A Velocità, rede de lojas brasileira especializada em corrida de rua, completou 30 anos neste mês e já prepara o próximo passo da sua trajetória: transformar a base de dados de seus clientes corredores em um produto para o mercado e para as marcas.
Em entrevista à Máquina do Esporte, o sócio-diretor Alexandre Estefano detalhou a estratégia por trás da construção deste novo produto. Ao longo de 2026, a empresa tem trabalhado na organização dos registros de seus clientes e prepara uma pesquisa sobre o perfil dos corredores para o início de 2027.
“A gente vem em um caminho de inteligência já há muitos anos, colhendo todas as informações e sendo um centro de propagação de conhecimento no momento da venda”, afirmou Estefano.
“Tomamos essa decisão há bastante tempo e estamos conseguindo executar principalmente a partir deste ano, trazendo o comportamento do cliente para dentro da nossa base”, seguiu.
A Velocità pretende levar o resultado desse trabalho para fora da empresa, tanto para o mercado em geral quanto para as marcas com as quais trabalha.
“A ideia é trazer isso para o mercado, para retroalimentar, como informação geral de como está a corrida do ponto de vista da Velocità. E também para as marcas começarem a receber uma informação mais elaborada de como está a performance dos produtos frente aos níveis de corredores que a gente tem na nossa base”, explicou o sócio-diretor.
A empresa trabalha para que isso seja um diferencial dentro deste mercado e, com 30 anos de trajetória, vê espaço para oferecê-lo. O formato de entrega, porém, ainda não está completamente definido.
“Para as marcas, com certeza vai ser um produto, de uma forma ou de outra: ou a gente entregando alguma coisa que se cobra, ou dentro de um impacto comercial que a gente pode oferecer para elas”, projetou Alexandre Estefano.
“Sabemos para onde as marcas estão caminhando em tecnologia e queremos ajudá-las a dizer: ‘aqui talvez tenha uma oportunidade para você’. Ou que a oportunidade que elas estão olhando é muito pequena ou muito grande, ou que tem outros espaços”, acrescentou.
Dados
Dentro do Clube Velocità, plataforma própria de relacionamento e benefícios, os clientes recebem pontos pelas atividades de corrida registradas. Essas informações alimentam a base de dados, que ainda está em processo de consolidação.
“Estamos esse ano todo olhando para essa base de dados e organizando, modelando esses dados e olhando cada vez mais com disciplina”, explicou. “Temos uma base de clientes muito grande, mas uma base de corredores que reportam dados para a gente ainda pequena”.
O Clube reúne mais de 5 mil membros. Neste ano, foram registradas pouco mais de 140 mil atividades, somando aproximadamente 1,3 milhão de quilômetros. A partir dos registros de corrida, a Velocità pretende ampliar o conhecimento sobre o perfil dos clientes e o uso dos produtos.
Para cruzar comportamentos, usos, marcas, frequências e hábitos, a Velocità precisa reunir um período maior de dados. Este processo ainda está no início, principalmente quando se fala na base de corredores, mais do que clientes.
Enquanto isso, a Velocità investe em ações para ampliar esses números. A principal delas é a Black Friday Run, que será realizada no dia 30 de outubro, na sexta-feira.
Na ação promocional, o corredor vincula sua conta do Strava ou do Garmin Connect, corre em ambiente externo e transforma cada quilômetro em 1% de desconto na loja, até 42%. A meta da empresa é reunir 10 mil inscritos com a iniciativa.
Evolução
Além da oferta de inteligência às marcas, a Velocità pretende aplicar os dados na personalização do atendimento nas lojas. A empresa trabalha no desenvolvimento de ferramentas para relacionar as necessidades de cada cliente às experiências de outros corredores com objetivos semelhantes.
“Estamos trabalhando em ferramentas para entender exatamente o que ele está procurando e trazer soluções com base em todos os dados que a gente tem, tipo: ‘corredores com objetivos similares aos seus têm tido bons resultados com esse tipo de produto’”, detalhou.
O Clube funciona como um modelo de fidelidade que traz a corrida para dentro do programa. A empresa entrou em uma nova fase de relacionamento com os corredores.
“Agora estamos pedindo para ele se manifestar qual é a equipe dele, a comunidade a que pertence. A gente quer começar a trabalhar nessas comunidades em termos de comunicação e de proximidade”, contou Alexandre Estefano.
A coleta e as mudanças previstas seguem um cronograma que vai até o início do próximo ano.
“A gente está juntando esses dados agora até o final do ano para rodar uma pesquisa de comportamento do cliente, e no começo do ano vai trazer essa visão do corredor Velocità: como ele é, quem ele é”, afirmou o sócio-diretor.
“Provavelmente para o ano que vem a gente já vai estar com bastante coisa inovadora, diferenciada, para apresentar ao mercado”, completou.
Experiência
A experiência de 30 anos da Velocità no mercado de corrida é um dos pilares da estratégia para transformar dados dos corredores em um produto para o setor.
A empresa acompanhou a evolução do mercado de corrida desde uma época em que o corredor era frequentemente orientado pelo teste de pisada, dividido entre neutro, pronador e supinador.
Com o desenvolvimento do mercado, a Velocità ampliou a presença no ecossistema da corrida. A empresa passou a atuar na Meia Maratona Internacional de São Paulo, na Maratona Internacional de São Paulo e na São Silvestre.
Na Expo da São Silvestre, chegou a operar uma estrutura de cerca de 300 metros quadrados, com 12 marcas, e atender aproximadamente 8 mil corredores em quatro dias. Também foi loja âncora da SP City Marathon.
Atualmente, a rede tem cinco lojas físicas em São Paulo e um e-commerce que atende o mercado brasileiro, vende 16 marcas e impacta cerca de 3 milhões de pessoas por ano.
