Faltando duas semanas para seu início, no dia 18 deste mês, o torneio de Roland Garros, na França, enfrenta um princípio de crise envolvendo uma polêmica que já dura alguns anos no tênis mundial.
Tenistas de elite que estão confirmados no evento publicaram manifesto cobrando uma fatia maior para as premiações em dinheiro.
O problema começou a ser escancarado no ano passado, quando as receitas de Roland Garros cresceram 14%, ao passo que montante distribuído aos tenistas aumentou em apenas 5,4%.
No mês passado, a organização do torneio anunciou aumento de 9,5% nas premiações, reajuste que ficou abaixo, porém, da expectativa dos competidores.
No último domingo (3), tenistas de elite – incluindo Jannik Sinner e Aryna Sabalenka, líderes dos rankings da ATP e WTA, respectivamente, além de nomes como Novak Djokovic e Coco Gauff – divulgaram nota criticando as condições de trabalho no torneio e expressando “profunda decepção” com os prêmios a serem pagos por Roland Garros.
Para este ano, o torneio francês deve distribuir um total de € 61,7 milhões aos competidores. O percentual de reajuste previsto para este ano, porém, representa metade do aumento anunciado para os prêmios do US Open, em 2025.
Premiações não acompanham receitas
O cerne das queixas dos tenistas está no fato de que as premiações de Roland Garros não crescem no ritmo similar ao das receitas do torneio.
Em 2025, por exemplo, quando o evento faturou € 395 milhões, o total distribuído aos competidores ficou em cerca de € 56,5 milhões, o equivalente a 14,3% do total.
Os jogadores, no entanto, cobram uma fatia de pelo menos 22%, que não será alcançada com o reajuste de 10% previsto para a edição deste ano. A tendência é que as premiações representem menos de 15% do total a ser arrecadado por Roland Garros em 2026 (que deve ficar na casa dos € 400 milhões).
Em 2024, as premiações correspondiam a 15,5% das receitas do Grand Slam francês. Vale lembrar que a participação de 22% no faturamento, cobrada pelos tenistas, já vigora em outros circuitos da WTA e da ATP.
Dos quatro Grand Slams, Roland Garros é o que pagará as menores premiações aos jogadores, na atual temporada. Para este ano, por exemplo, o Australian Open destinou AUS$ 111,5 milhões (cerca de € 68 milhões) aos tenistas.
Já Wimbledon e US Open ainda não anunciaram suas respectivas premiações, mas a tendência é de que, com reajustes, fiquem acima dos valores praticados pelo torneio francês, que pagará € 2,8 milhões aos campeões das disputas de simples.
No ano passado, o US Open teve uma premiação recorde de US$ 90 milhões (cerca de € 77 milhões), quase € 16 milhões a mais que Roland Garros 2026.
Polêmica com os tenistas
A queixa contra as premiações envolve um movimento mais amplo, deflagrado nos últimos anos pela Associação de Jogadores Profissionais de Tênis (PTPA, na sigla em inglês), liderada pelo sérvio Novak Djokovic.
A queixa, apresentada no tribunal distrital dos EUA para o distrito sul de Nova York, descreve os administradores como um “cartel” que teria conspirado para limitar prêmios em dinheiro e restringir a entrada de competidores no mercado.
A ATP negou as acusações e afirmou que a associação dos atletas tem promovido divisão e desinformação desde sua fundação, em 2020.
Pouco depois, a ATP e a WTA apresentaram um plano conjunto aos quatro Grand Slams, propondo uma estrutura corporativa unificada.
Além do aumento nas premiações de Roland Garros, os tenistas que assinam o manifesto pedem melhoras na assistência médica para atuais jogadores, revisão nas pensões pagas aos ex-atletas e participação direta dos competidores na definição dos calendários.
