até a final. Enquanto isso, o Grupo Disney, comprou jogos de Libertadores para ESPN e Disney+.

A Disney também poderá exibir a Copa Sul-Americana no ESPN e no Disney+. Um dos pacotes adquiridos pela companhia para o torneio também permite a exibição em plataformas abertas, que podem ser seu canal no YouTube ou no streaming com acesso gratuito.

A personalização dos pacotes também inclui possibilidades para além da transmissão dos jogos na íntegra. A TNT Sports, por exemplo, terá a partir de 2027 os direitos da Sul-Americana para plataformas abertas e de clipes e highlights, propriedade incomum no futebol brasileiro.

“É o único pacote que permite exibir o que a gente chama de ‘near live’, com um delay de 7 minutos. Se o gol sai aos 10 minutos, aos 17 minutos o detentor pode exibir nas suas plataformas. Mas você tem limitação de quantidade de clipes e tempo, justamente para não ferir quem tem o direito do ao vivo”, detalhou Evandro Figueira.

A partir deste modelo, Conmebol e IMG visam atrair maior parte do mercado e maximizar a audiência da competição. Como resultado, evolui as receitas e atinge públicos com diferentes perfis de consumo.

O podcast Maquinistas, apresentado por Erich Beting e Gheorge Rodriguez, com a participação de Evandro Figueira, vice-presidente de mídia da IMG na América Latina, estará disponível a partir de terça-feira (20), às 19h (horário de Brasília), no canal da Máquina do Esporte no YouTube: