Com nova arena, Náutico estuda fim de Aflitos

Na última segunda-feira, o conselho deliberativo do Náutico aprovou a adesão ao consórcio Arena da Copa, o que faz com que o clube passe a gerir a Arena Pernambuco a partir de 2013. Com o acordo, que será assinado na próxima segunda-feira, o clube irá mandar os seus jogos no novo estádio após a Copa das Confederações. O que falta acertar no momento é o que será feito com os Aflitos.

O Náutico ficará com o novo estádio por 33 anos e poderá comercializar parte de suas propriedades. A arena tem capacidade de 46 mil pessoas, com estacionamento para seis mil carros. Como desvantagem, o clube não terá direito a 20% de suas bilheterias, além de não poder utilizar o local em datas que não forem de jogo. Shows, por exemplo, serão administrados pelo consórcio.

Para o Náutico, a grande vantagem do acordo não está na futura arena, mas no antigo estádio dos Aflitos. Em região nobre de Recife, o terreno do local está avaliado em R$ 200 milhões, o que poderia deixar o clube em situação financeira consideravelmente confortável. No entanto, a venda não é uma opção.

A diretoria do Náutico apresentou uma proposta de permuta a uma série de empreiteiras. Segundo o presidente do conselho do Náutico, André Campos, as cinco maiores construtoras do país já se mostraram interessadas. “Se vendermos, você sabe como é o futebol, o dinheiro some. Com um acordo, garantimos uma receita mensal fixa por décadas”, afirmou.

O Náutico estabeleceu o dia 7 de novembro como data limite para as empresas apresentarem uma proposta. O clube ainda não sabe o quanto poderá receber mensalmente com o terreno, pois não tem definido que tipo de empreendimento será erguido nos Aflitos. No entanto, como a mudança só ocorrerá em 2013, a diretoria do Náutico admite que não tem pressa para fechar o contrato.

Independente do acordo com o Aflitos, o Náutico deverá lucrar imediatamente com o contrato com a Arena Pernambuco. Com a assinatura dos documentos, o clube passa a receber R$ 350 mil mensais do consórcio se ficar na Série B. Se conseguir se classificar para a Série A, o valor passa para R$ 500 mil.

Atualmente, o faturamento do Náutico é de R$ 12 milhões. Se passar para a Série A, o clube espera ultrapassar a barreira dos R$ 30 milhões em 2012, considerando os R$ 6 milhões extras com a nova arena e o aumento de patrocínios, direitos de televisão e bilheteria. Pelo novo acordo, só com a assinatura do contrato o clube já recebe R$ 1,5 milhão.

Na nova arena, o Náutico terá um valor mínimo recebido em todas as partidas. A quantia será equivalente à bilheteria de 9,2 mil pagantes. Se o público exceder esse número, permanece o acordo de 80% da receita.

Quanto à localização, o clube desdenha o local da Arena Pernambuco, a 16 km do centro de Recife, na cidade de São Lourenço da Mata. “Até a Copa do Mundo, o governo irá melhorar as vias de acesso, as estradas, o transporte público. A dist"ncia não será um problema”, garante André Campos.

Por fim, o clube também já pensa em seu futuro para o fim do tempo do consórcio, de 33 anos. O estádio passaria a ser totalmente do Estado, mas o Náutico conta com comodato em longo prazo cedido pelo governo. “Mas isso será um problema para muitas gerações depois da nossa”, brincou Campos.