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Samuel Lloyd, especial para a Máquina do Esporte

Samuel Lloyd

4 min de leitura

Análise

Ivete Sangalo dá aula de liderança no Carnaval de SP: Quando o trio parou, a líder entrou em cena

Cantora baiana mostrou que liderança de verdade aparece quando algo foge do combinado

Samuel Lloyd, especial para a Máquina do Esporte • Colunista

09/02/2026 19h31

Ivete Sangalo reuniu 1,2 milhão em Carnaval de rua - Sergio Barzaghi/SECOM

Ivete Sangalo reuniu 1,2 milhão de pessoas no Pré-Carnaval de rua em São Paulo (SP) - Sergio Barzaghi / Secom

⚡ Máquina Fast
  • Ivete Sangalo liderou ativamente e promoveu a movimentação da multidão para garantir a segurança durante o triô elétrico do Pré-Carnaval de São Paulo, que reuniu mais de 1,2 milhão de pessoas.
  • A cantora usou sua autoridade emocional e experiência para pausar o show e comunicar-se diretamente com o público, mostrando que liderança pode surgir fora da hierarquia formal.
  • O episódio destaca que liderança eficaz exige presença, leitura de contexto e decisões rápidas com empatia, especialmente quando planos enfrentam imprevistos.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

No trio elétrico de abertura do Pré-Carnaval de São Paulo (SP), no último sábado (7), Ivete Sangalo levou mais de 1,2 milhão de pessoas para o circuito no entorno do Parque Ibirapuera.

Um evento inédito, gratuito, que dominou as conversas nas redes sociais antes, durante e depois. Foi destaque na imprensa, trend nos stories, assunto nos grupos de WhatsApp e exemplo vivo de como liderança aparece quando o plano encontra a realidade.

Tudo ali era resultado de um grande planejamento público: Prefeitura, forças de segurança, equipes operacionais, produtores, protocolos. Mas, na prática, havia um nome que reverberava acima de todos: Ivete.

Quando o plano não avança, alguém precisa liderar.

Com o volume de pessoas muito acima do esperado, o trio simplesmente não conseguia avançar. A logística travou. E foi nesse momento que a liderança aflorou na atitude.

Ivete percebeu que não adiantava insistir no show como se nada estivesse acontecendo. Ela parou de cantar. Usou o microfone para comandar.

Falou diretamente com as pessoas à frente do trio. Pediu movimento. Orientou deslocamentos. Descreveu roupas, reconheceu indivíduos, criou uma comunicação íntima em meio a uma multidão imóvel. Usou carisma, experiência e, principalmente, autoridade emocional.

Com cuidado, respeito e muito afeto pelo público, o trio voltou a se mover. Só então, já na área de dispersão, a rainha retomou o show.

Esse episódio simples, mas poderoso, deixa ensinamentos que vão muito além do Carnaval. Eis algumas lições de liderança que ficam:

1. Liderança não depende de hierarquia

Ivete não era a organizadora do evento e não tem poder de polícia. Havia Prefeitura, Polícia Militar, Guarda Civil, Bombeiros e equipes técnicas. Ainda assim, ela assumiu a liderança porque entendeu que aquele momento exigia alguém à frente. E esse alguém era ela.

2. Leitura de contexto é uma habilidade estratégica

A cantora sabia que, logo atrás do seu trio, viriam outros dois. Atrasar não era só um problema dela, mas de toda a operação. Liderar também é entender o impacto das suas decisões no todo.

3. Há momentos em que não dá para delegar

Mesmo sabendo que aquela decisão afetaria diretamente o “produto” pelo qual foi contratada, ou seja, o show, Ivete entendeu que ninguém poderia fazer aquilo por ela. Liderança exige presença total e exposição pessoal.

4. Autoconhecimento e experiência salvam operações

Anos de Carnaval em Salvador (BA) ensinaram à cantora uma regra básica: segurança vem antes do espetáculo. Quem se conhece, confia no próprio repertório para agir sob pressão.

Conteúdo do artigo
Ivete Sangalo comandou e parou trio durante show em São Paulo (SP) – Reprodução / Instagram (@ivetesangalo)

Liderar é assumir o compromisso, mesmo quando não estava no script. Ivete mostrou que liderança de verdade aparece quando algo foge do combinado.

Quando o plano falha.

Quando o risco surge.

Quando alguém precisa decidir rápido, com empatia, clareza e coragem.

No Carnaval, nos negócios, na gestão pública ou na vida, líderes não são apenas os que cantam quando tudo vai bem; são os que param a música para garantir que todos cheguem bem ao final do percurso.

E isso, definitivamente, não se ensina só em sala de aula.

O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte

Samuel Lloyd é diretor comercial da Urbia, empresa responsável pela gestão de mais de dez parques públicos brasileiros, e está à frente do projeto de gestão do Parque Ibirapuera desde outubro de 2020. Ao longo da carreira, já ocupou posições de liderança na Minas Arena (gestora do Estádio do Mineirão) e na Visit Britain

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