O Rio de Janeiro receberá, entre os dias 16 e 18 de julho, o UTS Rio, etapa brasileira do Ultimate Tennis Showdown (UTS). O evento, idealizado por Patrick Mouratoglou, treinador e comentarista de tênis, marcará a primeira vez que a competição será realizada no Brasil e na América do Sul.
A disputa está marcada para o Ginásio do Maracanãzinho, com capacidade para até 11 mil torcedores por dia, e terá que dividir a atenção do público com a fase final da Copa do Mundo de 2026, sediada nos Estados Unidos, Canadá e México. No dia 18, por exemplo, haverá a disputa do terceiro lugar do Mundial da Fifa.
Sobreposição
Para evitar um possível fracasso de público, a ODDZ e a Forever Sports, organizadoras do evento, planejaram o calendário de jogos para que não houvesse sobreposição com as transmissões da Copa do Mundo na TV.
“O UTS, na verdade, acontece entre a semifinal e a final da Copa. Não conflita com jogos. Tem [a disputa de] um terceiro e quarto, mas o horário não é conflitante”, contou Marco Farah, sócio da ODDZ, em entrevista à Máquina do Esporte.
Farah explicou que os dias de disputa da etapa brasileira do UTS tiveram que seguir a lógica do circuito internacional de tênis. Por isso, não havia muita possibilidade de remanejamento.
“A escolha da data segue alguns fatores. Apesar de estar fora do calendário oficial da ATP, o UTS é um campeonato em que todas as etapas convivem de maneira harmoniosa com esses torneios”, explicou Farah.
Clima de Copa

O organizador acredita que o UTS possa se beneficiar do ambiente esportivo gerado pela Copa do Mundo.
“Dentro do Brasil, existem 1 milhão de outros Brasis”, apontou.
“Podemos beber desse clima que vai estar na Copa do Mundo. A gente preenche dias em que a ansiedade vai estar no máximo, se o Brasil chegar à final. O grito vai estar entalado na garganta”, acrescentou.
Farah lembrou que, no UTS, ao contrário dos torneios convencionais de tênis, a manifestação dos torcedores é permitida, sem restrição de silêncio.
“Vai ser mais uma janela para a torcida gritar como nunca se viu no tênis”, salientou.
Formato
O UTS Rio distribuirá uma premiação total de aproximadamente US$ 1,3 milhão, com o vencedor recebendo entre US$ 400 mil e US$ 500 mil.
Esse montante é o equivalente à premiação disponibilizada em um torneio ATP 500. Como comparação, o argentino Tomás Martín Etcheverry ganhou cerca de US$ 460 mil pelo título do Rio Open neste ano.
Entre os nomes já confirmados estão o britânico Cameron Norrie (22º colocado do ranking mundial), o argentino Francisco Cerúndolo (27º), o francês Ugo Humbert (34º) e o australiano Nick Kyrgios, que, embora esteja em 835º lugar, já foi o 13º na classificação mundial.
Apesar de não contar pontos para o ranking da ATP, Farah afirmou que o evento terá como atratividade a premiação, fazendo com que a competitividade seja alta.
“Não conta pontos, mas a ideia é que seja para valer. Os atletas vêm no risco para ganhar o prêmio total, que é bastante alto”, enfatizou.
A estrutura do torneio se diferencia do modelo tradicional por permitir a manifestação da torcida durante os pontos e pelo tempo reduzido das partidas, que duram cerca de 40 a 50 minutos. Os jogos são divididos em quatro quartos de oito minutos.
Patrocínio

Do ponto de vista comercial, a XP Investimentos atuará como patrocinadora máster, mas há conversas com outras empresas para aderirem ao evento nos segmentos de carros, seguros, tecnologia, vestuário, bebidas e energia.
O evento também contará com o apoio do Governo do Estado do Rio de Janeiro por meio da Lei de Incentivo ao Esporte.
A experiência do público incluirá uma fan zone com abertura três horas antes dos jogos e um “All Star Game” no dia anterior ao início oficial. O formato garante que todos os atletas escalados entrem em quadra em todos os dias do evento.
A estratégia de ingressos foca na acessibilidade, com preços que variam de R$ 50 (meia-entrada) a aproximadamente R$ 280 para o bilhete mais premium.
“A questão de acesso aos ingressos é algo recorrente sendo colocado em pauta pelo público. Estamos, hoje, trabalhando com ingressos superacessíveis”, destacou o executivo da ODDZ.
Mercado
A vinda do UTS para o país ocorre em um período de maior interesse dos brasileiros pelo tênis, muito por conta do fenômeno João Fonseca.
“O tênis está vivendo um momento de ouro no Brasil, puxado por diversos fatores, e acreditamos muito que isso é só o começo. O brasileiro está sedento por eventos de tênis, e o calendário da ATP é mais engessado e complicado”, afirmou Farah.
O surgimento de talentos nacionais e a consolidação de atletas no ranking mundial são vistos como pilares desse crescimento. Contudo, a organização fez questão de ressaltar a importância da sustentabilidade comercial do esporte.
“O tênis já mostrou que tem um ecossistema necessário”, avaliou Farah, citando a adesão de marcas e o aumento na oferta de competições.
