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Mercado imobiliário e celebridades: Por que todo mundo decidiu investir em padel?

Modalidade otimiza terrenos caros, retém o cliente no local consumindo outros serviços (hospitalidade/gastronomia) e valoriza o ativo imobiliário ao seu redor

Cristiano Ronaldo é uma das muitas celebridades que praticam e investem em padel - Reprodução / padel-magazine.pt

⚡ Máquina Fast
  • O padel é o esporte que mais cresce no mundo, com 30 milhões de praticantes em 110 países e rápida expansão no Brasil.
  • Investidores imobiliários aproveitam o padel para otimizar espaços e valorizar empreendimentos com quadras modulares de baixo custo e uso diário.
  • Celebridades globais investem em infraestrutura e ligas de padel, impulsionando a centralização e a profissionalização do esporte.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Padel. Uma modalidade que mistura elementos do tênis e do squash, disputado em uma quadra fechada, com paredes de vidro e cercas metálicas, e que utiliza raquetes sólidas e sem cordas. Se você nunca ouviu falar desse esporte, saiba que há uma gigantesca quantidade de dinheiro sendo investida nesse esporte. Hoje, trata-se da modalidade que mais cresce no mundo, sendo fruto de investimento imobiliário, infraestrutura e fusões corporativas.

Popularidade

Atualmente, já são cerca de 30 milhões de praticantes em 110 países (com 25 milhões ativos em clubes e torneios) e mais de 50 mil quadras, com projeção de chegar a 81 mil até 2027. No Brasil, o ritmo impressiona: cerca de três novas quadras são inauguradas por dia, e o país já soma mais de 600 mil praticantes.

Ainda longe da saturação, o esporte vive uma “corrida do ouro”. Mas por que ele atrai tanto capital pesado? Parte da resposta está no metro quadrado.

A raquetada do Real Estate

O segredo financeiro do padel começa por uma questão física: no espaço exato de uma quadra de tênis, você constrói três de padel, o que triplica a capacidade de locação. Com estrutura modular, essas quadras estão transformando “espaços mortos” (como lajes, rooftops e shoppings) em ativos rentáveis. Se você mora em São Paulo (SP) e já andou por perto da Avenida Paulista, tem até estandes de prédios que usaram parte do espaço para construir quadras de padel enquanto o empreendimento não sobe.

Mas o grande salto está nas incorporadoras. O padel se tornou uma nova comodidade em projetos imobiliários de média-alta e alta renda. Assim como o campo de golfe ou a praia artificial, a quadra de padel virou um marcador de prestígio e exclusividade que ajuda a justificar preços mais altos nos imóveis. A diferença é que o custo de implantação e manutenção é muito menor, e a quadra tem uso diário (não vira uma “área de lazer fantasma”).

Centralização do esporte profissional (por meio de um monopólio)

Enquanto o mercado imobiliário fatura na base, os fundos soberanos dominam no topo. Durante anos, o esporte foi fragmentado, até que a Qatar Sports Investments (QSI), dona do Paris Saint-Germain, enxergou a oportunidade, comprou o circuito rival (World Padel Tour) e unificou a modalidade sob o seu guarda-chuva no Premier Padel.

O esporte, então, deixou de ser gerido por federações e passou a ser centralizado.

Celebridades se interessam

A validação do esporte também vem de um movimento massivo de astros globais que não estão apenas sendo pagos para estrelar comerciais, mas também tiram dinheiro do bolso para investir em infraestrutura e franquias do esporte. Esse movimento se divide em duas frentes:

  • Os Donos do Terreno (Infraestrutura): No Brasil, Ronaldo Fenômeno foca na escala, planejando construir 100 quadras nos próximos três anos, enquanto Neymar aposta no modelo premium, com um complexo imenso em Santa Catarina. Na Europa, Zinedine Zidane abriu a rede “Z5 Padel” com foco em grandes complexos na França, e Zlatan Ibrahimovic já expande sua rede de clubes “Padel Zenter” pela Suécia e Itália. Cristiano Ronaldo seguiu a mesma linha comprando o Lisboa Racket Centre, em Portugal.
  • Os Donos das Ligas (Modelo de Franquias): O padel está copiando o modelo norte-americano de ligas fechadas (Sports Equity). Na Hexagon Cup, um dos torneios mais prestigiados da Europa, as equipes foram compradas por nomes como Lionel Messi e Sergio Agüero (donos da Krü Padel), além de Robert Lewandowski, Andy Murray, Rafael Nadal, Pierre Gasly e a atriz Eva Longoria. Nos Estados Unidos, a Pro Padel League atraiu o cantor de reggaeton Daddy Yankee, que, além de inaugurar um clube de luxo na Flórida, comprou a franquia Flowrida Goats.

A Engrenagem: O que o mercado pode aprender?

Todos esses movimentos sinalizam que o padel está na fase crucial de validação por investidores estratégicos, estágio que antecede a massificação. O dinheiro pesado não está fluindo para o esporte apenas porque ele é social e fácil de aprender, mas porque provou ser um produto com três atributos: otimiza terrenos caros, retém o cliente no local consumindo outros serviços (hospitalidade/gastronomia) e valoriza o ativo imobiliário ao seu redor.

Mas e as marcas? Na próxima semana, a Engrenagem da Máquina do Esporte destrinchará como o padel se tornou o “novo golfe” corporativo e por que as grandes marcas de luxo estão migrando para dominar as quadras de vidro.

O conteúdo desta publicação foi retirado da newsletter semanal Engrenagem da Máquina, da Máquina do Esporte, feita para profissionais do mercado, marcas e agências. Para receber mais análises deste tipo, além de casos do mercado, indicações de eventos, empregos e mais, inscreva-se gratuitamente por meio deste link. A Engrenagem conta com uma nova edição todas as quintas-feiras, às 9h09.