O LA Open 2026 está sendo realizado nesta semana, no Jockey Club de São Paulo. Apesar de ser um Challenger 100, nível abaixo do circuito mundial da ATP, o evento apostou em uma infraestrutura elaborada, com a intenção de demonstrar potencial para se tornar mais relevante no calendário do tênis internacional.
O evento, que começou no último sábado (21), conta com cinco quadras, sendo duas para treinos e três para os jogos. A quadra principal possui arquibancadas capazes de receber até 6,2 mil torcedores.
“Desenvolvemos o projeto para ser grandioso, para reintroduzir São Paulo no cenário internacional de tênis masculino oficial da ATP. Nós não entendíamos o porquê de São Paulo estar fora desse circuito. Queríamos fazer um evento do tamanho da cidade”, disse Guilherme Velloso, CEO e idealizador do LA Open, à Máquina do Esporte.
“A demanda reprimida aqui é muito grande. Temos um número gigante de professores, alunos, atletas amadores e venda de produtos e acessórios relacionados ao tênis. Percebemos essa oportunidade como negócio, mas também uma carência afetiva”, seguiu.
A primeira edição foi idealizada, neste cenário, para passar a mensagem de que São Paulo quer e é capaz de receber um torneio de relevância no tênis.
“Nossa intenção é escalar esse torneio dentro da ATP. O fator principal do tamanho dessa estrutura foi justamente mostrar ao público que São Paulo precisava e merece uma estrutura como essa”, defendeu Eduardo Secco, CEO da New Quality, organizadora do torneio, e sócio-idealizador do LA Open.
Experiência
Para além das disputas dentro das quadras, a organização também trabalhou para promover experiências espalhadas pelo espaço de aproximadamente 45 mil metros quadrados em que o LA Open é realizado. As marcas, por exemplo, levaram ativações que incluíram propostas interativas e lojas.
“Não estamos entregando só um torneio de tênis. Temos nove restaurantes renomados que participaram de grandes eventos de gastronomia. O objetivo é que o público possa vir com a família, almoçar, aproveitar algumas ativações que estão sendo feitas nos estandes e ver uma boa partida”, exaltou Eduardo Secco.
A criação de experiências também foi o caminho escolhido para a divulgação do torneio. O LA Open contou com duas partidas de exibição entre ex-jogadores de destaque e usou a ideia para atrair os olhares dos amantes de tênis.
“No desenvolvimento do projeto, acabamos nos aproximando da ATP e transformamos o evento independente em um evento oficial internacional com atletas ranqueados, mas mantivemos dois pontos do projeto idealizado”, lembrou Guilherme Velloso.
Fernando Meligeni, Andry Roddick, Juan Partin del Potro e Diego Schwartzman duelaram em amistosos de duplas nos dois primeiros dias da programação. Toda a divulgação do torneio foi baseada nos amistosos, que inicialmente também teriam a participação de Andre Agassi.
“A ideia, que não foi um investimento baixo, era mostrar ao público e aos amantes do tênis a importância do evento que estava chegando. Se você lança um Challenger começando no domingo, não consegue dar essa importância”, explicou Secco.
“Nossa divulgação inicial era o rosto dos quatro jogadores em todos os lugares, o que não é normal num torneio da ATP, mas conseguimos fazer essa divisão muito bem”, apontou.
Comercial
Os acordos comerciais fechados pelo LA Open também se destacam entre as competições de nível Challenger realizadas no Brasil. Ao todo, o torneio conta com 20 patrocinadores.
“Enxergamos a oportunidade para os patrocinadores como uma exposição e uma integração da marca deles com o mundo do tênis. Como empresários e realizadores do evento, vemos que cada vez mais os patrocinadores estão enxergando que é uma necessidade social também”, avaliou Guilherme Velloso.
“Nós somos mais um veículo que possibilita essas transformações sociais que achamos tão importantes em um país com desigualdade e dificuldades, mas com um potencial gigantesco”, completou.
Entre os parceiros, estão marcas como Claro e Stella Artois, que nutrem presença relevante no tênis. Track&Field, JK Iguatemi, Trousseau, Globalcorp, Cyrela, Barts&Co, Reaxing, Waterdesign, Dobyseg, Dunlop, Zetaflex, Joia Bergamo, Playpiso, Água Di, Premium Lindoia, Woods Wine, Jockey Clube de São Paulo e All Accor completam a lista.
“O bacana é que vemos marcas querendo aumentar a participação de mercado em São Paulo nos enxergando como esse veículo”, afirmou Eduardo Secco.
A tendência, de acordo com os organizadores indicam, é que novos acordos sejam fechados para as próximas edições do torneio. Os diretores afirmam que já existem outras marcas os procurando com interesse de acrescentar o torneio ao portfólio de patrocínios.
“Estamos de braços abertos para atender todos eles, desde que não tenha conflito com quem já está aqui dentro, respeitando a participação de mercado de cada um no seu segmento”, ponderou Guilherme Velloso.
“A avaliação do público e dos patrocinadores, que acreditaram no projeto já na primeira edição, está sendo muito bacana. Os patrocinadores atuais já falam conosco para o próximo ano e os que não entraram já querem sentar conosco para conversar”, acrescentou Eduardo.
Os patrocinadores também são peças importantes na intenção do LA Open em evoluir dentro do circuito. A Claro, por exemplo, usou o torneio para estrear uma uma plataforma de dados baseada em Inteligência Artificial capaz de gerar estatísticas em tempo real.
ATP
Ainda que almeje postos maiores dentro do calendário global de tênis, o LA Open ainda terá que se entender com a ATP, responsável pelo circuito. Além de demonstrar a capacidade de proporcionar um evento ao nível da entidade, os torneios também precisam se encaixar em complexas logísticas de calendário e direitos de realização.
“Fomos cogitados para participar de uma proposta para lançar um ATP 250 em agosto do ano passado. Por decisões internas deles [da ATP], resolveram não lançar essa proposta, então não sabemos se seria um torneio fixo aqui ou se viria temporariamente para teste”, contou Eduardo Cecco.
Atualmente, o único torneio brasileiro no circuito da ATP é o Rio Open. Apesar de ainda ser realizado no saibro, o torneio que distribui 500 pontos para o ranking mundial já deu diversas demonstrações de interesse em mudar de piso, o que abriria espaço no calendário.
“Já tivemos a possibilidade de um ATP 175, mas a data exigia um tempo de construção curto e não conseguiríamos entregar o que queríamos. Optamos por esta janela, junto com Miami, para dar opção aos jogadores que não passassem no qualifying de lá”, pontuou o executivo.
“A gente não sabe quando e como será, mas a própria ATP já nos passou que realmente não está entendendo como um Challenger 100 tem uma estrutura tão bacana”, acrescentou.
Futuro
O LA Open 2026 terminará no domingo (29), quando será realizada a final do simples. Até o momento, o Brasil só está representado pela dupla Gustavo Heide e Guto Miguel, que disputam as semifinais nesta sexta-feira (27).
“Já estamos pensando na próxima edição. É trabalhar duro para lapidar um pouco o projeto, ver o que deu certo e o que deu errado, focando sempre no público e no bem do torneio. Diria que para uma primeira edição estamos muito perto do nível de excelência que buscamos”, concluiu Eduardo Secco.
O desenvolvimento da próxima edição do LA Open ainda está em estágio inicial. Em abril, a organização já começará a trabalhar para 2027.
