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Mercado esportivo não busca apenas apaixonados

Enxergar o esporte como negócio é decisivo para quem quer trabalhar na área

Clubes de esportes olímpicos, como o Pinheiros, demandam profissionais capacitados em gestão, marketing, captação de recursos e relacionamento com patrocinadores - Divulgação

Durante o período de Festas e Réveillon, é comum fazermos planos de mudança para o ano que está se iniciando: praticar atividade física, fazer dieta, trocar de casa ou de carro, estudar mais.

Esse também é um momento em que repensamos nossa carreira profissional e refletimos: “queria tanto trabalhar com esporte, que é o que amo”.

Por esse motivo, nesta coluna, decidi falar justamente sobre empregabilidade no mercado esportivo, destacando alguns segmentos que vêm demandando, cada vez mais, profissionais ligados às áreas de negócios e marketing esportivo.

Em conversas com amigos, alunos e mentorados que têm esse desejo de migração de carreira, costumo perguntar qual seria o emprego dos sonhos. As respostas, em geral, giram em torno de trabalhar em uma marca esportiva, em um clube de futebol ou em alguma liga norte-americana.

Acho essas respostas bastante plausíveis, e até óbvias. Mas o objetivo aqui é mostrar que existem diversas outras possibilidades dentro da indústria do esporte, muitas vezes pouco exploradas ou desconhecidas por quem deseja entrar nesse mercado.

São elas:

1. Clubes de futebol

O Brasil conta com uma infinidade de clubes de futebol, alguns mais estruturados, outros ainda em processo de profissionalização, e vários com grande potencial de evolução. O movimento das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) tende a acelerar esse processo e exigirá estruturas cada vez mais profissionais, aumentando a demanda por executivos mais preparados, especialmente nas áreas de marketing e comercial.

2. Clubes de esportes olímpicos

Estamos a aproximadamente 900 dias dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, e clubes brasileiros como Pinheiros, Minas Tênis Clube, Sogipa e Praia Clube são grandes formadores e reveladores de atletas e medalhistas olímpicos. Esses clubes possuem estruturas complexas e demandam profissionais capacitados em gestão, marketing, captação de recursos e relacionamento com patrocinadores.

3. Agências de eventos esportivos

Talvez aqui esteja um dos maiores potenciais para novos entrantes. O Brasil conta com inúmeras agências de eventos esportivos, especialmente na organização de corridas de rua, futsal, tênis, torneios amadores e competições escolares. Áreas como produção, atendimento e novos negócios costumam demandar um número significativo de profissionais.

4. Mídia esportiva

Com o avanço do streaming e a pulverização dos direitos esportivos, surgiram novos e relevantes players, como CazéTV, N Sports, Goat, Nosso Futebol e GeTV, entre outros. Esse movimento ampliou as oportunidades não apenas na área de conteúdo, mas também nas frentes comerciais, de “branded content” e de desenvolvimento de novos formatos.

5. Patrocinadores

Há um número expressivo de empresas, privadas e estatais, envolvidas com o esporte por meio de patrocínios e apoios. Em anos marcados por grandes eventos esportivos globais, a tendência é de maior absorção de profissionais nas áreas de marketing, comunicação, eventos e ativação de marca.

Conclusão

A lista de opções é grande, mas é importante ressaltar: o mercado não está em busca apenas de apaixonados por esporte, e sim de profissionais que enxerguem o esporte como negócio, não apenas como paixão.

Na próxima coluna, trarei algumas recomendações práticas sobre como fazer essa transição de carreira para o mercado esportivo.

O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte

Eduardo Corch é diretor-geral da EMW Global e professor do Insper. Tem 25 anos de experiência no mercado esportivo, com passagens por Adidas, Grupo BRF e Bridgestone, além de agências como Havas Sports & Entertainment. Foi líder de projeto na Copa do Mundo do Brasil 2014 (Adidas) e Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016 (Bridgestone), e gerenciou contratos de patrocínios com clubes, atletas e entidades esportivas

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