O consumo está cada vez mais concentrado no celular. Este movimento já deu origem a redes sociais, e-commerces, e-commerces dentro de redes sociais e microdramas (episódios verticais e curtos, que normalmente duram apenas de um a dois minutos, e fazem parte de um gênero que, hoje, é tratado por alguns relatórios como um mercado bilionário, com forte expansão global) dentro destas redes sociais.
É neste contexto que a World 1 está construindo os “microesportes”, competições pensadas para decidir um título mundial em até 30 segundos, criadas do zero em vez de recortadas de um esporte que já existe. O The News repercutiu uma matéria do The Hollywood Reporter sobre o tema, e a Engrenagem da Máquina decidiu aprofundar mais.
A empresa reúne dez medalhistas olímpicos como fundadores ou investidores, entre eles Janet Evans, nadadora que dominou provas de fundo nas Olimpíadas de 1988 e 1992, e Jackie Joyner-Kersee, uma das maiores multiatletas da história do atletismo. Esses nomes, em tese, dão credibilidade esportiva a um projeto que nasceu, na prática, como produto de mídia. O mesmo vale para outros investidores, como Mark Cuban, ex-dono do Dallas Mavericks, da NBA, e a Palms Sports, holding ligada a Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

As duas primeiras modalidades lançadas são bem diferentes: uma coloca atletas correndo dez jardas para ver quem atinge a maior velocidade em meio minuto, enquanto a outra define o campeão pelo maior peso combinado levantado no supino e no agachamento, no mesmo limite de tempo. São disputas de força e velocidade, fáceis de entender em segundos mesmo para quem nunca acompanhou o esporte de origem daquele atleta.

O modelo de receita vai pelo mesmo caminho de produto de mídia, apostando em publicidade, patrocínio e licenciamento, sem depender de assinaturas nesta fase, partindo do princípio de que o dinheiro do anunciante segue a atenção já concentrada no feed. A empresa também desenvolveu uma arena modular, montável em qualquer espaço coberto ao redor do mundo, em um formato itinerante mais parecido com uma turnê de espetáculo do que com uma liga esportiva de sede fixa.
O “microesporte”, então, parece ser mais uma reformulação do próprio produto esportivo, com o intuito de competir pela atenção digital. Vale observar se o público aceitará comprar modalidades inventadas do zero como “esporte de verdade”, ou se o formato encontrará seu lugar mais como entretenimento mais puro.
O conteúdo desta publicação foi retirado da newsletter semanal Engrenagem da Máquina, da Máquina do Esporte, feita para profissionais do mercado, marcas e agências. Para receber mais análises deste tipo, além de casos do mercado, indicações de eventos, empregos e mais, inscreva-se gratuitamente por meio deste link. A Engrenagem conta com uma nova edição todas as quintas-feiras, às 9h09.
