Depois de passar os últimos meses envolvida em polêmicas e processos judiciais, que ainda não acabaram, com a Scuderia Bandeiras, a Stock Car passará a ter uma equipe comandada por Christian Fittipaldi a partir da temporada 2027.
O projeto, batizado de “Fittipaldi”, será gerido por uma sociedade formada pelo ex-piloto Christian Fittipaldi e pelos engenheiros Eduardo Akel e Adilson Morari. O planejamento prevê uma atuação integrada, com estruturas alocadas tanto na categoria de acesso, a Stock Light, quanto na divisão principal da Pro Series.
A divisão de responsabilidades da equipe foi estruturada a partir do histórico profissional de cada um dos sócios. Christian Fittipaldi agrega ao projeto a vivência nas pistas, que inclui passagens pela Fórmula 1 e Fórmula Indy, além de já ter exercido a função de chefe de equipe na própria Stock Car, com a Scuderia Bandeiras.
O desenvolvimento técnico ficará a cargo de Eduardo Akel, que atua no setor desde 2007 e acumula trabalhos em categorias como Porsche Cup, TCR e Endurance Brasil. A gestão da operação contará com a atuação de Adilson Morari, que trabalha como proprietário de equipes desde 2006 e possui foco em categorias de formação.
Do ponto de vista operacional, o cronograma estabelece que a estreia na divisão de acesso ocorrerá em paralelo à introdução do novo modelo de carro projetado pela Audace Tech, o braço tecnológico da categoria. Neste momento, os dirigentes concentram os esforços na formatação da estrutura física e de pessoal da companhia.
A definição do quadro de pilotos e a apresentação dos parceiros comerciais e patrocinadores estão programadas para as próximas etapas do projeto.
Denúncias
Christian Fittipaldi chegou a atuar na temporada 2026 da Stock Car com a Scuderia Bandeiras, que tem o piloto Átila Abreu como CEO. Os problemas entre a categoria e a equipe começaram no meio do ano, depois do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) manter as punições impostas à equipe pela Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) por irregularidades técnicas.
Discordando das punições, Átila Abreu, piloto e CEO da Scuderia Bandeiras, retirou a equipe da Stock Car. Nas semanas seguintes, o empresário usou suas redes sociais para denunciar uma série de problemas de fornecimento, com peças como freios e rodas, entre outras, recebidas já fora do regulamento.
As críticas envolveram, consequentemente, Lincoln Oliveira, CEO da Vicar, dona da Stock Car, e pai de Gabriel Bortoleto, único brasileiro na Fórmula 1 na temporada atual.
Isolamento
A boa notícia para a Stock Car representa também um novo passo no isolamento de Átila Abreu na “guerra” travada contra a categoria. Sua equipe possuía um dos elencos mais fortes do automobilismo nacional, com Rubens Barrichello, Nelson Piquet Jr. e Rafael Suzuki, além do próprio CEO, como pilotos.
Com o passar dos meses, porém, apenas Átila segue nessa briga direta contra a Stock Car. Apesar de terem perdido algumas etapas por conta da ausência da Scuderia Bandeiras na disputa, os três pilotos voltaram a correr na categoria por outras equipes, e agora Christian Fittipaldi voltará em 2027.
Átila Abreu em nenhum momento, ao menos publicamente, negou a possibilidade de que Barrichello, Piquet e Suzuki voltassem a correr na Stock Car, inclusive chegou a disponibilizar os carros da Bandeiras para que isso fosse possível e incentivar o retorno de Rubinho.
Ainda assim, o clima não ficou amistoso entre todos os envolvidos. Em agosto, Rubens Barrichello processou a Scuderia Bandeiras com a intenção de encerrar seu vínculo.
O piloto cobrou R$ 2,4 milhões, alegando que teria sido contratado para correr a temporada 2026 com um acordo que previa pagamentos de R$ 2 milhões, em parcelas de R$ 200 mil, e comissões sobre os patrocínios do Grupo Ale, que também o patrocina.
