O modelo de negócios das novas arenas esportivas prioriza o funcionamento diário com a diversificação de fontes de renda e a atração de diferentes perfis de público. A ideia de sustentar a operação de um complexo desse porte apenas com atrações musicais e ativações corporativas esbarra na necessidade de garantir um fluxo constante de consumo.
Ao Maquinistas, podcast da Máquina do Esporte, Thiago De Rose, consultor estratégico da empresa Arena Events+Venues explicou que a sobrevivência de um equipamento passa invariavelmente por manter suas portas abertas diariamente.
“A gente sempre vai na direção de transformar o estádio em um equipamento que funcione 365 dias por ano. Essa é a principal maneira de torná-lo sustentável, de não depender apenas da receita de bilheteria, começar a diversificar fontes de receita, trazer visitação diária”, disse.
Contudo, a busca incessante por essa multifuncionalidade não deve ultrapassar a vocação principal do ativo imobiliário.
“Um estádio é um local para jogos de futebol. Não podemos esquecer que é um estádio. Se você quer fazer um lugar que não precise ter jogos de futebol, não faça um estádio, faça outra coisa”, cravou o consultor da Arena EV.
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Vantagens
A equação financeira se torna mais previsível e rentável quando a instalação possui um dono ou parceiro fixo atuando em alto nível. Para De Rose, ter uma equipe que mande os jogos frequentemente na instalação traz um alívio fundamental para a operação e facilita o planejamento corporativo a longo prazo.
Essa vantagem competitiva permite que a administração crie pacotes anuais de patrocínios diretamente ancorados na rotina do torcedor, tendo os demais eventos e shows como uma receita complementar.
“Estádios privados, de clubes, são, em teoria, mais fáceis de trabalhar, porque você já tem um clube jogando lá e você tem que conectar outro tipo de programação e conteúdo”, avaliou.
Prática
O debate sobre essa dependência esportiva ganha contornos práticos ao se observar movimentações recentes no país, como o caso do complexo da Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo.
O espaço aposta em um modelo multifuncional, mas precisará lidar com o desafio de não possuir, pelo menos até o momento, um time parceiro recorrente para realizar partidas.
“O Pacaembu está em uma localização privilegiada, em São Paulo tem vida 365 dias por ano. Tem as atividades esportivas lá, tem toda uma programação de eventos”, ponderou Thiago De Rose.
Ainda assim, a ausência de uma base cativa de consumo é considerada um entrave direto para os negócios e a arrecadação das arenas.
“No geral, é sempre melhor se você tiver um time que garanta uns 25 a 30 jogos por ano no seu estádio, porque ainda a receita que isso gera é bem relevante”, analisou o consultor.
Diante da necessidade de equilibrar os custos fixos de manutenção de estruturas construídas para suportar dezenas de milhares de pessoas, abdicar de um calendário esportivo fixo torna a tarefa mais árdua.
“Eu brinco sempre que é um mito dizer que dá para ser um estádio sem time. É bem mais difícil, sem ter o futebol para chamar de seu”, concluiu o executivo.
O podcast Maquinistas, apresentado por Erich Beting e Gheorge Rodriguez, com a participação de Thiago De Rose, consultor estratégico da Arena Events+Venue, está disponível no canal da Máquina do Esporte no YouTube:
